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Quem foi Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral (1886–1973) foi uma pintora brasileira formada em Paris que se tornou a figura central do modernismo brasileiro nos anos 1920. Depois da fase Pau-Brasil, sua pintura Abaporu (1928) inspirou o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade e deu origem ao movimento antropofágico — o marco que redefiniu como a arte brasileira dialoga com referências estrangeiras.

Fotografia de Tarsila do Amaral, cerca de 1925 — O Estado de S. Paulo / Biblioteca Mário de Andrade (domínio público)
Tarsila do Amaral fotografada por volta de 1925, poucos anos antes de pintar Abaporu. Fotografia de Tarsila do Amaral, autor desconhecido, cerca de 1925. Acervo: O Estado de S. Paulo — Seção de Periódicos da Biblioteca Mário de Andrade. Domínio público. Fonte: Wikimedia Commons.

Formação: de Capivari a Paris

Tarsila do Amaral nasceu em 1º de setembro de 1886, em Capivari, interior de São Paulo, filha de uma família de fazendeiros. Sua formação artística começou em São Paulo, nos ateliês de William Zadig e Pedro Alexandrino, antes de embarcar para a Europa.

Em Paris, estudou na Académie Julian a partir de 1920 e, em 1923, na Académie de la Grande Chaumière, sob orientação de André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger — o contato mais direto de Tarsila com o cubismo europeu. Foi essa formação, absorvida fora do país, que ela levaria de volta ao Brasil para reformular em outra chave.

O Grupo dos Cinco e o modernismo brasileiro

Tarsila não esteve na Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 — nessa data, ela ainda estava em Paris. Mas, ao voltar ao Brasil, tornou-se um dos nomes centrais do grupo que deu continuidade àquele movimento: o chamado Grupo dos Cinco, ao lado de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Anita Malfatti.

Entre 1923 e 1926, na fase conhecida como Pau-Brasil, sua pintura se voltou para temas e paisagens nacionais — obras como A Negra (1923) e São Paulo (1924) — e ela ilustrou o livro de poemas Pau Brasil, de Oswald de Andrade, publicado em 1924. É o período em que a técnica aprendida em Paris começa a servir a um repertório visual reconhecidamente brasileiro.

Abaporu e o Manifesto Antropófago

Em janeiro de 1928, Tarsila pintou Abaporu, óleo sobre tela de 85 x 73 cm, como presente de aniversário para Oswald de Andrade, então seu marido. O nome, sugerido por Oswald e pelo poeta Raul Bopp a partir de termos tupi-guarani, significa “homem que come”. A composição — uma figura de pés enormes, um cacto e o sol — levou Oswald a perguntar se não valeria a pena começar um movimento em torno daquela imagem.

Valeu: ainda em 1928, Oswald escreveu o Manifesto Antropófago a partir de Abaporu, lançando o movimento antropofágico — a ideia de “devorar” referências estrangeiras para transformá-las em expressão brasileira. Hoje a obra integra o acervo do MALBA (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), depois de ter sido comprada pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em leilão da Christie's, em Nova York, em 1995, por US$ 1,4 milhão.

Por que Tarsila importa até hoje

Tarsila do Amaral é considerada um dos nomes fundamentais da pintura brasileira do século 20, e parte relevante do seu acervo está hoje em museus brasileiros, como a Pinacoteca de São Paulo e o MASP. Sua trajetória — da formação cubista em Paris à síntese antropofágica de Abaporu — costuma ser lida como o exemplo mais citado de como a arte brasileira absorveu vanguardas europeias sem se tornar cópia delas.

É essa operação — pegar um repertório de fora e devolvê-lo como linguagem própria — que segue sendo citada por artistas e pesquisadores como referência central para pensar identidade e origem na arte brasileira.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê: o que fico devendo a Tarsila

Volto a Tarsila sempre que preciso lembrar por que decidi ficar pintando o que vejo daqui, em vez de repetir um vocabulário de fora. Ela estudou cubismo com Fernand Léger em Paris e voltou decidida a pintar terra vermelha, morro e cor tropical — não por rejeitar o que aprendeu lá fora, mas por entender que a matéria ao redor dela era outra.

