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O que foi o suprematismo

O suprematismo foi o movimento de abstração geométrica fundado pelo pintor russo Kazimir Malevich, apresentado publicamente em dezembro de 1915 na exposição 0,10, em Petrogrado. Sua obra-símbolo é o Quadrado Negro: um quadrado preto sólido sobre fundo branco, reduzindo a pintura a forma pura e sentimento, sem qualquer referência ao mundo visível.

Quadrado Negro Suprematista (1915), óleo sobre linho, de Kazimir Malevich — Galeria Tretyakov, Moscou (domínio público)
Quadrado Negro Suprematista, Kazimir Malevich (1879–1935). Galeria Tretyakov, Moscou. Domínio público. Fonte: Wikimedia Commons.

O que definia o suprematismo

Kazimir Malevich desenvolveu o suprematismo a partir de 1913, segundo o verbete oficial da Tate, como uma abstração baseada em formas geométricas elementares — círculos, quadrados, linhas e retângulos — pintadas numa paleta limitada de cores e dispostas, tipicamente, flutuando sobre um fundo branco. O nome não é acidental: para Malevich, a pintura devia expressar a supremacia do sentimento puro sobre qualquer descrição do mundo visível.

O objetivo declarado era libertar a arte do que ele chamava de "peso morto do mundo real". Isso significava abandonar perspectiva, volume e qualquer resquício de figura reconhecível — a composição passava a valer por si mesma, como sensação de cor e forma no espaço, não como representação de nada.

A exposição 0,10 e o Quadrado Negro

O suprematismo teve sua apresentação pública em 19 de dezembro de 1915, na Última Exposição Futurista de Quadros 0,10, em Petrogrado — hoje São Petersburgo. Malevich exibiu 39 pinturas abstratas e publicou o manifesto que acompanhava a mostra, "Do Cubismo ao Suprematismo na Arte, ao Novo Realismo na Pintura, à Criação Absoluta".

A peça central da exposição foi o Quadrado Negro Suprematista: um quadrado preto sólido sobre fundo branco, óleo sobre linho, 79,5 × 79,5 cm, hoje na Galeria Tretyakov, em Moscou. Malevich a pendurou no canto superior da sala — o lugar reservado, na tradição doméstica russa ortodoxa, para os ícones religiosos. Era uma declaração deliberada: aquele quadrado ocupava o lugar do sagrado, marcando o que ele considerou uma ruptura definitiva com a pintura representacional.

Quem foi Kazimir Malevich

Kazimir Malevich nasceu em 23 de fevereiro de 1879, em Kiev, então parte do Império Russo (a atual Kiev, na Ucrânia), e morreu em 15 de maio de 1935. Chegou ao suprematismo depois de passar pelo cubismo e pelo futurismo — movimentos europeus que já fragmentavam a figura —, dando o passo seguinte: eliminar a figura por completo.

É esse percurso que o próprio título do manifesto de 1915 descreve: do cubismo ao suprematismo, passando por um "novo realismo" que já não tinha nada de figurativo. Malevich seguiu desenvolvendo o vocabulário suprematista — quadrados, círculos, cruzes, composições dinâmicas — ao longo da década seguinte, consolidando o suprematismo como um dos marcos centrais da vanguarda russa do início do século XX.

Suprematismo x construtivismo russo

Suprematismo e construtivismo nasceram quase juntos na Rússia revolucionária, mas perseguiam objetivos opostos. Segundo a Tate, o construtivismo foi formulado por Vladímir Tátlin e Aleksandr Ródtchenko por volta de 1915, consolidando-se como identidade de grupo a partir de 1921. Sua premissa era que "a formação material do objeto substitui a combinação estética" — a arte devia funcionar como os produtos do mundo industrial, útil e organizada como um carro ou um avião, não apenas contemplada.

O suprematismo de Malevich seguia o caminho inverso: buscava o sentimento puro, desligado de qualquer função prática ou material. É a diferença de fundo entre os dois movimentos — de um lado, a busca espiritual e contemplativa da forma pura; do outro, o compromisso com a utilidade e a organização material do objeto.

O suprematismo e o Brasil

O suprematismo não teve um capítulo brasileiro direto, mas aparece citado pelo nome na origem do neoconcretismo — o movimento carioca que reagiu ao concretismo paulista em 1959. No Manifesto Neoconcreto, o poeta e crítico Ferreira Gullar escreveu que o grupo usava o termo "neoconcreto" para se diferenciar dos comprometidos com a arte "geométrica" não-figurativa — citando explicitamente o neoplasticismo, o construtivismo, o suprematismo e a Escola de Ulm.

