O que foi o informalismo na pintura
O que foi o informalismo, e de onde vem o nome
O termo tem origem crítica, não geográfica única. O historiador e crítico francês Michel Tapié usou pela primeira vez a expressão art informel numa exposição de 1951 dedicada às tendências extremas da pintura não figurativa, e no ano seguinte cunhou art autre ("arte outra") no livro homônimo sobre a arte abstrata não geométrica. A partir desse vocabulário crítico, o informalismo passou a nomear um movimento pictórico mais amplo: "um movimento pictórico que abrange todas as tendências abstratas e gestuais desenvolvidas na França e o restante da Europa depois da Segunda Guerra Mundial", em paralelo ao expressionismo abstrato norte-americano.
Dentro desse guarda-chuva convivem correntes distintas — abstração lírica, pintura matérica, a nova escola de Paris, o tachismo, o espacialismo e a art brut —, todas unidas por uma recusa: a de que a pintura precisasse representar algo reconhecível. O que substitui a forma é o gesto do corpo, a espessura do material e o acaso controlado da execução.
Tàpies e a pintura matérica: o informalismo na Espanha
Na Espanha, o informalismo teve em Antoni Tàpies (Barcelona, 1923–2012) seu nome mais citado. Ao lado de Antonio Saura, José Guerrero e Esteban Vicente, Tàpies integra o grupo que o Museo Reina Sofía identifica como os quatro representantes centrais do informalismo espanhol — Saura e Tàpies permaneceram na península, enquanto Guerrero e Vicente se mudaram para os Estados Unidos e passaram a dialogar com a Escola de Nova York. Segundo o próprio museu, essa vertente peninsular oferece traços gestuais e matéricos, resolvidos por um cromatismo restrito a brancos, pretos e terras, e se tornou a corrente dominante da pintura espanhola ao longo da década de 1960.
A partir do início dos anos 1950, Tàpies atravessou um longo período de experimentação com a matéria, incorporando à pintura materiais alheios à prática artística tradicional — pó de mármore, cimento — até construir superfícies que lembram muros, marcadas por incisões, sulcos e impressões. É o caso de Marrón con huellas de dedos laterales Nº LXIII (1958), técnica mista sobre tela, 195 × 150 cm, que integra o acervo do Reina Sofía sob o número de inventário AD04034 desde sua aquisição em 2005: uma superfície onde a marca do próprio dedo do artista substitui qualquer figura reconhecível.
As principais correntes dentro do informalismo
O informalismo não é uma escola única, mas um campo de correntes próximas:
- Abstração lírica — gesto livre, cor solta, sem programa geométrico.
- Pintura matérica — o relevo e a espessura do material como conteúdo da obra, a linha em que Tàpies trabalha.
- Nova escola de Paris — o polo francês que deu nome ao movimento pelo vocabulário de Tapié.
- Tachismo — mancha e respingo como unidade construtiva da pintura.
- Espacialismo — a tela rompida, cortada ou perfurada como gesto sobre o próprio suporte.
- Art brut — a arte feita à margem do circuito formal, valorizada pela espontaneidade não treinada.
O que une essas correntes não é um estilo comum, mas a mesma recusa: a de que pintar seja, antes de tudo, representar.
Informalismo x expressionismo abstrato: parentesco, não sinônimo
Informalismo e expressionismo abstrato nasceram no mesmo momento histórico e compartilham o gesto como linguagem, mas não são sinônimos. O expressionismo abstrato se consolidou nos Estados Unidos, sobretudo em Nova York, enquanto o informalismo se desenvolveu na França e no restante da Europa "em paralelo" a ele — segundo o mesmo verbete que documenta o movimento, os dois surgiram lado a lado, com genealogias críticas distintas.
