Qual é o recorde de leilão de arte brasileira
O recorde de leilão de arte brasileira é A Caipirinha (1923), de Tarsila do Amaral, arrematada por R$ 57,5 milhões (cerca de US$ 11,2 milhões) na Bolsa de Arte de São Paulo, em 17 de dezembro de 2020. A venda ocorreu por determinação judicial e superou em dez vezes o recorde brasileiro anterior.
A Caipirinha, de Tarsila do Amaral: a obra e o recorde de R$ 57,5 milhões
A obra que detém o recorde é A Caipirinha (1923), óleo sobre tela de 64 × 81 cm, pintada por Tarsila do Amaral durante uma temporada na França, um ano depois da Semana de Arte Moderna de 1922. A tela ficou em exposição na sede da Bolsa de Arte, em São Paulo, entre os dias 8 e 17 de dezembro de 2020, e foi a leilão às 20h (horário de Brasília) do dia 17 de dezembro. O pregão durou 15 minutos e 19 segundos, com 19 lances, até fechar em R$ 57,5 milhões — arrematada por um colecionador brasileiro cuja identidade não foi divulgada; a expectativa, segundo a reportagem da época, era de que a obra permanecesse no país.
Por que a obra foi a leilão: o contexto judicial
A venda não partiu de um colecionador que decidiu se desfazer da peça — foi determinada pela Justiça. A Caipirinha pertencia ao empresário Salim Taufic Schahin, cujo grupo empresarial faliu em 2018; treze bancos credores moveram ação para sequestrar bens do empresário, e o quadro foi um dos ativos penhorados para tentar cobrir parte das dívidas. Todo o valor obtido com a venda ficou depositado em juízo, à espera do julgamento dos recursos da família.
Um desses recursos foi movido pelo filho do empresário, Carlos Eduardo Schahin, que tentou impedir o leilão alegando ter comprado a obra do pai em 2012 por R$ 240 mil, com uma cláusula que garantia ao vendedor o direito de ficar com o quadro em vida. Em abril de 2021, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou por unanimidade esse recurso e manteve o leilão já realizado, por entender que o contrato de 2012 era simulado — nenhuma das obrigações nele previstas chegou a ser cumprida.
O recorde anterior, e o salto de dez vezes
Antes de A Caipirinha, o maior valor já pago por uma obra de arte em leilão público no Brasil era de R$ 5,7 milhões, pagos em 2015 por Vaso de Flores, do pintor mineiro Alberto da Veiga Guignard (1896–1962). O recorde de Tarsila multiplicou esse valor por dez em cinco anos — um salto que reflete tanto a magnitude da obra, pintada em plena efervescência do modernismo brasileiro dos anos 1920, quanto o caráter forçado da venda, que colocou no mercado uma peça que dificilmente estaria disponível em condições normais.
Recorde brasileiro x recorde mundial: escalas que não se comparam
Os R$ 57,5 milhões de A Caipirinha equivalem a cerca de US$ 11,2 milhões na cotação de dezembro de 2020. É uma fração pequena diante do recorde mundial de leilão de arte: os US$ 450,3 milhões pagos pelo Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, na Christie's de Nova York, em 15 de novembro de 2017 — cerca de 40 vezes o valor do recorde brasileiro. A diferença não mede o valor artístico de Tarsila diante de Leonardo; mede o tamanho e a liquidez de dois mercados de leilão muito diferentes — um com séculos de casas centenárias e compradores globais, outro ainda concentrado em poucas praças e leiloeiras nacionais.
O recorde entre artistas brasileiros vivos: outra ordem de grandeza
Nenhum dos dois recordes acima envolve um artista ainda em atividade — Tarsila morreu em 1973, Leonardo no século XVI. Entre artistas brasileiros vivos, o maior valor já pago em leilão público pertence a Beatriz Milhazes: sua tela Meu Limão (2000) foi arrematada por cerca de US$ 2,1 milhões (lance de US$ 1,8 milhão mais comissão) no pregão Contemporary Art Day Sale da Sotheby's, em Nova York, em 14 de novembro de 2012 — mais que o dobro da estimativa de US$ 700 mil a 900 mil. É outra escala inteira: menos de 1% do valor do Salvator Mundi, e cerca de um quinto do recorde histórico brasileiro de Tarsila.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê
Recordes como o de A Caipirinha dizem respeito a um mercado secundário — obras que já circularam décadas, com procedência, disputa judicial e, muitas vezes, um nome consagrado por museus e livros de história da arte. Não é o mercado em que estou: vendo obra nova, direto do ateliê, para quem está formando uma coleção ou comprando a primeira peça significativa. Não prometo que uma tela minha vai repetir esse tipo de trajetória — seria desonesto dizer isso sobre qualquer artista em início de carreira.
