Journal · Exposições e museus

Quais museus de arte visitar no Rio de Janeiro

No centro do Rio de Janeiro, quatro instituições concentram a arte que vale visitar: o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), com o maior acervo de pintura brasileira do século XIX; o MAM Rio, arte moderna e contemporânea num prédio de Affonso Reidy; o MAR, na Praça Mauá; e o CCBB, sempre gratuito.

Fachada do MAR — Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, com os dois prédios unidos pela cobertura ondulada — Foto: Marinelson Almeida, CC BY 2.0
MAR — Museu de Arte do Rio, Praça Mauá, Centro do Rio de Janeiro: o Palacete Dom João VI e o antigo terminal rodoviário, unidos por uma cobertura ondulada, inaugurado em 2013. Museu de Arte do Rio (MAR), Praça Mauá. Foto: Marinelson Almeida, 2013. CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

Os quatro museus que estruturam um roteiro de arte no Rio

Um roteiro de arte no centro do Rio de Janeiro se resolve, com folga, em quatro paradas: o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), na Avenida Rio Branco; o MAM Rio, no Parque do Flamengo; o MAR — Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá; e o CCBB Rio de Janeiro, na Rua Primeiro de Março. Cada um cobre um recorte diferente: o MNBA concentra a pintura brasileira do século XIX e anteriores; o MAM Rio, arte moderna e contemporânea nacional e internacional; o MAR lê a história da cidade por meio de exposições de longa e curta duração; e o CCBB recebe grandes mostras temporárias, sempre com entrada gratuita.

Os quatro ficam a uma distância caminhável ou de poucos minutos de metrô/VLT entre si, o que permite encaixar dois ou três num único dia sem pressa.

MNBA: o acervo de referência da pintura brasileira do século XIX

O Museu Nacional de Belas Artes foi criado oficialmente em 13 de janeiro de 1937 e inaugurado em 19 de agosto de 1938, ocupando o prédio da antiga Escola Nacional de Belas Artes na Avenida Rio Branco — projeto do arquiteto Adolfo Morales de los Ríos, inspirado no Louvre. O acervo reúne cerca de 15 mil peças entre pintura, escultura, desenho e gravura, e é descrito pela própria instituição como o maior acervo de pintura brasileira do país, cobrindo a trajetória da arte nacional desde o início do século XIX.

MAM Rio: a arquitetura de Reidy e a arte moderna e contemporânea

O MAM Rio foi constituído em assembleia em 3 de maio de 1948, por iniciativa de um grupo de intelectuais, artistas e empresários — entre eles Gustavo Capanema, Manuel Bandeira e Raymundo de Castro Maya. A sede atual, em funcionamento desde 1958 no Parque do Flamengo (Av. Infante Dom Henrique, 85), foi projetada pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy, com paisagismo de Roberto Burle Marx.

O acervo próprio reúne mais de 7 mil obras de arte moderna e contemporânea nacional e internacional, somadas a cerca de 6.600 obras da Coleção Gilberto Chateaubriand e mais de 1.800 fotografias da Coleção Joaquim Paiva, mantidas em comodato. É um museu de vocação distinta da do MNBA: onde o MNBA olha para o século XIX, o MAM Rio abrigou os movimentos que vieram depois — Grupo Frente, Neoconcretismo, Nova Objetividade Brasileira.

MAR e CCBB: Praça Mauá e Centro, com gratuidade garantida

O MAR — Museu de Arte do Rio foi inaugurado em 1º de março de 2013, na Praça Mauá, e ocupa dois prédios de estilos opostos — o Palacete Dom João VI, de linhas ecléticas, e um antigo terminal rodoviário modernista — unidos por uma cobertura ondulada que virou símbolo da revitalização da zona portuária. O museu garante entrada gratuita às terças-feiras e para públicos específicos, como estudantes da rede pública e pessoas a partir de 60 anos, mediante documentação.