Gullar reagia ao que via como racionalismo excessivo dessas correntes geométricas europeias, propondo em seu lugar uma abstração mais expressiva e sensorial. Ou seja: o suprematismo entra na história da arte brasileira como referência nomeada e, ao mesmo tempo, como aquilo de que o neoconcretismo queria se afastar — não como modelo a seguir, mas como parte do repertório contra o qual os artistas cariocas mediram sua própria proposta.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

O suprematismo pedia a forma mais reduzida possível: um quadrado, plano, opaco, sem textura que distraia do sentimento puro. É quase o oposto do que acontece na série Black & Gold. Em Celestial Plan, o preto não é um plano fechado — é uma superfície que respira, cheia de texturas concêntricas onde a massa foi trabalhada antes de a folha de ouro pousar sobre ela em fragmentos, quase como constelações espalhadas sobre a escuridão. Malevich queria eliminar a matéria da equação; aqui, é a matéria — a espessura da massa, o brilho irregular do ouro — que carrega o sentimento.

A formação da Alyne em arquitetura explica por que ela dialoga com essa história sem repeti-la: ela entende a disciplina que está por trás de reduzir uma composição a poucos elementos, mas escolhe construir presença pelo relevo e pelo material, não pela ausência deles. Golden Passage, também da série, segue a mesma lógica — o contraste entre preto profundo e ouro não é um exercício de geometria pura, é uma passagem física, algo que se sente ao aproximar o olhar da tela, não só ao olhar de longe.

Perguntas frequentes

O que foi o suprematismo?

O suprematismo foi o movimento de abstração geométrica fundado pelo pintor russo Kazimir Malevich, apresentado publicamente em 19 de dezembro de 1915 na exposição 0,10, em Petrogrado. Segundo a Tate, caracterizava-se por formas geométricas elementares — círculos, quadrados, linhas e retângulos — numa paleta limitada, buscando o que Malevich chamava de supremacia do sentimento puro sobre a representação do mundo visível. Sua obra mais associada ao movimento é o Quadrado Negro.

Quem fundou o suprematismo?

O suprematismo foi fundado pelo pintor russo Kazimir Malevich (1879-1935), nascido em Kiev, então parte do Império Russo. Ele desenvolveu o movimento a partir de 1913 e o apresentou publicamente em dezembro de 1915, acompanhado de manifesto próprio. Malevich já havia passado pelo cubismo e pelo futurismo antes de eliminar por completo a referência ao mundo visível em suas composições, dando origem ao vocabulário geométrico que assinou como suprematista.

Qual a obra mais famosa do suprematismo?

É o Quadrado Negro Suprematista, de 1915: um quadrado preto sólido sobre fundo branco, óleo sobre linho, 79,5 × 79,5 cm, hoje na Galeria Tretyakov, em Moscou. Malevich a apresentou na exposição 0,10, em Petrogrado, pendurada no canto superior da sala — o lugar tradicionalmente reservado, na casa russa ortodoxa, para os ícones religiosos. A obra é considerada o marco visual da ruptura suprematista com a pintura representacional.

Qual a diferença entre suprematismo e construtivismo russo?

Os dois nasceram quase juntos na Rússia revolucionária, mas com objetivos opostos. Segundo a Tate, o construtivismo — formulado por Vladímir Tátlin e Aleksandr Ródtchenko por volta de 1915 — defendia que a arte devia ter função material e utilitária, próxima da lógica industrial. O suprematismo de Malevich buscava o oposto: o sentimento puro, desligado de qualquer utilidade prática, tratando a forma geométrica como experiência espiritual e contemplativa, não como objeto funcional.

O suprematismo influenciou artistas brasileiros?

De forma indireta e por oposição, sim. No Manifesto Neoconcreto de 1959, Ferreira Gullar citou nominalmente o suprematismo — junto do neoplasticismo, do construtivismo e da Escola de Ulm — como uma das correntes geométricas europeias das quais o neoconcretismo brasileiro queria se diferenciar, por seu racionalismo excessivo. Não há registro de artista brasileiro que se declarasse suprematista; a relação é de diálogo crítico, não de adesão ao movimento.

Fontes

  1. Tate — 2026-08-16
  2. Wikipedia (EN) — Kazimir Malevich — 2026-08-16
  3. Wikimedia Commons — 2026-08-16
  4. Tate — 2026-08-16
  5. Portal Lygia Clark (texto integral do Manifesto Neoconcreto, 1959) — 2026-08-16

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