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Por que famílias de grande patrimônio mantêm um acervo de arte

Bancos privados e family offices estimam que, em média, 10,9% da carteira de clientes de alto patrimônio já está alocada em arte e colecionáveis (Deloitte, 2023). E não é só patrimônio: 80% dos colecionadores pesquisados pelo Art Basel & UBS pretendem repassar a coleção a filhos ou cônjuges — arte funciona como ativo financeiro e como legado.

Genesis of Flame (120 x 200 cm), técnica mista com acrílica e pigmento metálico sobre tela, em ambiente de escritório — Alyne Perfeito, Perfeito Studio
Genesis of Flame (120 × 200 cm), da série Heart of Chaos, em ambiente de escritório. Perfeito Studio. Alyne Perfeito, Perfeito Studio

Quanto do patrimônio das famílias ricas está em arte, segundo os dados

O número mais direto vem do Art & Finance Report 2023 (8ª edição), produzido por Deloitte Private e ArtTactic: gestores de patrimônio e family offices estimam que, em média, 10,9% da carteira de seus clientes de alto patrimônio está alocada em arte e colecionáveis — 8,6% nos bancos privados e 13,4% nos family offices. É importante precisar a fonte desse número: não é o colecionador dizendo quanto tem em arte, é o gestor de patrimônio estimando a carteira de quem ele atende. O mesmo relatório estima que a riqueza em arte e colecionáveis de indivíduos ultra-ricos (UHNWIs) somava US$ 2,174 trilhões em 2022, com projeção de chegar a US$ 2,861 trilhões em 2026.

Já sob a ótica do próprio colecionador — não do gestor —, o quanto do patrimônio os colecionadores dizem manter em arte segue outra curva, medida pelo Art Basel & UBS Survey of Global Collecting. O que importa aqui não é repetir esse número, é notar que as duas medições — a do gestor e a do colecionador — apontam na mesma direção: nas faixas mais altas de patrimônio, arte deixou de ser item marginal na carteira.

Por que a nova geração de colecionadores olha para arte como investimento

O Art & Finance Report 2023 também mediu uma virada: pela primeira vez em 12 anos de pesquisa, o valor financeiro ultrapassou o valor social como segunda motivação de compra entre colecionadores (41% contra 36%) — o valor emocional segue em primeiro lugar, com 60%.

Essa virada é mais forte ainda entre colecionadores mais jovens (NextGen). Especificamente nesse grupo, 83% disseram que retorno financeiro foi uma motivação relevante (contra 50% em 2021), 61% citaram diversificação de patrimônio como importante (contra 51% em 2021), e 51% passaram a ver a arte como reserva de valor em tempos de incerteza (contra 34% em 2021). São números do subgrupo de colecionadores mais jovens, não da média geral de todos os colecionadores pesquisados — e o próprio relatório separa os dois grupos.

Arte como elo entre gerações: sucessão, legado e o risco de conflito

Uma reportagem da Fortune de novembro de 2025 estima que cerca de US$ 1 trilhão em arte pode trocar de mãos ao longo da próxima década como parte da chamada "grande transferência de riqueza" — cerca de US$ 100 bilhões por ano, o equivalente a 5% dos US$ 31 trilhões que devem passar para gerações mais jovens. Segundo Wolfe Tone, vice chair e líder da Deloitte Private nos EUA, citado na reportagem, coleções funcionam como "tecido conectivo" entre gerações de uma mesma família.

O Art Basel & UBS Survey of Global Collecting 2025 mostra a intenção por trás desse número: 80% dos colecionadores pesquisados, somando todas as gerações, pretendem repassar a coleção a filhos ou cônjuges no futuro, e quase 90% dos colecionadores da geração Z que já herdaram obras optaram por mantê-las.

A mesma reportagem da Fortune registra o lado inverso: coleções também podem afastar uma família quando decisões sobre manter, vender ou doar obras ficam sem resposta. Este texto é informativo e não é aconselhamento fiscal ou sucessório; decisões de sucessão patrimonial devem ser tratadas com contador ou advogado especializado.

O que isso muda para quem está começando um acervo, não herdando um

Os dados acima descrevem coleções já formadas, muitas vezes ao longo de décadas e com apoio de banco privado ou family office. Mas a lógica de fundo — documentar a obra para que ela sobreviva à pessoa que comprou — vale desde a primeira aquisição, não só quando a coleção já é grande.

