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MASP ou Pinacoteca: qual visitar em São Paulo

Para ver os grandes nomes da pintura europeia numa só visita, o MASP é a escolha certa — tem o acervo europeu mais importante do hemisfério sul. Para entender a formação da pintura brasileira do século 19 ao contemporâneo, é a Pinacoteca. Os dois ficam perto e dá para visitar ambos no mesmo dia.
O Violeiro, pintura de José Ferraz de Almeida Júnior de 1899, no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo
O Violeiro (1899), Almeida Júnior — acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. O Violeiro, Almeida Júnior (1850–1899). Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. Domínio público. Fonte: commons.wikimedia.org

MASP e Pinacoteca: dois acervos, dois eixos diferentes

Os dois museus mais citados de São Paulo respondem a perguntas diferentes, e boa parte da confusão entre eles vem de tratá-los como concorrentes diretos, quando na verdade têm eixos complementares.

O MASP reúne cerca de 10 mil obras, entre arte africana, das Américas, asiática, brasileira e europeia, da Antiguidade ao século 21 — mas é reconhecido, sobretudo, como o acervo de arte europeia mais importante do hemisfério sul. Em 2008, o Museu d'Orsay convidou o MASP a integrar o "Clube dos 19", grupo seleto de museus com coleções relevantes de arte europeia do século 19. Nomes como Rafael, Portinari, Van Gogh, Cézanne, Renoir, Monet e Picasso convivem no mesmo salão.

A Pinacoteca do Estado é o museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905, com cerca de 11 mil peças dedicadas à produção brasileira — do século 19 até a arte contemporânea, sempre em diálogo com outras culturas. Aqui não há disputa de protagonismo com acervos estrangeiros: o recorte é declaradamente nacional, e é isso que torna a visita complementar à do MASP, não repetitiva.

Os dois prédios: Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha

Além do acervo, os dois museus são também dois marcos da arquitetura brasileira — e cada prédio propõe um jeito diferente de olhar para a arte dentro dele.

O prédio do MASP na Avenida Paulista, inaugurado em 1968, é assinado por Lina Bo Bardi. O volume principal é sustentado por quatro pilares vermelhos que erguem a estrutura, criando um vão livre coberto que funciona como praça pública sob o museu — um gesto urbano raro, que devolve à cidade o espaço que o edifício ocupa. Dentro, o acervo é exibido sem paredes: as telas ficam soltas em cavaletes de vidro temperado apoiados sobre blocos de concreto, sem hierarquia entre elas. A ficha técnica de cada obra fica no verso do cavalete, não ao lado — Lina queria que o primeiro encontro do visitante fosse com a pintura, não com a legenda.

O prédio da Pinacoteca, na região da Luz, é bem mais antigo: projetado por Ramos de Azevedo por volta de 1900 para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios. Entre 1993 e 1998, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, com Eduardo Colonelli e Weliton Ricoy Torres, conduziu a reforma que definiu o edifício como ele é hoje: coberturas de vidro sobre os vãos internos, passarelas metálicas que atravessam o espaço e a alvenaria original exposta, sem revestimento decorativo escondendo a estrutura antiga. O projeto recebeu o Prêmio Mies van der Rohe para a América Latina.

São dois gestos opostos com o mesmo objetivo: Lina remove a parede e a hierarquia de suporte para democratizar o olhar; Paulo Mendes da Rocha mantém a estrutura histórica à vista e usa a luz natural para tratar o prédio antigo como parte do acervo, não como pano de fundo.

