Quais museus de arte visitar em Londres
Os museus essenciais de Londres são a National Gallery, o British Museum e o Victoria and Albert Museum — todos com entrada gratuita ao acervo permanente — além da Tate Modern (arte moderna e contemporânea internacional) e da Tate Britain (arte britânica, o maior acervo de Turner do mundo), duas instituições fáceis de confundir pelo nome.
Os grandes e o que cada um realmente é
A National Gallery, em Trafalgar Square, reúne uma das coleções de pintura mais importantes do mundo, com mais de 2.300 quadros que vão do século 13 até 1900 — de Van Eyck e Ticiano a Rembrandt e Turner. É lá que está a Vênus do Espelho, de Velázquez, os Girassóis de Van Gogh e Banhistas em Asnières, de Seurat. A entrada ao acervo permanente é gratuita, como em todos os museus nacionais britânicos citados nesta página.
O British Museum, em Bloomsbury, é o museu público mais antigo do mundo — fundado em 1753 — e o acervo, de oito milhões de peças, cobre a história humana em praticamente todas as culturas. A Pedra de Roseta, que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios, e os Mármores do Partenon, no acervo desde o início do século 19 e ainda hoje objeto de disputa de repatriação com a Grécia, são as duas peças que mais atraem fila. A entrada é gratuita para as galerias permanentes.
O Victoria and Albert Museum, em South Kensington, é o maior museu de artes decorativas e design do mundo — quase três milhões de objetos, de cerâmica e têxteis a moda e a maior coleção de escultura renascentista italiana fora da Itália, num acervo que cobre cinco mil anos de criatividade humana. É o museu certo para quem se interessa por design e ofício tanto quanto por pintura. A entrada também é gratuita.
Tate Modern x Tate Britain — para não confundir os dois
O nome parecido engana: são dois museus diferentes, com acervos diferentes, em bairros diferentes da cidade. A Tate Modern, em Bankside, às margens do Tâmisa, ocupa a antiga usina termelétrica de Bankside, desativada em 1981 e convertida pelos arquitetos suíços Herzog & de Meuron — reaberta como museu em 2000. O acervo é a coleção nacional britânica de arte moderna e contemporânea internacional, a partir de 1900. A antiga sala de turbinas da usina, a Turbine Hall, virou o espaço de instalações de grande escala que já recebeu obras de artistas como Ai Weiwei e Olafur Eliasson.
Já a Tate Britain, em Millbank, à beira do rio, é o museu dedicado só à arte britânica, de 1500 até hoje — os pré-rafaelitas, David Hockney, Bridget Riley. É lá, na Clore Gallery, que fica o legado que Turner deixou para a nação ao morrer, em 1851: praticamente todo o conteúdo do seu ateliê, hoje dividido entre a Tate Britain e a National Gallery.
Em uma frase: a Tate Modern é internacional e vai de 1900 em diante; a Tate Britain é só arte britânica, de 1500 em diante. Confundir os dois é o erro mais comum de quem monta o roteiro de Londres — inclusive porque um barco da própria Tate liga as duas margens do rio, o que reforça a impressão errada de que são a mesma coleção em dois prédios.
Os pequenos que valem mais que os grandes para quem gosta de pintura
A Courtauld Gallery, dentro do Somerset House, no Strand, concentra o impressionismo e o pós-impressionismo mais forte de Londres num espaço pequeno: Um Bar no Folies-Bergère, de Manet, o Autorretrato com Orelha Enfaixada, de Van Gogh, e doze quadros de Cézanne, a maior coleção do Reino Unido. Reabriu em 2021 depois de uma reforma que devolveu à galeria o Great Room, o salão de exposição mais antigo construído para esse fim em Londres.
A Wallace Collection, na Manchester Square, funciona dentro da antiga mansão da família Hertford, a Hertford House, e tem uma particularidade rara: pelo testamento de Lady Wallace, em 1897, nenhuma peça pode sair do acervo, nem para empréstimo — a coleção que se vê hoje é exatamente a que foi doada. O ponto alto é O Balanço, de Fragonard, cercado por armaduras, porcelanas e mobiliário francês do século 18. A entrada é gratuita.
A Dulwich Picture Gallery, mais ao sul da cidade, foi a primeira galeria de arte pública construída para esse fim no mundo, projetada pelo arquiteto John Soane e aberta em 1817 — a claraboia que ilumina as salas por cima virou modelo copiado por museus depois dela. O acervo, de Rembrandt, Gainsborough, Canaletto e Poussin, é pequeno e concentrado. Diferente dos museus nacionais citados acima, aqui a visita ao acervo permanente é paga — vale reservar tempo à parte, porque fica fora do circuito central.
Como encadear o roteiro por região
Assim como em outras cidades com muitos museus, o erro mais comum é tratar cada um como destino isolado. No centro, Trafalgar Square (National Gallery) e Bloomsbury (British Museum) ficam a uma caminhada de quinze a vinte minutos um do outro, com o Covent Garden no meio do caminho. Em South Kensington, o V&A divide o mesmo quarteirão de museus com o Natural History Museum e o Science Museum — quem for para o V&A já está na região certa para esticar o dia.
Bankside e Millbank, onde ficam a Tate Modern e a Tate Britain, estão em margens opostas do Tâmisa, ligadas por um barco dedicado da própria Tate — dá para fazer as duas no mesmo dia sem repetir trajeto. No Strand, a Courtauld Gallery fica dentro do Somerset House, a poucos minutos do Covent Garden. E a Wallace Collection, na Manchester Square, combina bem com uma manhã em Marylebone, bairro residencial ao norte de Oxford Street.