Isso ecoa em como trabalho a série Terra & Ether, como em Elemental Veins: uso pó metálico e textura sobre a tela porque a superfície precisa carregar peso de terra, não só imagem plana. Sou arquiteta antes de pintora, e o mesmo instinto de olhar primeiro o material bruto do lugar — antes de qualquer desenho pronto trazido de fora — é o que me faz insistir nessa série quando alguém me procura para um espaço de pé-direito alto e luz de fim de tarde.

Perguntas frequentes

Quem foi Tarsila do Amaral?

Tarsila do Amaral (1886, Capivari, SP – 1973, São Paulo) foi uma pintora brasileira formada em São Paulo e em Paris, na Académie Julian e na Académie de la Grande Chaumière, onde estudou com André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger. Ao voltar ao Brasil, tornou-se uma das figuras centrais do modernismo, ao lado de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Anita Malfatti, o chamado Grupo dos Cinco. É considerada hoje um dos nomes fundamentais da pintura brasileira do século 20.

Qual a obra mais famosa de Tarsila do Amaral?

A obra mais conhecida de Tarsila é Abaporu, pintada em janeiro de 1928, óleo sobre tela de 85 x 73 cm. Ela a criou como presente de aniversário para o marido da época, o escritor Oswald de Andrade. A composição — uma figura, um cacto e o sol — inspirou Oswald a escrever o Manifesto Antropófago naquele mesmo ano. Hoje Abaporu integra o acervo do MALBA, em Buenos Aires, depois de ter sido comprada em leilão da Christie's, em Nova York, em 1995.

Qual o estilo artístico de Tarsila?

O estilo de Tarsila mudou por fases. Depois da formação em Paris, marcada pela influência do cubismo de Fernand Léger, ela passou pela fase Pau-Brasil (1923–1926), voltada para temas e paisagens nacionais, como em São Paulo (1924) e A Negra (1923). Em 1928, com Abaporu, sua pintura passou a alimentar a fase antropofágica, ligada ao movimento que Oswald de Andrade lançou a partir da obra. Em toda a trajetória, o traço comum é a tradução de uma linguagem de vanguarda europeia em repertório visual brasileiro.

Qual a relação de Tarsila com o Manifesto Antropófago?

Tarsila não escreveu o Manifesto Antropófago — quem assinou o texto, publicado em 1928, foi o escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. Mas foi a pintura dela, Abaporu, concluída pouco antes, que deu a Oswald a imagem-síntese da qual o manifesto nasceu: uma figura isolada, de pés enormes, diante de um cacto sob o sol. A partir dessa obra, Oswald formulou a ideia da antropofagia cultural — devorar referências estrangeiras para transformá-las em algo brasileiro.

De que movimento Tarsila fez parte?

Tarsila fez parte do núcleo que ficou conhecido como Grupo dos Cinco, ao lado de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Anita Malfatti — o círculo que deu corpo ao modernismo brasileiro depois da Semana de Arte Moderna de 1922 (da qual, vale registrar, ela não participou, por estar então em Paris). Foi também autora da pintura que deu origem ao movimento antropofágico, iniciado em 1928 a partir de Abaporu e do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade.

Fontes

  1. Wikipedia — 2026-08-14
  2. Pinacoteca de São Paulo — Acervo — 2026-08-14
  3. Pinacoteca de São Paulo — Acervo — 2026-08-14
  4. Wikipedia — 2026-08-14
  5. Wikipedia — 2026-08-14
  6. Wikipedia — 2026-08-14
  7. Wikipedia — 2026-08-14
  8. Wikipedia — 2026-08-14
  9. Pinacoteca de São Paulo — Acervo — 2026-08-14
  10. Perfeito Studio — catálogo de obras (não-draft) — 2026-08-14

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