Journal · Exposições e museus

Quais museus de arte visitar em Madri

Madri reúne três dos museus de arte mais importantes do mundo a poucos minutos um do outro — Museo del Prado, Museu Reina Sofía e Museu Thyssen-Bornemisza —, no eixo conhecido como Paseo del Arte. Juntos, cobrem a pintura ocidental do século XIII à arte contemporânea: da tradição espanhola clássica ao "Guernica" de Picasso.

El tres de mayo de 1808 en Madrid, óleo sobre tela de Francisco Goya, 1814 — obra do acervo do Museo del Prado, Madri
El tres de mayo de 1808 en Madrid, Francisco Goya — óleo sobre tela, 1814. Acervo do Museo del Prado. El tres de mayo de 1808 en Madrid, Francisco Goya (1746–1828). Museo Nacional del Prado, Madri. Domínio público. Fonte: commons.wikimedia.org

O Paseo del Arte: três museus, um só eixo

Ao longo de quase dois quilômetros do Paseo del Prado, em Madri, ficam três dos acervos de pintura mais importantes do mundo: o Museo del Prado, o Museu Reina Sofía e o Museu Thyssen-Bornemisza. A distância entre eles é curta o bastante para ir a pé de um ao outro em menos de 15 minutos — por isso o trecho ganhou o apelido de Paseo del Arte, também chamado de Triângulo do Ouro da arte europeia.

Em julho de 2021, a Unesco reconheceu a região do Paseo del Prado e do Parque do Retiro como Patrimônio Mundial, sob o nome Paisaje de la Luz ("Paisagem da Luz") — reconhecimento que inclui o conjunto formado pelos três museus e o parque ao redor.

Os três acervos não se repetem: o Prado cobre a pintura espanhola e europeia até o início do século XIX; o Thyssen-Bornemisza preenche sete séculos de pintura europeia, do gótico ao pós-guerra; o Reina Sofía assume a partir daí, com arte moderna e contemporânea. Visitados juntos, formam uma linha do tempo quase contínua da pintura ocidental — o que raramente acontece numa distância tão curta.

Museo del Prado: o Século de Ouro espanhol num prédio neoclássico

O edifício do Prado foi projetado em 1785 pelo arquiteto Juan de Villanueva, sob encomenda do rei Carlos III — originalmente para abrigar um Gabinete de História Natural, não uma pinacoteca. Só depois de reformas e da vontade do rei Fernando VII e da rainha Isabel de Bragança o prédio neoclássico virou o Real Museu de Pinturas e Esculturas, hoje considerado um dos exemplares mais completos do neoclassicismo espanhol.

O acervo retrata três séculos de pintura na corte espanhola: Velázquez, Goya, Ticiano, Rubens, El Greco e Bosch dividem as salas. Duas obras resumem o museu para quem tem pouco tempo: As Meninas, de Diego Velázquez — pintada em 1656, óleo sobre tela, no acervo permanente do Prado desde a fundação do museu em 1819 e nunca emprestada para exposições fora da instituição — e El tres de mayo de 1808 en Madrid, de Francisco Goya — de 1814, também óleo sobre tela, que narra os fuzilamentos de patriotas madrilenos pelas tropas napoleônicas na noite de 3 de maio de 1808.

Ver As Meninas ao vivo significa necessariamente ir a Madri: a obra não circula. El tres de mayo segue a mesma lógica — peça central do acervo permanente, exibida de forma contínua na mesma ala dedicada a Goya.

Museu Reina Sofía: arte moderna e contemporânea, com o Guernica no centro

O prédio histórico do Reina Sofía foi, até o fim do século XVIII, o Hospital de San Carlos, projetado pelo arquiteto Francisco Sabatini. Em setembro de 2005, uma ampliação assinada pelo arquiteto francês Jean Nouvel — vencedor de um concurso internacional que incluiu nomes como Zaha Hadid e Tadao Ando — aumentou em mais de 60% a área do museu, com novos espaços expositivos, biblioteca e dois auditórios.

Dentro desse conjunto está a obra que praticamente define o museu: Guernica, de Pablo Picasso — óleo sobre tela de 349,3 × 776,6 cm, pintada entre 1º de maio e 4 de junho de 1937, em Paris. Depois de décadas em depósito no MoMA, em Nova York, a obra foi repatriada à Espanha em 1981 e entrou no acervo permanente do Reina Sofía em 1992.

Ao redor de Guernica, o museu reúne um dos acervos mais completos de arte espanhola do século XX — de Joan Miró a Salvador Dalí — além de arte contemporânea internacional.

Museu Thyssen-Bornemisza: sete séculos de pintura num único acervo

O museu ocupa o Palácio de Villahermosa, na esquina da Carrera de San Jerónimo com o Paseo del Prado — num terreno adquirido em 1746 pela Duquesa de Atri, com o palácio propriamente dito erguido a partir de 1754. Entre 1989 e 1992, o arquiteto Rafael Moneo conduziu a obra que transformou o antigo palácio em museu, recuperando o caráter palaciano do edifício original.

