Quais obras ver no Museu Reina Sofía, em Madri
O Museu Reina Sofía é dedicado à arte moderna e contemporânea, e sua obra mais visitada é o Guernica, de Picasso — mural de 1937 sobre o bombardeio à cidade basca. Vale completar a visita com o surrealismo de Salvador Dalí e o cubismo de Juan Gris, os outros dois pilares do acervo permanente.
O Guernica, de Picasso — o motivo da viagem
O Guernica foi pintado por Pablo Picasso entre 1º de maio e 4 de junho de 1937, em Paris, para o Pavilhão Espanhol da Exposição Internacional daquele ano. O impulso veio das notícias do bombardeio da aviação alemã sobre a cidade basca de Guernica, publicadas com fotografias dramáticas pelo jornal francês L'Humanité. É um óleo sobre tela de 349,3 x 776,6 cm — um mural, não um quadro de sala de estar —, pintado inteiramente em preto, branco e cinza, sem uma única cor.
A obra foi adquirida do próprio Picasso pelo Estado espanhol ainda em 1937, mas por décadas não esteve em solo espanhol: a pedido do artista, ficou sob custódia do MoMA, em Nova York, primeiro por causa da Segunda Guerra, depois — por condição explícita de Picasso — até que as liberdades democráticas fossem restauradas na Espanha. Só retornou ao país em 1981 e só chegou às paredes do Reina Sofía em 1992, onde ocupa hoje a sala 205.10.
Dalí e o surrealismo espanhol: Rostro del Gran Masturbador
Rostro del Gran Masturbador (Visage du Grand Masturbateur), de Salvador Dalí, é um óleo sobre tela de 110 x 150 cm, pintado no fim do verão de 1929. Entrou para o acervo do museu pelo Legado Salvador Dalí, em 1990, e hoje está na sala 205.13.
É uma tela declaradamente autobiográfica: Dalí a pintou logo depois que Gala decidiu permanecer com ele em Cadaqués, apesar de ainda ser casada com o poeta Paul Éluard. Entre as figuras simultâneas da composição está um gafanhoto — inseto que, segundo o próprio museu, aterrorizava Dalí desde a infância —, motivo que ele revisitaria anos depois em sua autobiografia, A Vida Secreta de Salvador Dalí.
Juan Gris e o cubismo depois de Picasso e Braque: Violín y guitarra
Violín y guitarra (Violon et guitare), de Juan Gris, é um óleo sobre tela de 81 x 60 cm, pintado em abril de 1913. A tela pertenceu ao legado de Douglas Cooper — descrito pelo próprio museu como "o grande especialista na obra de Juan Gris" — ao Museu do Prado em 1985, antes de passar para o acervo do Reina Sofía em 1992. Está hoje na sala 204.01.
É uma peça de transição no cubismo de Gris: o volume que caracterizava seus objetos nas telas anteriores praticamente desaparece, e já fica evidente a fragmentação do espaço por uma grade de linhas horizontais e verticais — a guitarra, motivo recorrente do pintor, ocupa o centro da composição.
O que o Reina Sofía é (e por que ele existe ao lado do Prado)
O Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía abriu as portas em 1990, num edifício que já era hospital desde o século XVI — o antigo Hospital de San Carlos, fundado por Felipe II e refundado por Carlos III no século XVIII, com projeto neoclássico de José de Hermosilla e Francisco Sabatini. Em 2005, o arquiteto Jean Nouvel somou a ele uma ala de aço e vidro que hoje abriga parte da coleção.
A coleção reúne um dos maiores acervos de arte moderna e contemporânea da Espanha, do fim do século XIX até a produção mais recente, com foco na arte espanhola em diálogo com a produção internacional — a América Latina em especial. O próprio museu se descreve como "una de las principales instituciones dedicadas al arte moderno y contemporáneo" — uma das principais instituições dedicadas à arte moderna e contemporânea —, o que o torna, na prática, a contrapartida do Prado: o Prado, fundado em 1819, reúne arte europeia do século XII ao início do XX; o Reina Sofía começa quase exatamente onde o acervo do Prado termina.
O olhar do ateliê
O que eu vejo no Guernica, como pintora e arquiteta
Nunca estive diante do Guernica pessoalmente, mas é o tipo de obra que uma arquiteta reconhece à distância pela escala: quase 3,5 metros de altura por quase 7,8 metros de largura, pensada para ocupar a parede inteira de um pavilhão, não uma sala de estar. É a mesma pergunta que me faço diante das telas maiores que pinto — a partir de que tamanho uma pintura deixa de ser objeto na parede e passa a ser o próprio espaço?
O que mais me interessa no Guernica, porém, é a recusa da cor. Picasso resolveu uma cena de guerra só em preto, branco e cinza — e é exatamente essa contenção que busco nas telas da série Matter & Silence, como em Echo of Silence: tirar a cor do caminho para que sobre só a textura, o relevo, o peso da matéria. E no Violín y guitarra, de Juan Gris, reconheço outra obsessão minha — a grade, a estrutura que organiza o gesto por trás da composição. Não é acidente que as três obras deste museu que mais me prendem tenham em comum algum tipo de disciplina: a régua por trás do caos.
Perguntas frequentes
Onde está o Guernica de Picasso hoje?
O Guernica está na sala 205.10 do Museu Reina Sofía, em Madri, desde 1992. Antes disso passou décadas fora da Espanha: Picasso o manteve sob custódia do MoMA, em Nova York, durante a Segunda Guerra e depois por condição própria, até a redemocratização espanhola — só voltou ao país em 1981.
Que outras obras importantes tem o Reina Sofía além do Guernica?
O museu também guarda Rostro del Gran Masturbador (1929), de Salvador Dalí, na sala 205.13, e Violín y guitarra (1913), de Juan Gris, na sala 204.01 — ambas em exposição permanente. A coleção do Reina Sofía é um dos maiores acervos de arte moderna e contemporânea da Espanha, e inclui ainda peças de Joan Miró e Maruja Mallo, segundo o próprio museu.
O Reina Sofía é focado em que período da arte?
Arte moderna e contemporânea, principalmente do fim do século XIX até hoje — é a contrapartida do Museu do Prado, cujo acervo cobre do século XII ao início do XX. O Reina Sofía abriu as portas em 1990, num prédio que era hospital desde o século XVI.
Dá para tirar foto do Guernica no museu?
A regra geral do museu permite fotografar sem flash, tripé ou bastão de selfie em todos os espaços, exceto onde houver sinalização em contrário. A sala do Guernica teve, por décadas, uma proibição específica de fotografia, retirada pelo museu em setembro de 2023, segundo a imprensa internacional — vale conferir a sinalização do dia da visita, já que normas de sala podem mudar.
Reina Sofía ou Prado — qual ver primeiro?
Não há resposta única: o Prado, fundado em 1819, cobre a arte europeia do século XII ao início do XX (Velázquez, Goya, Bosch); o Reina Sofía começa quase onde o Prado termina, com Picasso, Dalí e o cubismo do século XX. Os dois museus ficam a poucos minutos de caminhada um do outro, então dá para visitar ambos no mesmo dia — quem segue a ordem cronológica da história da arte costuma preferir o Prado primeiro.
Fontes
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía — 2026-08-03
- Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía — 2026-08-03
- Euronews — 2026-08-03
- Wikipedia — 2026-08-03
Indo ver o Guernica em Madri?
Se o contraste em preto, branco e cinza do Guernica ficou na sua cabeça, fale com o ateliê sobre as obras monocromáticas da série Matter & Silence.
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