Journal · Exposições e museus

Quais museus de arte visitar na Cidade do México

A Cidade do México reúne museus que cobrem períodos e coleções muito diferentes: o Museo Frida Kahlo (La Casa Azul), em Coyoacán, guarda o universo íntimo da artista; o Palacio de Bellas Artes, no Centro Histórico, abriga os murais dos grandes muralistas mexicanos; e o Museo Soumaya e o Museo Anahuacalli são dois museus construídos por colecionadores obsessivos, em bairros opostos da cidade.

Fachada azul do Museo Frida Kahlo (La Casa Azul), em Coyoacán, Cidade do México
Fachada da Casa Azul, a casa onde Frida Kahlo nasceu e viveu, hoje o Museo Frida Kahlo, em Coyoacán, Cidade do México. Museo Frida Kahlo (La Casa Azul), Coyoacán, Cidade do México. Foto: Rebeccananonof / Wikimedia Commons (CC0).

Panorama: quatro museus, quatro bairros, sem disputar o mesmo território

A Cidade do México concentra museus de arte com propostas tão diferentes entre si que praticamente não competem pela atenção do mesmo visitante. Em Coyoacán, ao sul da cidade, ficam dois museus ligados a Diego Rivera: o Museo Frida Kahlo, na casa onde a artista nasceu e morreu, e o Museo Anahuacalli, o templo de pedra vulcânica que o próprio Rivera construiu para abrigar sua coleção de arte pré-hispânica. No Centro Histórico, o Palacio de Bellas Artes reúne os murais dos grandes nomes do muralismo mexicano num só edifício. E em Polanco, na Plaza Carso, o Museo Soumaya expõe a coleção particular do empresário Carlos Slim, de arte europeia e americana de mais de trinta séculos.

Essa distribuição também organiza o roteiro: cada museu pede um deslocamento próprio dentro da cidade, e nenhum resume os outros.

Museo Frida Kahlo (La Casa Azul): o universo íntimo da artista, em Coyoacán

A Casa Azul, na Rua Londres 247, na colônia Del Carmen, em Coyoacán, foi a casa onde Frida Kahlo nasceu e viveu boa parte da vida ao lado de Diego Rivera. O museu foi inaugurado em julho de 1958, por vontade do próprio casal de deixar a casa como espaço para o público mexicano. A museografia inicial foi planejada pelo historiador e poeta Carlos Pellicer, e a administração ficou a cargo do Fideicomiso de los Museos Diego Rivera y Frida Kahlo, vinculado ao Banco do México e constituído pelo próprio Rivera em 1957.

O acervo vai muito além da pintura: reúne desenhos, documentos, livros, mobiliário, objetos pessoais, vestuário, joias, esculturas pré-hispânicas, peças de arte popular, mais de 450 exvotos e os corsés médicos e instrumentos de trabalho que Frida usou ao longo da vida, além de um conjunto de aproximadamente 6.500 fotografias. É um acervo organizado em torno da vida da artista, não apenas da sua obra pictórica.

Palacio de Bellas Artes: os murais dos grandes muralistas mexicanos, no Centro Histórico

O Palacio de Bellas Artes, na Avenida Juárez, esquina com o Eixo Central Lázaro Cárdenas, no Centro Histórico da Cidade do México, foi inaugurado em 29 de setembro de 1934. O projeto começou em 1904 com o arquiteto italiano Adamo Boari, mas ficou interrompido por quase duas décadas — a construção só foi retomada e concluída entre 1932 e 1934 pelo arquiteto mexicano Federico Mariscal. Esse hiato explica a mistura de estilos do edifício: o exterior, em mármore, combina traços neoclássicos e art nouveau, enquanto o interior já é art déco.

O palácio funciona como galeria permanente do muralismo mexicano: abriga El hombre controlador del universo (1934), de Diego Rivera — a versão que ele repintou depois que o mural original foi destruído no Rockefeller Center, em Nova York —, La nueva democracia (1945), de David Alfaro Siqueiros, La Catarsis, de José Clemente Orozco, México de hoy e Nacimiento de la nacionalidad, de Rufino Tamayo, e Liberación (1963), de Jorge González Camarena. No teatro do edifício, uma cortina de cristal composta por 206 painéis e cerca de um milhão de peças de vidro opalescente, pesando por volta de 22 toneladas, retrata o Valle de México com os vulcões Popocatépetl e Iztaccíhuatl.

Museo Soumaya e Museo Anahuacalli: dois museus construídos por colecionadores obsessivos, em bairros opostos

O Museo Soumaya, em Plaza Carso, na Ampliación Granada, próximo a Polanco, foi inaugurado em 29 de março de 2011, projetado pelos arquitetos Fernando Romero e Mauricio Ceballos, do escritório FR-EE, com engenharia estrutural da Arup. A fachada é formada por 16 mil hexágonos de alumínio sustentados por 28 colunas curvas, num edifício de 17.000 m² erguido pela Fundación Carlos Slim. O acervo reúne cerca de 70 mil peças de arte americana e europeia de mais de trinta séculos, e inclui uma das coleções de esculturas de Auguste Rodin mais importantes fora da França.