A poucos minutos a pé, o CCBB Rio de Janeiro funciona desde 12 de outubro de 1989, num prédio de 1906 que já foi sede do Banco do Brasil, na Rua Primeiro de Março. Não é um museu no sentido tradicional — não mantém acervo permanente —, mas recebe exposições de arte de grande porte com um diferencial raro: a entrada é sempre gratuita, para todas as mostras.

Como montar o roteiro: museus e praia no mesmo dia

Dá para combinar praia e museu no Rio sem sacrificar nenhum dos dois, porque o eixo MNBA–CCBB–MAR fica no Centro e na zona portuária, enquanto o MAM Rio já está na borda do Parque do Flamengo, à beira da Baía de Guanabara — a caminho das praias de Botafogo, Flamengo e, na sequência, Copacabana e Ipanema. Uma programação possível: a manhã para os museus do Centro, que ficam próximos entre si; a tarde para o MAM Rio e o Aterro; e o fim de tarde já na orla da Zona Sul.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

Como arquiteta, entro num museu e reparo primeiro no prédio, antes das obras. O MAR, na Praça Mauá, é o exemplo mais claro dessa lição no Rio: dois edifícios de época e estrutura completamente diferentes, unidos por uma cobertura que se move como onda, mostram como o entorno de uma peça pode ampliar ou apagar sua leitura. É a mesma pergunta que me guia no ateliê quando penso onde uma obra de Terra & Ether vai ser pendurada: a estratificação mineral de uma tela como Elemental Veins só funciona plenamente com luz e distância certas — do mesmo jeito que um relevo ou uma tela de grande formato muda de força conforme o ângulo de onde se olha. O Rio ensina isso em escala de cidade: arte não existe fora do espaço que a segura.

Perguntas frequentes

Quais são os principais museus de arte do Rio de Janeiro?

Os quatro mais relevantes no centro da cidade são o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), dedicado à pintura brasileira até o início do século XX; o MAM Rio, de arte moderna e contemporânea; o MAR — Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá; e o CCBB Rio de Janeiro, centro cultural que recebe grandes exposições temporárias sempre gratuitas. Os quatro ficam próximos o suficiente para serem visitados no mesmo dia ou em dois dias tranquilos, sem pressa.

O Museu Nacional de Belas Artes e o MAM-Rio são a mesma coisa?

Não. São instituições distintas, com históricos e acervos diferentes. O MNBA foi criado em 1937 e reúne cerca de 15 mil peças voltadas à pintura brasileira do século XIX e anteriores. O MAM Rio foi fundado em 1948, funciona desde 1958 num prédio de Affonso Eduardo Reidy no Parque do Flamengo, e tem acervo voltado à arte moderna e contemporânea. A confusão é comum por causa das siglas parecidas, mas são museus separados, com sedes e curadorias próprias.

Qual museu do Rio tem o maior acervo de arte brasileira clássica?

O Museu Nacional de Belas Artes. Com cerca de 15 mil peças entre pintura, escultura, desenho e gravura, é descrito pela própria instituição como detentor do maior acervo de pintura brasileira do país, cobrindo a trajetória da arte nacional desde o início do século XIX.

Existe museu de arte gratuito no Rio de Janeiro?

Sim. O CCBB Rio de Janeiro tem entrada sempre gratuita para todas as suas exposições, o ano inteiro. O MAR — Museu de Arte do Rio também garante gratuidade às terças-feiras e para públicos específicos, como estudantes da rede pública, crianças até 5 anos e pessoas a partir de 60 anos, mediante documentação.

Dá para combinar praia e museus de arte numa viagem ao Rio?

Sim, e a geografia ajuda. O eixo Centro/Praça Mauá reúne MNBA, CCBB e MAR a poucos minutos um do outro; o MAM Rio fica na borda do Parque do Flamengo, já à beira da Baía de Guanabara, na rota para as praias da Zona Sul. Uma programação comum é reservar a manhã para os museus do Centro, a tarde para o MAM Rio e o Aterro, e encerrar o dia na orla.

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