Pintoras latino-americanas contemporâneas para conhecer
Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Rosana Paulino, Firelei Báez e María Berrío são pintoras latino-americanas em atividade hoje, com obra em museus como Tate, ICA Boston e Pinacoteca de São Paulo. Diferente de uma lista histórica, este panorama reúne trajetórias vivas — três brasileiras e duas artistas caribenha e colombiana radicadas em Nova York.
O que une estas cinco pintoras
Esta não é uma lista histórica nem um ranking de mercado — é um recorte editorial de cinco pintoras latino-americanas com obra documentada em museus e galerias, todas em atividade hoje. O critério é duplo: presença institucional verificável (coleção de museu, mostra recente, representação de galeria) e produção pictórica contínua, não uma carreira encerrada ou uma obra isolada. Três das cinco nasceram no Brasil; as outras duas nasceram na República Dominicana e na Colômbia e constroem carreira a partir de Nova York — um recorte que mostra a pintura latino-americana contemporânea como algo que se faz tanto dentro da região quanto na diáspora.
Beatriz Milhazes e Adriana Varejão — da Escola de Artes Visuais do Parque Lage ao mercado internacional
Beatriz Milhazes (n. 1960, Rio de Janeiro) desenvolveu um método próprio, o monotransfer: pinta sobre folhas de plástico, deixa secar e depois descola as formas para colar sobre a tela — técnica que sustenta seu vocabulário de cor saturada, padrão geométrico e motivo floral. Deu aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1986 e 1996 e teve uma retrospectiva de sua obra desde 1989 — "Avenida Paulista" — dividida entre o MASP e o Itaú Cultural em 2020-2021, com curadoria de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro (MASP) e Ivo Mesquita (Itaú Cultural). É representada pela Pace Gallery, pela Fortes D'Aloia & Gabriel, pela Galerie Max Hetzler e pela White Cube, com obra em coleções como MoMA, Guggenheim, Metropolitan Museum e Tate. Em 2012, sua pintura Meu Limão (2000) foi vendida por US$ 2,1 milhões em leilão da Sotheby's — o maior valor já pago em leilão por obra de uma artista brasileira viva até aquele momento.
Adriana Varejão (n. 1964, Rio de Janeiro) estudou na mesma Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 1983 e 1985, alguns anos antes de Milhazes começar a lecionar ali. Sua pintura parte dos azulejos portugueses coloniais e do barroco mineiro para construir superfícies que rompem — telas com rachaduras que expõem camadas de tinta em relevo, evocando violência e história colonial brasileira. É representada pela Gagosian, pela Victoria Miro e pela Fortes D'Aloia & Gabriel, e mantém um pavilhão permanente dedicado à sua obra no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, aberto em 2008.
Rosana Paulino — pintura, corpo negro e a história que faltava contar
Rosana Paulino (n. 1967, São Paulo) constrói sua obra no cruzamento entre pintura, bordado, gravura e fotografia, sempre voltada à experiência da mulher negra na sociedade brasileira. Em 2011, tornou-se a primeira mulher afro-brasileira a obter um doutorado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Em dezembro de 2018, a Pinacoteca de São Paulo abriu Rosana Paulino: A Costura da Memória, reunindo mais de 140 trabalhos produzidos entre 1993 e 2018 — a primeira retrospectiva individual de uma mulher negra na história da instituição, mais de cem anos depois de fundada. A obra Parede da memória (1994-2015), que integra a mostra, faz parte do acervo permanente da Pinacoteca. Hoje seu trabalho também está em coleções como Centre Pompidou, MoMA, Harvard Art Museums e Studio Museum in Harlem.
Firelei Báez e María Berrío — diáspora, migração e pintura como arquivo
Firelei Báez nasceu em 1981 em Santiago de los Caballeros, República Dominicana, formou-se na Cooper Union em 2004 e concluiu o mestrado na Hunter College em 2011. Sua pintura revisita narrativas coloniais da bacia do Atlântico e a diáspora africana no Caribe, em composições densamente estratificadas. Em abril de 2024, o ICA/Boston abriu a primeira retrospectiva em museu norte-americano dedicada à artista, reunindo 40 obras de quase duas décadas de produção — mostra que depois itinerou para a Vancouver Art Gallery e para o Des Moines Art Center.
María Berrío nasceu em 1982 em Bogotá e mudou-se para Nova York aos 18 anos, onde se formou na Parsons School of Design e concluiu o mestrado na School of Visual Arts. Constrói suas composições de grande escala recortando e rasgando papel japonês em camadas, finalizadas a aquarela — cenas que revisitam memórias de infância na fazenda da família, nos arredores de Bogotá, e temas de migração e deslocamento. É representada pela Victoria Miro, em Londres e Veneza, e pela Hauser & Wirth, em Nova York, com obra em coleções como o Brooklyn Museum, o Crystal Bridges Museum of American Art, o Dallas Museum of Art e a Albertina, em Viena.