Do outro lado da cidade, em San Pablo Tepetlapa, Coyoacán, o Museo Anahuacalli nasceu de um projeto pessoal de Diego Rivera: a partir de 1942, ele começou a erguer, com pedra vulcânica xalnene extraída da própria erupção do vulcão Xitle, um edifício de inspiração maia e tolteca para abrigar a coleção de arte pré-hispânica que vinha reunindo havia décadas. Rivera morreu em 1957 sem ver a obra concluída; ela foi terminada em 1963 por Juan O'Gorman, por Ruth Rivera Marín — filha do próprio Diego — e por Heriberto Pagelson, com apoio financeiro de Dolores Olmedo, e inaugurada em 18 de setembro de 1964. O museu guarda hoje cerca de 39 mil peças pré-hispânicas do acervo que Rivera reuniu — mais de 40 mil no ano de sua morte —, com cerca de 2 mil delas em exposição permanente.

O olhar do ateliê

O que eu vejo nesses dois extremos, como arquiteta

Nunca estive na Cidade do México, mas o contraste entre o Anahuacalli e o Soumaya é o tipo de decisão de projeto que reconheço de longe, porque ela se repete em toda obra que precisa escolher o que fica bruto e o que se torna acabamento. Diego Rivera construiu o Anahuacalli com pedra vulcânica tirada do mesmo terreno onde o edifício se ergue — a matéria não foi trazida de lugar nenhum, ela já estava ali, e o gesto do arquiteto foi só revelar essa pedra como estrutura e como pele ao mesmo tempo. O Soumaya faz o caminho oposto: 16 mil hexágonos de alumínio polido, produzidos e montados um a um, para que o edifício pareça líquido em movimento.

É a mesma decisão que enfrento em escala muito menor, com pigmento mineral, pó metálico e folha de ouro sobre a tela: decidir o que permanece com a textura crua da matéria bruta e o que recebe o gesto que transforma aquilo em superfície acabada. Nenhuma das duas escolhas é mais correta — são dois jeitos diferentes de fazer a matéria contar a própria história.

Perguntas frequentes

Quais são os principais museus de arte na Cidade do México?

Quatro se destacam por cobrirem propostas bem diferentes: o Museo Frida Kahlo (La Casa Azul), em Coyoacán, dedicado à vida e ao universo íntimo da artista; o Palacio de Bellas Artes, no Centro Histórico, que reúne os murais dos grandes muralistas mexicanos; o Museo Soumaya, em Plaza Carso, com a coleção particular de Carlos Slim de arte europeia e americana; e o Museo Anahuacalli, em Coyoacán, construído pelo próprio Diego Rivera para abrigar sua coleção de arte pré-hispânica.

O que ver no Museo Frida Kahlo (Casa Azul)?

A casa onde Frida Kahlo nasceu e viveu, hoje museu desde 1958, com um acervo que vai muito além da pintura: desenhos, documentos, mobiliário, objetos pessoais, vestuário, joias, cerca de 6.500 fotografias, mais de 450 exvotos e os corsés médicos e instrumentos de trabalho que a artista usou ao longo da vida.

Quais murais estão no Palacio de Bellas Artes?

O palácio abriga El hombre controlador del universo (1934), de Diego Rivera — a versão que ele repintou depois que o mural original foi destruído no Rockefeller Center —, La nueva democracia (1945), de David Alfaro Siqueiros, La Catarsis, de José Clemente Orozco, dois murais de Rufino Tamayo e Liberación (1963), de Jorge González Camarena.

O que diferencia o Museo Soumaya do Museo Anahuacalli?

Os dois nasceram da obsessão pessoal de um colecionador, mas em direções opostas: o Soumaya, de Carlos Slim, expõe cerca de 70 mil peças de arte europeia e americana — incluindo uma das principais coleções de esculturas de Rodin fora da França — num edifício revestido por 16 mil hexágonos de alumínio. Já o Anahuacalli, erguido pelo próprio Diego Rivera em pedra vulcânica, guarda cerca de 39 mil peças de arte pré-hispânica que ele reuniu ao longo da vida.

Vale a pena um roteiro de museus só na Cidade do México?

Vale, porque os quatro museus não se repetem: cobrem a vida de Frida Kahlo, o muralismo mexicano, uma coleção particular de arte europeia e um acervo pré-hispânico reunido por Diego Rivera — em quatro bairros diferentes da cidade. É um roteiro que rende ao menos dois ou três dias dedicados só a museus.

Da pedra bruta ao acabamento: uma decisão que também está nas nossas telas

Como o Anahuacalli e o Soumaya resolveram de formas opostas a mesma pergunta sobre matéria bruta e acabamento, o trabalho de Alyne Perfeito parte de pigmento mineral, pó metálico e folha de ouro para decidir o que fica cru e o que se transforma em gesto. Fale com o estúdio e conheça as obras disponíveis.

Obras disponíveis

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