É por isso que, no programa para colecionadores do Perfeito Studio, cada obra sai com certificado de autenticidade, dossiê curatorial e um Archive ID individual — o mesmo tipo de documentação que sustenta a rastreabilidade que family offices cobram de uma coleção grande, só que pensada para quem está adquirindo a primeira peça.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

Como arquiteta antes de artista, eu penso em cada obra como algo que vai continuar ali por muito tempo depois da entrega — na parede, na luz daquele ambiente específico, e depois na vida de quem mora ali. Quando um colecionador pergunta sobre documentação, sobre o Archive ID ou sobre o que acontece com a obra daqui a vinte anos, essa pergunta não me surpreende: é a mesma pergunta que eu faço sobre um projeto de arquitetura, só que aplicada a uma tela. Documento cada peça pensando que, um dia, alguém que não sou eu — um filho, um herdeiro, um futuro comprador — vai precisar provar a origem dela. Isso não é sobre valorização, é sobre uma obra ser levada a sério o suficiente para atravessar mais de uma geração.

Perguntas frequentes

Quanto do patrimônio de uma família rica costuma estar em arte?

Segundo o Art & Finance Report 2023 (Deloitte Private e ArtTactic), gestores de patrimônio e family offices estimam em média 10,9% da carteira de seus clientes de alto patrimônio em arte e colecionáveis — 8,6% nos bancos privados e 13,4% nos family offices. É uma estimativa de quem administra o patrimônio, não uma autodeclaração dos próprios colecionadores. Já o Art Basel & UBS Survey of Global Collecting 2025 encontrou uma alocação média de 20% entre os colecionadores de alto patrimônio pesquisados diretamente, subindo para 28% entre quem tem mais de US$ 50 milhões em ativos.

Famílias ricas compram arte pensando em investimento ou por paixão?

As duas coisas, em proporções diferentes por geração. O valor emocional continua sendo o motivo mais citado entre colecionadores em geral (60%, segundo a Deloitte), mas o valor financeiro ultrapassou o valor social como segunda motivação pela primeira vez em 12 anos de pesquisa. Entre colecionadores mais jovens especificamente, o peso do retorno financeiro é maior: 83% citaram retorno como motivação relevante, ante 50% em 2021.

Colecionadores pretendem deixar a coleção de arte para os filhos?

Sim, majoritariamente. O Art Basel & UBS Survey of Global Collecting 2025 encontrou que 80% dos colecionadores pesquisados, somando todas as gerações, pretendem repassar a coleção a filhos ou cônjuges no futuro. Entre a geração Z que já herdou obras de arte, quase 90% optaram por manter as peças em vez de vendê-las.

Manter um acervo de arte pode causar conflito entre herdeiros?

Pode, segundo reportagem da Fortune de novembro de 2025 sobre a transferência de riqueza entre gerações: coleções funcionam como elo entre familiares, mas também podem gerar desacordo quando decisões sobre manter, vender ou doar obras específicas não estão claras. Esse risco é uma razão prática para documentar cada obra (autoria, procedência, avaliação) enquanto a decisão ainda não é urgente.

É preciso ter um family office para começar a montar um acervo?

Não. Os números de patrimônio alocado em arte citados neste texto vêm de pesquisas com colecionadores de alto patrimônio e famílias com family office, mas a lógica de documentar uma obra — certificado de autenticidade, dossiê, registro individual — vale para qualquer aquisição, inclusive a primeira, comprada direto de um ateliê.

Este texto é uma recomendação de investimento em arte?

Não. Este texto reúne dados publicados sobre como famílias de alto patrimônio se comportam em relação à arte — quanto alocam, por que compram e o que planejam fazer com a coleção. Não é aconselhamento financeiro, fiscal ou sucessório; decisões sobre patrimônio e sucessão devem ser tratadas com um contador, advogado ou planejador financeiro.

Quer começar um acervo com documentação desde a primeira obra?

Cada obra do Perfeito Studio sai com certificado de autenticidade, dossiê curatorial e Archive ID individual. Fale direto com a Alyne pelo WhatsApp.

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