O acervo — cerca de 700 obras, majoritariamente pinturas — cobre sete séculos de arte ocidental, do século XIII ao início dos anos 1980, reunindo nomes como Van Eyck, Dürer, Ticiano, Caravaggio, Rembrandt, Monet, Van Gogh, Picasso, Kandinsky e Edward Hopper. É a coleção que faz a ponte entre o Prado (pintura antiga) e o Reina Sofía (arte contemporânea) — sozinha, ilustra a transição do gótico ao modernismo do início do século XX.

Um destaque do acervo permanente é Habitación de hotel (Hotel Room), de Edward Hopper — óleo sobre tela de 1931, 152,4 × 165,7 cm, cena de solidão urbana que se tornou uma das imagens mais reproduzidas do museu.

Como organizar a visita: quanto tempo reservar e por onde começar

Fisicamente, dá para caminhar entre os três museus em poucos minutos — mas ver os três com atenção real no mesmo dia significa correr contra o próprio acervo. Um museu do porte do Prado ou do Reina Sofía já justifica sozinho de duas a três horas de visita atenta; o Thyssen-Bornemisza, com sete séculos de pintura num só percurso, pede tempo parecido.

Para quem tem só um dia em Madri, a escolha mais honesta costuma ser dedicar-se por inteiro a dois museus, não aos três. Para quem pode reservar de dois a três dias, uma ordem que funciona bem é cronológica: começar pelo Prado (pintura até o início do século XIX), seguir pelo Thyssen-Bornemisza (a ponte entre o clássico e o moderno) e fechar no Reina Sofía, com o Guernica como ponto culminante — a arte espanhola do século XX vista depois de já se ter visto de onde ela vem.

O olhar do ateliê

O que eu olho nesses três museus, como arquiteta

Nunca estive em Madri, mas o que descrevo aqui como arquiteta é o tipo de decisão que reconheço de longe: os três museus do Paseo del Arte resolveram o mesmo problema — o que fazer com um edifício quando ele precisa abrigar arte — de três jeitos completamente diferentes. O Prado nasceu museu, desenhado por Villanueva já pensando em luz e sequência de salas. O Thyssen-Bornemisza é um palácio do século XVIII reconvertido por Rafael Moneo, que optou por devolver ao prédio o caráter que ele já tinha, em vez de apagá-lo. E o Reina Sofía é o caso mais radical: um hospital do século XVIII com uma intervenção contemporânea de Jean Nouvel colada por fora, sem fingir que as duas partes são a mesma coisa.

É a mesma pergunta que me faço em escala muito menor quando um colecionador me escreve perguntando onde pendurar uma obra grande em casa: o espaço já tem uma história, e a obra nova não precisa apagá-la — precisa negociar com ela. Um museu que finge que seu prédio é neutro está mentindo tanto quanto uma parede que finge que a pintura não muda o cômodo inteiro.

Perguntas frequentes

Quais são os principais museus de arte de Madri?

Os três museus que formam o chamado Paseo del Arte, ou Triângulo do Ouro: o Museo del Prado, dedicado à pintura clássica espanhola e europeia; o Museu Reina Sofía, focado em arte moderna e contemporânea e sede do Guernica de Picasso; e o Museu Thyssen-Bornemisza, que cobre sete séculos de pintura europeia num único acervo. Os três ficam a poucos minutos de distância um do outro, ao longo do Paseo del Prado.

Prado, Reina Sofía e Thyssen-Bornemisza — dá para ver os três no mesmo dia?

Fisicamente, sim: os três ficam a menos de 15 minutos a pé um do outro, dentro do trecho de quase dois quilômetros conhecido como Paseo del Arte. Mas ver os três com atenção real num único dia significa correr contra o próprio acervo — cada museu sozinho já pede de duas a três horas de visita atenta. Quem tem só um dia em Madri, o mais honesto é escolher dois museus com calma em vez dos três com pressa.

Qual museu de Madri tem o Guernica de Picasso?

O Guernica está no Museu Reina Sofía, que o mantém no acervo permanente desde 1992, depois de décadas em depósito no MoMA de Nova York. É a obra mais emblemática do museu e o ponto de partida natural para quem quer entender a arte espanhola do século XX no contexto da Guerra Civil Espanhola.

Quanto tempo reservar para visitar os museus de arte de Madri?

Como referência: de duas a três horas é um mínimo razoável para cada um dos três museus sem correr, e um dia inteiro por museu para quem gosta de ler cada obra com calma. Para conhecer o Prado, o Reina Sofía e o Thyssen-Bornemisza com atenção, vale reservar de dois a três dias de viagem só para o Paseo del Arte.

Existe museu de arte gratuito ou com entrada gratuita em Madri?

Vários museus públicos de Madri, incluindo os três do Paseo del Arte, costumam oferecer janelas de acesso gratuito ou com desconto em dias e horários específicos — mas essa programação muda com frequência e depende de cada instituição. Antes da viagem, vale confirmar as condições atuais diretamente no site oficial de cada museu.

Uma obra que carrega essa mesma tradição para dentro de casa

As pinturas do Perfeito Studio nascem da mesma pergunta que atravessa o Prado, o Reina Sofía e o Thyssen-Bornemisza: o que a matéria, a luz e o gesto podem dizer dentro de um espaço construído. Fale com o estúdio e conheça as obras disponíveis de Alyne Perfeito.

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