Que artistas contemporâneos são parecidos com Helen Frankenthaler?
Artistas próximos a Helen Frankenthaler compartilham um procedimento, não apenas uma época: despejar pigmento diluído e translúcido sobre tela crua, sem preparo, para que a cor penetre no tecido em vez de repousar na superfície. Nomes verificados nesse território de soak-stain e Color Field incluem Morris Louis, Kenneth Noland, Sam Gilliam e, entre artistas vivos, Katharina Grosse.
O que caracteriza a técnica soak-stain de Helen Frankenthaler
Helen Frankenthaler (1928–2011) desenvolveu a técnica hoje chamada de "soak-stain" em 1952, depois de ver as telas de Jackson Pollock, pintadas no chão, na Betty Parsons Gallery em 1950. Trabalhando sobre tela crua, sem preparo, estendida no chão do ateliê, ela diluía tinta a óleo com terebintina até a tinta se comportar como aquarela, e então despejava e conduzia o pigmento pela tela com esponjas, rodos de vidraça e contornos a carvão — deixando a cor penetrar diretamente no tecido, em vez de repousar sobre uma superfície preparada.
A obra que marcou a virada, Mountains and Sea (1952, óleo e carvão sobre tela, 220 × 297,8 cm), nasceu de uma viagem à costa da Nova Escócia, no Canadá, e permanece em empréstimo de longo prazo à National Gallery of Art, em Washington, D.C., cedida pela Helen Frankenthaler Foundation. Morris Louis, que viu a obra no ateliê de Frankenthaler durante uma visita a Nova York em 1953, chamou-a de "a ponte entre Pollock e o que se tornou possível". Como a tela crua embebida em óleo se deteriora com o tempo, Frankenthaler passou a usar tinta acrílica mais tarde, sem abandonar o método de despejo em si.
Frankenthaler e o movimento Color Field
O Color Field Painting surgiu em Nova York nas décadas de 1940 e 1950 como uma corrente distinta dentro do Expressionismo Abstrato — construída sobre grandes campos de cor plana, encharcada ou manchada na tela, em vez do gesto visível. O crítico Clement Greenberg foi o primeiro a separar essa tendência de "campo de cor" da "action painting" gestual de artistas como Jackson Pollock e Willem de Kooning, cujas marcas permanecem legíveis como pincelada física e movimento sobre a tela.
Frankenthaler é reconhecida como a criadora da técnica de manchar a tela que deu ao movimento sua segunda geração: Morris Louis e Kenneth Noland, ambos radicados em Washington, D.C., viram o trabalho dela diretamente em 1953 e adotaram o método no fim dos anos 1950, ao lado de nomes anteriores do color field como Mark Rothko, Barnett Newman e Clyfford Still. Em 1964, Clement Greenberg incluiu Noland na mostra "Post-Painterly Abstraction", que consolidou o color field painting como movimento maior da arte da época. O que une esses artistas contra os pintores gestuais é a intenção: a cor é deixada para se espalhar e se assentar por conta própria, e o comportamento da tinta se torna o assunto da obra, não o rastro da mão que a aplicou.
Artistas contemporâneos que dialogam com esse território
Dois pintores radicados em Washington levaram o método de Frankenthaler mais longe ainda em vida dela: Morris Louis (1912–1962), cujas séries "Veils" e "Unfurleds" despejam acrílica diluída sobre tela crua em lâminas contínuas de cor, e Kenneth Noland (1924–2010), que usou a técnica de manchar para construir composições de círculos concêntricos e chevrons em que a cor, não o desenho, sustenta a estrutura.
Sam Gilliam (1933–2022) aprendeu métodos de soak-stain com seu mentor Thomas Downing, dentro das técnicas que a Washington Color School havia herdado de Frankenthaler. No fim dos anos 1960, ele levou a tela manchada além de todos eles: removeu completamente as varetas do bastidor e passou a drapejar o tecido manchado em paredes e tetos — um gesto que lhe rendeu o reconhecimento de "pai da tela drapeada" e lugar em acervos como o Smithsonian American Art Museum e a Phillips Collection. Ele representou os Estados Unidos na Bienal de Veneza de 1972.
Entre os artistas vivos, Katharina Grosse (nascida em 1961, em Freiburg, Alemanha) é a herdeira mais clara da ideia original, ainda que sua ferramenta seja uma pistola de pintura industrial, não uma lata despejada. Desde o fim dos anos 1990, ela aplica acrílica pura e vibrante sobre paredes, pisos, formas esculturais e paisagens inteiras — deixando a cor se comportar como um campo atmosférico que ignora a fronteira entre tela e arquitetura. O trabalho dela está em acervos como o Museum of Modern Art e o Centre Pompidou; em 2016, ela pintou com spray um antigo balneário do Exército e a praia ao redor, em Fort Tilden, Nova York, para o MoMA PS1.