O que ofereço é outra coisa, e que tem valor por si: aquisição sem intermediário, preço fixo e conhecido antes da compra, sem disputa de lance, e documentação completa desde o primeiro dia — Certificado de Autenticidade assinado, Archive ID interno, Termo de Aquisição. Quem compra uma obra minha hoje não vai precisar, daqui a dez anos, provar em juízo que a compra foi real: o registro já nasce completo.
Perguntas frequentes
Qual é a obra de arte brasileira mais cara já vendida em leilão?
É A Caipirinha (1923), de Tarsila do Amaral, arrematada por R$ 57,5 milhões (cerca de US$ 11,2 milhões) na Bolsa de Arte de São Paulo, em 17 de dezembro de 2020, após um pregão de 15 minutos e 19 lances. A venda foi determinada pela Justiça, dentro de uma execução movida por bancos credores contra o empresário dono da obra, e superou em dez vezes o recorde brasileiro anterior, os R$ 5,7 milhões pagos por um quadro de Alberto da Veiga Guignard em 2015.
Quem detém o recorde entre artistas brasileiros vivos?
É Beatriz Milhazes. Sua tela Meu Limão (2000) foi arrematada por cerca de US$ 2,1 milhões no pregão Contemporary Art Day Sale da Sotheby's, em Nova York, em 14 de novembro de 2012 — mais que o dobro da estimativa inicial de US$ 700 mil a 900 mil. É um valor bem menor que o recorde histórico de Tarsila do Amaral, mas segue sendo, segundo os registros consultados, o maior já pago em leilão público por uma obra de artista brasileiro ainda em atividade.
Os recordes de arte brasileira costumam ser batidos no Brasil ou no exterior?
Depende do artista. O recorde de Tarsila do Amaral, morta em 1973 e hoje reconhecida como um dos nomes centrais do modernismo brasileiro, foi batido dentro do Brasil, numa leiloeira paulista. Já o recorde de Beatriz Milhazes, artista viva com carreira internacional consolidada, foi batido fora do país, na Sotheby's de Nova York — reflexo de um mercado de arte contemporânea brasileira que negocia mais no circuito internacional do que no doméstico.
O recorde muda com frequência?
Não. O recorde de A Caipirinha, de dezembro de 2020, seguia vigente na verificação mais recente feita para este texto, sem notícia de uma venda pública que o tenha superado. Recordes de leilão para obras de artistas já falecidos e consagrados tendem a durar anos ou décadas, porque dependem de uma peça rara e importante chegar ao mercado — o que não acontece com frequência, já que a maioria dessas obras está em museus ou em coleções que não pretendem vender.
Isso significa que toda obra de artista brasileiro vale muito?
Não. Os valores acima são recordes — o topo absoluto de dois mercados distintos, alcançados por uma obra específica de uma artista já consagrada pela história da arte (Tarsila) e por outra com décadas de carreira internacional (Milhazes). Não são uma média nem uma expectativa razoável para qualquer obra de artista brasileiro, muito menos para uma artista em início de trajetória. Preço de leilão de recorde e preço de aquisição direta de ateliê pertencem a lógicas de mercado completamente diferentes.
Recorde de leilão à parte, quer conhecer uma obra em início de trajetória?
O ateliê vende diretamente à colecionadora ou ao colecionador — preço fixo, conversa direta com a artista, documentação completa desde a primeira venda.
Fontes
- Agência Brasil (EBC) — 2026-09-10
- Bolsa de Arte de São Paulo — 2026-09-10
- CNN Brasil — 2026-09-10
- Superior Tribunal de Justiça (STJ) — 2026-09-10
- The Art Newspaper — 2026-09-10
- Sotheby's — 2026-09-10
- Wikipedia (com base em reportagem da revista The Economist, 1843, ago/set 2016) — 2026-09-10
- Wikipédia (ficha técnica da obra) — 2026-09-10
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