Fora do centro, dois programas pedem dia dedicado. A Whitechapel Gallery, no East End, é o museu sem acervo fixo que ajudou a formar a cena de arte contemporânea de Londres desde 1901 — foi lá que Guernica, de Picasso, foi exibida pela primeira vez na cidade, em 1939, e onde Rothko e Frida Kahlo tiveram suas primeiras mostras individuais no Reino Unido. E a Serpentine, com seus dois prédios — o Serpentine South, de 1934, e o Serpentine North, de 2013, dentro de um antigo paiol de pólvora reformado por Zaha Hadid Architects —, fica dentro do Kensington Gardens, perto do Hyde Park, e muda de programação a cada estação.
A Dulwich Picture Gallery, mais distante de tudo isso, no sul da cidade, é a única que realmente pede um deslocamento à parte — não dá para encaixar no mesmo dia de nenhum dos outros museus desta lista.
O olhar do ateliê
O que a conversão da Tate Modern me ensina sobre espaço
Antes de pintar, eu formei em arquitetura, e a Tate Modern é o museu que mais me faz pensar como arquiteta antes de pensar como pintora. Herzog & de Meuron não descaracterizaram a usina de Bankside — preservaram os tijolos crus, as vigas de aço aparentes, a Turbine Hall inteira, cinco andares de altura, como ela sempre foi. A decisão de arquitetura foi não competir com o edifício industrial, e o resultado é que a escala da sala decide sozinha como qualquer obra ali dentro vai ser vista: uma instalação de dez metros de altura na Turbine Hall é uma experiência de corpo, não só de olho, muito antes de o visitante reparar em qual artista assina a peça.
Eu nunca expus num acervo institucional, e não vou fingir uma proximidade que não existe. O que eu levo desse tipo de conversão para o ateliê é mais concreto: pensar em quanto espaço em branco uma tela grande precisa ao redor para não brigar com a parede, e como a luz que incide numa sala ao longo do dia muda a leitura de uma obra com textura esculpida — é o mesmo princípio da Turbine Hall, só que em escala doméstica. Cada peça do Perfeito Studio já nasce pensando nessa relação entre obra e espaço, não porque eu espero um dia estar num museu, mas porque é assim que acho que a arte deveria ser tratada desde a primeira venda.
Perguntas frequentes
Quais são os museus obrigatórios numa primeira viagem a Londres?
National Gallery, British Museum, Victoria and Albert Museum e pelo menos uma das duas Tate — Modern ou Britain, dependendo do interesse por arte contemporânea ou por arte britânica — cobrem, juntos, a base de qualquer roteiro de primeira viagem.
Tate Modern ou Tate Britain?
São museus diferentes, não duas alas do mesmo prédio. A Tate Modern, em Bankside, é dedicada à arte moderna e contemporânea internacional a partir de 1900. A Tate Britain, em Millbank, é dedicada só à arte britânica, de 1500 até hoje, e guarda o maior acervo de Turner do mundo. Quem tem só um dia e gosta mais de arte contemporânea escolhe a Modern; quem prefere pintura britânica histórica escolhe a Britain.
Os museus de Londres são todos gratuitos?
Os grandes museus nacionais — National Gallery, British Museum, V&A, Tate Modern e Tate Britain — e a Wallace Collection têm entrada gratuita ao acervo permanente. A Courtauld Gallery e a Dulwich Picture Gallery, por serem instituições independentes, cobram ingresso para o acervo permanente.
Qual museu pequeno vale mais a pena para quem gosta de pintura?
A Courtauld Gallery, pela concentração de impressionismo e pós-impressionismo num espaço pequeno, e a Wallace Collection, pela escala doméstica da mansão onde o acervo está exposto desde 1900 — os dois entregam uma experiência mais concentrada do que qualquer museu nacional.
Como organizar o roteiro para não atravessar Londres todo dia?
Agrupando por região: centro (National Gallery e British Museum), South Kensington (V&A), margens do Tâmisa (Tate Modern e Tate Britain, ligadas por barco), Strand e Marylebone (Courtauld Gallery e Wallace Collection). Whitechapel Gallery, Serpentine e Dulwich Picture Gallery ficam fora desse eixo central e pedem um deslocamento dedicado cada um.
Fontes
- National Gallery — Wikipedia
- The Fighting Temeraire — Wikipedia
- Joseph Mallord William Turner | The Fighting Temeraire | NG524 — National Gallery, London
- Tate Modern — Wikipedia
- Tate Modern — Visit (Tate, official)
- Tate Britain — Wikipedia
- British Museum — Wikipedia
- General admission — British Museum (official ticketing)
- Victoria and Albert Museum — Wikipedia
- V&A — official site
- Courtauld Gallery — Wikipedia
- Wallace Collection — Wikipedia
- Wallace Collection — Visit (official)
- Dulwich Picture Gallery — Wikipedia
- Whitechapel Gallery — Wikipedia
- Visit Us — Whitechapel Gallery (official)
- Guernica Pictures by Picasso, Whitechapel Art Gallery, London, 1939 — Museo Reina Sofía
- Serpentine Galleries — Wikipedia
- The Fighting Temeraire, JMW Turner, National Gallery — Wikimedia Commons
Planejando o roteiro de museus em Londres?
Se um museu ou uma obra específica virou referência para o seu olhar, fale com o ateliê sobre as peças do acervo Perfeito Studio.
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