Onde ver o trabalho dessas artistas hoje
Nenhuma das cinco depende de um único endereço fixo — a obra circula entre museu e galeria, o que também é o jeito mais confiável de acompanhar quem está em início de trajetória. A mostra de Firelei Báez segue em itinerância até 2025; a Pinacoteca de São Paulo mantém Parede da memória, de Rosana Paulino, em seu acervo permanente; o MASP e o Itaú Cultural documentam a retrospectiva de Beatriz Milhazes em seus próprios sites; e as salas de visualização on-line da Victoria Miro e da Gagosian publicam o que entra e sai de exposição em tempo real, sem precisar estar em Londres ou Nova York. É o mesmo princípio que vale para qualquer artista em construção de carreira, incluindo uma que trabalha em Brasília: seguir o calendário de mostras da galeria ou do próprio ateliê é mais confiável do que esperar cobertura de imprensa.
O olhar do ateliê
O que essas cinco me ensinam sobre construir cor em camadas
Não me coloco ao lado dessas cinco pintoras em trajetória — Milhazes tem quarenta anos de carreira e um recorde de leilão; Varejão, um pavilhão próprio num dos institutos de arte mais importantes do país; Paulino levou vinte e cinco anos até a Pinacoteca abrir espaço para sua primeira retrospectiva. O que reconheço, como pintora brasileira em início de trajetória e arquiteta de formação, é um procedimento que se repete nelas de formas diferentes: construir a cor em camada, não de uma vez. Em Vibrant Awakening, trabalhei gestos amplos e camadas translúcidas de vermelho, azul, verde e amarelo até a tinta parecer respirar — sem transferência de plástico como Milhazes, sem ruptura de relevo como Varejão, mas com a mesma aposta de que a cor sozinha, em camada sobre camada, carrega mais do que qualquer explicação sobre a obra.
Perguntas frequentes
Quais pintoras latino-americanas contemporâneas têm maior projeção internacional hoje?
Entre as cinco desta lista, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão têm o histórico institucional mais longo: Milhazes vendeu uma pintura por US$ 2,1 milhões em leilão da Sotheby's em 2012 e é representada pela Pace Gallery; Varejão é representada pela Gagosian e mantém um pavilhão permanente no Instituto Inhotim. Firelei Báez ganhou visibilidade recente com a primeira retrospectiva em museu norte-americano dedicada a ela, aberta no ICA/Boston em 2024, e María Berrío passou a ser representada também pela Hauser & Wirth, ao lado da Victoria Miro.
O que diferencia a produção latino-americana atual da europeia/americana?
Nestas cinco trajetórias, um tema recorrente é a revisão de história — não abstração pela abstração. Varejão parte dos azulejos coloniais portugueses e do barroco mineiro; Paulino usa bordado e sutura para tratar da história da mulher negra no Brasil; Báez revisita narrativas coloniais da bacia do Atlântico e a diáspora africana no Caribe; Berrío pinta deslocamento e migração a partir da própria história colombiana. É um traço que aparece com menos frequência na pintura abstrata europeia ou norte-americana do mesmo período.
Existem coletivas ou espaços que dão visibilidade a essas artistas?
Não há um coletivo formal reunindo as cinco — a visibilidade vem de instituição individual. O ICA/Boston abriu em 2024 a primeira retrospectiva de museu dedicada a Firelei Báez, depois itinerante para a Vancouver Art Gallery e o Des Moines Art Center; o MASP e o Itaú Cultural dividiram a retrospectiva de Beatriz Milhazes em 2020-2021; a Pinacoteca de São Paulo mantém obra de Rosana Paulino em seu acervo permanente desde 2016; e a Victoria Miro publica salas de visualização on-line para acompanhar María Berrío à distância.
Como acompanhar o trabalho de artistas emergentes da região?
O caminho mais direto é acompanhar os canais oficiais de museus e galerias, não a imprensa generalista: páginas de exposição de instituições como o ICA/Boston, a Pinacoteca de São Paulo e o MASP, e salas de visualização on-line de galerias como Victoria Miro, Pace e Gagosian. Mostras itinerantes, como a de Firelei Báez, seguem calendário público — a dela passa pela Vancouver Art Gallery e pelo Des Moines Art Center até 2025. Para artistas em início de carreira sem galeria internacional, o site e as redes do próprio ateliê costumam ser a fonte mais atualizada.
Há pintoras brasileiras nessa cena latino-americana?
Sim — três das cinco pintoras desta lista são brasileiras: Beatriz Milhazes (Rio de Janeiro, 1960), Adriana Varejão (Rio de Janeiro, 1964) e Rosana Paulino (São Paulo, 1967). Alyne Perfeito, do Perfeito Studio, em Brasília, também é pintora brasileira contemporânea em atividade — numa etapa diferente de carreira, sem retrospectiva de museu ou galeria internacional, mas trabalhando a mesma pergunta sobre cor e camada que atravessa esta lista.
Fontes
- Tate — 2026-08-08
- Tate — 2026-08-08
- Wikipedia — 2026-08-08
- The Art Newspaper — 2026-08-08
- Newcity Brazil — 2026-08-08
- Wikipedia — 2026-08-08
- Wikipedia — 2026-08-08
- Newcity Brazil — 2026-08-08
- Institute of Contemporary Art/Boston (ICA Boston) — 2026-08-08
- Wikipedia — 2026-08-08
- Perfeito Studio — fonte interna do acervo — 2026-08-08
Cor construída em camada, como nessas cinco trajetórias
Vibrant Awakening nasce do mesmo impulso que atravessa este panorama — cor em movimento, camada sobre camada. Fale com o ateliê para fotos de perto e vídeo da textura com luz natural.
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