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Artistas parecidos com Beatriz Milhazes: o que procurar

Não existe uma "nova Beatriz Milhazes" — o que existe é um procedimento reconhecível: cor saturada aplicada em camadas, colagem de motivos e uma tensão controlada entre padrão geométrico e gesto orgânico. Para achar artistas com linguagem próxima, procure por esse método de trabalho, não por quem repete o nome dela.

Banho de Rio, de Beatriz Milhazes, 2017 — Tate, Londres (fonte: tate.org.uk)
Beatriz Milhazes, Banho de Rio, 2017 — obra na coleção da Tate (Tate Modern, Londres), referência T15281. Banho de Rio, Beatriz Milhazes (viva). Tate, Londres. Fonte: tate.org.uk. Direitos reservados à artista — © Beatriz Milhazes.

O que caracteriza a pintura de Beatriz Milhazes

Beatriz Milhazes (nascida em 1960, no Rio de Janeiro) estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1980 e 1983, e depois lecionou lá de 1986 a 1996. Desde 1989 ela trabalha com uma técnica própria, a monotransferência: pinta os motivos sobre uma folha de plástico transparente e, já secos, transfere-os para a tela — um processo que nasce da lógica da colagem, mas se resolve como pintura, sem pincelada visível na superfície final.

O resultado são telas de grande escala em acrílica, com incidência de tinta metálica, nas quais padrões geométricos, arabescos e formas orgânicas — flores, ondas, círculos — se sobrepõem em camadas densas. O MASP (Museu de Arte de São Paulo) descreve Milhazes como artista central "no panorama da pintura internacional e na história recente da abstração".

A referência ao Brasil não é decorativa: segundo a Tate, a artista incorpora a arquitetura barroca colonial e a cultura vernacular brasileira à composição — paisagem carioca, ornamento popular — sem abandonar o vocabulário abstrato internacional que domina.

O procedimento, não o nome: o que procurar em outro artista

Quem gosta de Milhazes costuma reagir a um conjunto específico de decisões, não a uma assinatura: cor saturada aplicada em camadas sobrepostas; construção por colagem — mesmo quando o resultado final é pintura lisa, sem textura de pincel; e uma tensão controlada entre padrão repetitivo (o ornamento, a grade, o arabesco) e o gesto que rompe essa grade.

Procurar "a nova Milhazes" é o caminho errado — ela é irrepetível, e comparação de estatura não ajuda ninguém a decidir uma aquisição. O caminho útil é procurar esse procedimento: como o artista constrói a camada, como resolve a cor, como negocia entre repetição e ruptura. É isso que aparece, em grau e contexto diferentes, em qualquer pintor que trabalhe seriamente com cor e camada.

As referências da própria Milhazes: um mapa mais confiável que uma lista de "sucessores"

Uma forma mais honesta de mapear esse território é olhar para quem a própria Milhazes cita como referência. Segundo o MASP, sua pesquisa dialoga com Tarsila do Amaral (a cor tropical e o motivo popular na pintura brasileira), Sonia Delaunay (o ritmo cromático e o padrão têxtil aplicado à pintura), Bridget Riley (a vibração óptica de padrões geométricos) e Ione Saldanha (a cor-luz na pintura brasileira do século XX).

Nenhuma dessas artistas é "parecida" com Milhazes no sentido de imitação — são interlocutoras de um mesmo problema: o que a cor faz quando é organizada em camada e repetição. É esse problema, não o nome de nenhuma delas, que orienta quem está procurando um artista com linguagem próxima.

Abstração com motivo reconhecível: nem geometria pura, nem figuração

Milhazes não é uma pintora figurativa no sentido tradicional, mas também não pratica abstração geométrica pura. O MASP situa o trabalho dela "na história recente da abstração"; ao mesmo tempo, a Tate descreve composições povoadas por formas reconhecíveis — flores abstraídas, ondas, círculos, estrelas — que nunca chegam a representar uma cena específica. É uma abstração que conserva vocabulário do mundo natural e ornamental sem descrever nada literalmente.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

No ateliê, a gente sente na pele a diferença entre construir uma cor por camada e simplesmente misturar tinta até acertar o tom. Prism Garden, da série Luminous Rebirth, nasceu assim: cada passada de acrílica ficou por baixo da próxima, e o que se vê na superfície final é o resultado de decisões que já não estão mais visíveis — só o efeito delas. Não estou comparando escala de carreira com a de Milhazes — estou em início de trajetória, vendendo direto do ateliê, sem galeria. Mas o problema de construir cor em camada é o mesmo problema, resolvido com outro vocabulário: o meu vem da arquitetura, não da colagem.

Perguntas frequentes

O que caracteriza a pintura de Beatriz Milhazes?

A pintura de Milhazes usa uma técnica própria chamada monotransferência, criada por ela em 1989: os motivos são pintados sobre uma folha de plástico e depois transferidos para a tela, o que produz uma superfície lisa sem pincelada visível, como se fosse colagem resolvida em pintura. As composições combinam padrões geométricos, arabescos e formas orgânicas — flores, ondas, círculos — em cor saturada, com referência à arquitetura barroca colonial e à cultura popular brasileira, segundo a Tate.

Que outros artistas brasileiros trabalham com cor e camada de forma parecida?

Não existe uma lista oficial de "sucessores". Um caminho mais confiável é olhar para quem a própria Milhazes cita como referência: segundo o MASP, seu trabalho dialoga com Tarsila do Amaral, Sonia Delaunay, Bridget Riley e Ione Saldanha — artistas que também tratam cor, padrão e camada como problema central, cada uma em contexto e período diferentes. Isso importa mais do que procurar quem "parece" com ela.

Beatriz Milhazes é abstrata ou figurativa?

É abstrata, mas não geometricamente pura. O MASP situa a obra dela na história recente da abstração; ao mesmo tempo, suas telas contêm formas reconhecíveis do mundo natural e ornamental — flores, ondas, círculos — organizadas sem descrever nenhuma cena específica, segundo a Tate. É uma abstração que preserva vocabulário figurativo sem se tornar representação.

Existem artistas emergentes com influência de Milhazes?

Não há uma fonte institucional que atribua formalmente essa influência a nomes específicos, então não vamos inventar uma lista. O que existe, de forma verificável, é a posição central de Milhazes na abstração brasileira contemporânea, segundo o MASP — o que naturalmente molda quem vem depois. Para acompanhar esse território agora, o critério mais útil continua sendo o procedimento (cor, camada, colagem), não a alegação de linhagem.

Onde ver obras de Beatriz Milhazes hoje?

Obras dela integram acervos institucionais como o Metropolitan Museum of Art, em Nova York (a tela The Beach/A Praia, de 1997), e a Tate, em Londres (Banho de Rio, de 2017, em exibição na Tate Modern). No Brasil, o MASP exibiu a mostra Avenida Paulista, com pinturas de grande escala, e a Pinacoteca de São Paulo está com 27 gravuras do acervo, produzidas entre 1996 e 2019, em cartaz até março de 2027. A programação muda; vale checar o site de cada instituição antes de visitar.

Fontes

  1. Instituto/site oficial de Beatriz Milhazes — 2026-08-07
  2. Tate — 2026-08-07
  3. MASP — Museu de Arte de São Paulo — 2026-08-07
  4. Tate — 2026-08-07
  5. The Metropolitan Museum of Art — 2026-08-07
  6. Pinacoteca de São Paulo — 2026-08-07

Cor construída em camada, vista de perto

Prism Garden, da série Luminous Rebirth, está disponível para aquisição direta com o ateliê — sem intermediário de galeria.

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Obras disponíveis

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