Qual visitar, conforme seu interesse

  • Quer ver clássicos europeus com nomes internacionais numa visita rápida? Vá ao MASP — é o acervo mais concentrado de grandes nomes europeus da cidade.
  • Quer entender a formação da pintura brasileira dos últimos dois séculos? Vá à Pinacoteca — é o museu dedicado justamente a essa trajetória, do século 19 ao contemporâneo.
  • É apaixonado por arquitetura brasileira moderna? Vale fazer os dois, pelo contraste direto entre o gesto de Lina Bo Bardi e o de Paulo Mendes da Rocha, duas respostas radicalmente diferentes para o mesmo problema — como abrigar um acervo.
  • Tem pouco tempo em São Paulo e quer um único marco? O MASP costuma ser o mais reconhecido internacionalmente, pela combinação de acervo europeu e silhueta icônica na Avenida Paulista.

Fazendo os dois no mesmo dia: da Paulista à Luz

A distância entre os dois não é obstáculo — dá para encaixar as duas visitas no mesmo dia, começando pelo MASP, na Avenida Paulista, e seguindo depois para a região da Luz, onde fica a Pinacoteca. O trajeto é curto de metrô, e vale reservar a manhã para um museu e a tarde para o outro, sem pressa entre os dois.

Ao chegar na Luz, a Pinacoteca tem um segundo endereço próximo, a Estação Pinacoteca, que amplia o acervo em exibição na região. E a área ao redor guarda outros pontos que valem o mesmo passeio: o Parque da Luz, o prédio histórico da Estação da Luz e a Sala São Paulo, sala de concertos instalada dentro da antiga estação. É um bairro que rende a tarde inteira, não só a passagem pela Pinacoteca.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

Antes de pintar, eu me formei em arquitetura — e esses dois prédios são referência direta da minha formação, não uma visita qualquer de turista. Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha resolveram o mesmo problema, abrigar um acervo, de dois jeitos opostos, e os dois me ensinaram algo que uso até hoje no ateliê.

O gesto de Lina nos cavaletes de vidro do MASP é o que mais me marca: ela deixa ver o verso da tela, o bastidor, a estrutura que sustenta a pintura — porque uma obra também é isso, não só a imagem da frente. É a mesma lógica que sigo quando mando pro colecionador uma foto do verso do quadro antes de qualquer coisa: o bastidor, a costura da tela, minha assinatura e a data escritas à mão, longe da imagem que todo mundo vê primeiro. Paulo Mendes da Rocha faz algo parecido em outra escala, na Pinacoteca — ele não esconde a estrutura antiga do prédio atrás de acabamento novo, deixa a alvenaria original à mostra como parte do que se vê. Os dois me ensinaram a mesma coisa: o que sustenta uma obra por trás também é verdade sobre ela, e vale mostrar.

Perguntas frequentes

Qual é a principal diferença entre o MASP e a Pinacoteca?

O MASP é reconhecido como o acervo de arte europeia mais importante do hemisfério sul, embora também tenha arte africana, asiática, das Américas e brasileira. A Pinacoteca é dedicada especificamente à arte brasileira, do século 19 ao contemporâneo.

O MASP também tem arte brasileira?

Sim. O acervo do MASP inclui nomes brasileiros importantes, como Portinari, Almeida Júnior e Anita Malfatti, expostos lado a lado com o acervo europeu — mas o museu é reconhecido internacionalmente, sobretudo, pela força da sua coleção europeia.

A Pinacoteca é só sobre arte do século 19?

Não. O recorte da Pinacoteca vai do século 19 até a produção contemporânea brasileira — o museu acompanha a trajetória da arte do país ao longo de mais de cem anos, não só o período histórico.

Dá para visitar o MASP e a Pinacoteca no mesmo dia?

Dá, sim. Os dois ficam a um trajeto curto de metrô um do outro — o MASP na Avenida Paulista e a Pinacoteca na região da Luz — e é comum reservar a manhã para um e a tarde para o outro.

A obra da Alyne Perfeito está no acervo do MASP ou da Pinacoteca?

Não. O Perfeito Studio é um ateliê independente, sediado em Brasília — não integra o acervo de nenhum dos dois museus. A relação que existe é de formação e olhar: uma artista formada em arquitetura observando dois dos projetos expográficos mais influentes do país.

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