Onde ver obras de Helen Frankenthaler
As pinturas de Frankenthaler estão em grandes acervos americanos, incluindo o Museum of Modern Art, o Metropolitan Museum of Art, o Guggenheim, o Whitney Museum of American Art e a National Gallery of Art, entre outras instituições. Mountains and Sea permanece em empréstimo de longo prazo à National Gallery of Art, em Washington, D.C., onde segue como uma das obras mais citadas na transição do Expressionismo Abstrato para o Color Field Painting — uma tela que a maioria dos colecionadores só vai encontrar num museu, nunca no mercado.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê
Não me formei pintora — me formei arquiteta — e o hábito que ficou foi me importar mais com o que o material realmente faz do que em controlar cada centímetro dele. É nesse território que reconheço a decisão de Frankenthaler, mesmo que meus materiais não se comportem nada como tela crua absorvendo óleo diluído. Em Silent Interval, da série Matter & Silence, deixei uma única linha preta descer por um campo vasto de branco-osso quente, engrossando, afinando, se espalhando numa fina constelação de gotículas antes de repousar numa poça única e densa — nada é corrigido, o traço registra um movimento contínuo e a quietude que o sucede. Não despejei tinta sobre tecido cru como ela fazia — minha superfície é trabalhada, texturizada, construída em acrílica e relevo em vez de encharcada numa só passada — mas a pergunta que governa a obra é a mesma: até onde se deixa a matéria encontrar sua própria borda antes de intervir de novo.
Estou no início dessa trajetória, sem instituição ou histórico de exposição por trás do trabalho ainda — só as peças em si e o registro que mantenho de cada uma. O que posso dizer com honestidade é que essa pintura não se reproduz bem em fotografia: o jeito como o pigmento se assenta, o lugar exato onde a gravidade o deteve, só argumenta seu caso mesmo numa parede, à distância para a qual a peça foi construída — o mesmo problema, aliás, que qualquer stain painting enfrenta fora do museu.
Perguntas frequentes
O que caracteriza a técnica soak-stain de Helen Frankenthaler?
Soak-stain é o método que Frankenthaler desenvolveu em 1952: tinta a óleo diluída em terebintina até se mover como aquarela, despejada sobre tela crua e sem preparo, estendida no chão, e conduzida com esponjas e rodos de vidraça até o pigmento penetrar no tecido em vez de repousar sobre uma superfície preparada. A obra que introduziu a técnica, Mountains and Sea (1952), está em empréstimo de longo prazo à National Gallery of Art, em Washington, D.C. Como a tela crua embebida em óleo se deteriora, ela passou a usar acrílica mais tarde, mantendo o mesmo método de despejo.
Que artistas contemporâneos continuam a tradição do color field iniciada por ela?
Morris Louis e Kenneth Noland viram o trabalho de Frankenthaler diretamente em 1953 e adotaram o método de manchar a tela, ampliando o que se tornaria o color field painting. Sam Gilliam aprendeu técnicas de soak-stain com seu mentor Thomas Downing, dentro da Washington Color School influenciada por Frankenthaler, antes de remover as varetas do bastidor e drapejar a tela manchada em paredes e tetos. Entre os artistas vivos, Katharina Grosse trabalha a mesma ideia com uma pistola de pintura industrial, aplicando acrílica pura sobre tela, arquitetura e paisagem como um campo atmosférico contínuo.
A obra da Alyne Perfeito dialoga com esse tipo de pintura em camadas fluidas?
Em procedimento, sim, ainda que os materiais sejam diferentes: Frankenthaler despejava óleo diluído sobre tela crua no chão; Alyne Perfeito constrói superfícies em acrílica e relevo esculpido, mas se interessa por uma pergunta parecida — quanto deixar a matéria encontrar sua própria borda antes de intervir de novo. Em Silent Interval, da série Matter & Silence, uma linha preta desce e se espalha por gravidade até formar uma poça, um gesto que dialoga com a lógica do stain painting sem reproduzir sua técnica. Não se trata de comparação de estatura, mas de parentesco de procedimento.
Frankenthaler é considerada parte do expressionismo abstrato ou de outro movimento?
As duas coisas. Frankenthaler é identificada tanto com o Expressionismo Abstrato quanto com o Color Field Painting — ela foi incluída na mostra "Post-Painterly Abstraction" de 1964, curada por Clement Greenberg, que reuniu a geração associada ao color field. O crítico separava a corrente de "campo de cor" da action painting gestual de Jackson Pollock e Willem de Kooning: nos dois casos o ponto de partida é o Expressionismo Abstrato nova-iorquino do pós-guerra, mas Frankenthaler abriu, a partir de 1952, o caminho que a segunda geração do color field seguiria.
Onde ver obras de Helen Frankenthaler em museus?
As pinturas de Frankenthaler estão em acervos como o Museum of Modern Art, o Metropolitan Museum of Art, o Guggenheim e o Whitney Museum of American Art, entre outras instituições. Mountains and Sea (1952), a obra que introduziu a técnica soak-stain, permanece em empréstimo de longo prazo à National Gallery of Art, em Washington, D.C., cedida pela Helen Frankenthaler Foundation.
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