A diferença fica mais nítida no caso espanhol: Guerrero e Vicente, ao emigrarem para os Estados Unidos, passaram a dialogar diretamente com a Escola de Nova York, enquanto Saura e Tàpies, permanecendo na Espanha, deram ao informalismo local um caráter mais matérico e contido — cromatismo restrito, gesto disciplinado pela textura do material, e não pela extensão do campo pictórico como em boa parte do expressionismo abstrato americano.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê
No ateliê, a pasta de textura que usamos para esculpir relevo — uma emulsão de polímero acrílico com pó de mármore como carga sólida, aplicada com espátula antes da cor entrar — não nasceu do informalismo, mas conversa com a mesma ideia que Tàpies levou ao extremo: a de que a superfície matérica pode ser o próprio assunto da pintura, não uma decoração sobre ele. Em Silent Interval, da série Matter & Silence, esse princípio aparece na forma mais contida do acervo — um único gesto escuro que desce sobre um campo de branco-osso, apoiado num fundo texturizado, trabalhado e riscado antes de qualquer traço entrar. Nada é corrigido depois: o relevo registra o movimento da espátula do mesmo jeito que a superfície de Tàpies registra a marca do dedo — o material guardando o gesto que o formou.

Perguntas frequentes
Informalismo é o mesmo que expressionismo abstrato?
Não, mas são movimentos irmãos. O expressionismo abstrato se consolidou nos Estados Unidos, sobretudo em Nova York, no mesmo período pós-guerra em que o informalismo se desenvolvia na França e no restante da Europa — os dois nasceram em paralelo, com o gesto como linguagem comum. A diferença está na origem crítica e geográfica: o informalismo carrega o vocabulário de Michel Tapié e correntes próprias, como a pintura matérica e o tachismo, enquanto o expressionismo abstrato tem genealogia americana distinta, ligada a nomes como Pollock e Rothko.
Quem foram os principais artistas do informalismo?
Na Espanha, o Museo Reina Sofía aponta Antonio Saura, Antoni Tàpies, José Guerrero e Esteban Vicente como os quatro representantes centrais do informalismo espanhol — Saura e Tàpies permaneceram na península, enquanto Guerrero e Vicente se mudaram para os Estados Unidos e passaram a dialogar com a Escola de Nova York. Tàpies (1923–2012) é hoje o nome mais associado à pintura matérica dentro do informalismo espanhol, com 38 obras catalogadas no próprio acervo do Reina Sofía.
Por que o informalismo usa tanta textura física?
Porque o movimento troca a representação da realidade pela presença física da matéria. No informalismo espanhol, segundo o Museo Reina Sofía, o resultado são traços gestuais e matéricos resolvidos numa paleta restrita a brancos, pretos e terras — a textura não ilustra um objeto, ela é o próprio objeto da pintura. Tàpies levou isso ao extremo ao incorporar pó de mármore e cimento à tinta, construindo superfícies que lembram muros, marcadas como se guardassem a passagem do tempo e do próprio corpo do artista.
O informalismo surgiu em que país?
O termo nasceu na França: o crítico Michel Tapié usou a expressão "art informel" numa exposição de 1951 sobre as tendências extremas da pintura não figurativa, e cunhou "art autre" no livro homônimo de 1952. Como movimento, porém, não ficou preso à França — se espalhou pela Europa do pós-guerra, com uma corrente espanhola forte que reuniu Tàpies, Saura, Guerrero e Vicente e que se tornou a corrente dominante da pintura espanhola ao longo da década de 1960.
O informalismo tem relação com a pintura texturizada contemporânea?
Tem, no princípio, ainda que sejam linguagens de décadas e contextos diferentes. O informalismo consagrou a ideia de que a superfície matérica — pasta, relevo, marca de ferramenta — pode ser o próprio conteúdo da obra, não só um efeito visual sobre ela. É essa mesma lógica que sustenta parte da pintura texturizada contemporânea, incluindo a prática do Perfeito Studio: pasta de textura à base de polímero acrílico e pó de mármore, esculpida com espátula antes da cor, como se vê em obras como Silent Interval, da série Matter & Silence.
Fontes
- Wikipédia, verbete "Arte informal" — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (nota de imprensa: "Dentro y fuera") — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (página do artista) — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (catálogo da coleção) — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (página do artista) — 2026-08-03
Quer ver de perto uma textura que dialoga com o informalismo?
Silent Interval, da série Matter & Silence, leva ao relevo esculpido e ao gesto contido a mesma lógica matérica que atravessa o informalismo europeu. Fale com o ateliê para fotos de detalhe em alta resolução.
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