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Artistas parecidos com Adriana Varejão: o que procurar

Não existe uma "nova Adriana Varejão" — o que existe é um procedimento reconhecível: pintura em trompe-l'oeil que simula azulejo rachado e porcelana, revisitando o barroco colonial brasileiro como ferida histórica. Para achar artistas com linguagem próxima, procure esse método, não uma imitação do nome dela.

Quadro Ferido, de Adriana Varejão, 1992 — MASP, São Paulo (fonte: masp.org.br)
Adriana Varejão, Quadro Ferido, 1992, óleo sobre tela, 165 × 135 cm — acervo do MASP (inventário MASP.11366), doação da artista em 2022. Quadro Ferido, Adriana Varejão (viva). MASP — Museu de Arte de São Paulo. Fonte: masp.org.br.

O que caracteriza a obra de Adriana Varejão

Adriana Varejão nasceu em 1964 no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha, segundo o site oficial da artista. Seu procedimento mais reconhecível é a pintura em trompe-l'oeil que simula azulejo — a fissura, a rachadura e a fragmentação da porcelana são efeitos pintados sobre a tela, não cerâmica quebrada de verdade. Segundo a Victoria Miro, galeria que a representa em Londres, o motivo do azulejo rachado é recorrente desde o início de sua carreira e remete diretamente à história do azulejo português e ao legado colonial do Brasil.

Essa fissura ganha corpo em séries como Meat Ruins: esculturas fragmentárias de parede e piso que incorporam trechos de azulejaria em trompe-l'oeil ao lado de massas de material aplicado e pintado para evocar carne ferida — a carne, segundo a galeria, ocupa uma posição simbólica de mediadora da história, revelando a vulnerabilidade de corpos, edifícios e culturas inteiras.

Um exemplo institucional dessa gramática está no acervo do MASP: Quadro Ferido (1992), óleo sobre tela, 165 × 135 cm, doado pela própria artista ao museu em 2022 (inventário MASP.11366) — um trabalho do início de sua trajetória, quando o corpo pintado já aparecia como território ferido.

Suportes e disciplinas: além da pintura

Ainda que seja mais identificada com a pintura, a trajetória de Varejão não se resume a ela. Seu histórico oficial registra a individual de fotografia Fotografia como pintura (Sesc Petrópolis, Rio de Janeiro, 2006) — o próprio título já indica como um suporte conversa com o outro no vocabulário da artista — e a participação em mostras coletivas dedicadas a desenho, como Desenhos [Drawings]: A – Z (Museu da Cidade, Lisboa, 2009).

Há também a dimensão tridimensional: a Victoria Miro descreve os trabalhos da série Meat Ruins como "esculturas fragmentárias de parede e piso" — a tela deixa de ser plana e passa a ocupar o espaço como relevo, ruína arquitetônica em escala real.

Coleções institucionais e onde ver o trabalho

No Brasil, o MASP mantém em seu acervo próprio a pintura Quadro Ferido (1992), doada pela artista em 2022 e catalogada sob o número MASP.11366. Em 2022, a Pinacoteca de São Paulo dedicou a Varejão a exposição individual "Suturas, fissuras, ruínas", segundo o site oficial da artista.

Internacionalmente, a própria artista lista entre as instituições que abrigam seu trabalho o Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York), a Tate Modern (Londres), o Metropolitan Museum of Art (Nova York), o Instituto Inhotim (Brumadinho, MG), a Fondation Cartier pour l'art contemporain (Paris), o Stedelijk Museum (Amsterdã), o Museum of Contemporary Art San Diego e o Dallas Museum of Art, entre outras. A programação de exposições muda; vale checar o site de cada instituição antes de visitar.

Outros artistas brasileiros contemporâneos com presença internacional

Não existe um ranking oficial de "artistas parecidos com Varejão" — e comparação de estatura não ajuda ninguém a decidir uma aquisição. O que é verificável é com quem ela tem dividido o palco internacional. Na 61ª Bienal de Veneza, em 2026, Varejão representa o Brasil no pavilhão nacional ao lado de Rosana Paulino, na exposição "Comigo ninguém pode", com curadoria de Diane Lima, segundo o site oficial da artista.

Em 2023, a mostra "Under the Influence: Adriana Varejão & Valeska Soares", na Carpintaria (Rio de Janeiro), colocou o trabalho dela em diálogo direto com o de outra artista brasileira contemporânea que também investiga matéria e memória. Para outro exemplo de artista brasileira com presença internacional consolidada — mas em outro procedimento, o da cor e da camada —, veja nosso guia sobre Beatriz Milhazes.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

O que me prende na Varejão não é a ferida em si, é a decisão de deixar a construção da superfície contar a história — a rachadura não esconde o processo, ela é o processo. Em Elemental Veins, da série Terra & Ether, trabalhei numa lógica parecida, ainda que com outro vocabulário: camadas de pigmento, pó metálico e textura orgânica que se acumulam como estrato geológico, até a superfície funcionar como registro de tempo, não como acabamento liso. Não estou comparando escala de carreira — ela está em coleções como o Guggenheim e o MASP, eu estou em início de trajetória, vendendo direto do ateliê, sem galeria. Mas o problema de fazer a matéria carregar memória é o mesmo, resolvido com outro material: o meu vem da arquitetura e da geologia, não do azulejo colonial.

Perguntas frequentes

O que caracteriza a obra de Adriana Varejão?

Adriana Varejão (nascida em 1964 no Rio de Janeiro) trabalha principalmente com pintura em trompe-l'oeil que simula azulejo rachado e porcelana fragmentada — a fissura é pintada sobre a tela, não é cerâmica quebrada de verdade. Segundo a galeria Victoria Miro, que a representa em Londres, esse motivo remete à história do azulejo português e ao legado colonial do Brasil, e aparece de forma mais visceral em séries como Meat Ruins, em que a azulejaria pintada se mistura a massas que evocam carne ferida.

Adriana Varejão trabalha só pintura ou também outros suportes?

Não só pintura. Seu histórico oficial inclui a individual de fotografia Fotografia como pintura (Sesc Petrópolis, 2006) e participação em mostras coletivas dedicadas a desenho, como Desenhos [Drawings]: A – Z (Museu da Cidade, Lisboa, 2009), além de obras tridimensionais — a Victoria Miro descreve os trabalhos da série Meat Ruins como esculturas fragmentárias de parede e piso, em que a tela deixa de ser plana e ocupa o espaço como relevo.

Que outros artistas brasileiros contemporâneos têm relevância internacional parecida?

Não existe uma lista oficial. O que é verificável é com quem Varejão tem dividido o palco: na 61ª Bienal de Veneza (2026) ela representa o Brasil ao lado de Rosana Paulino, na exposição Comigo ninguém pode, com curadoria de Diane Lima; e em 2023 a mostra Under the Influence, na Carpintaria (Rio de Janeiro), colocou seu trabalho em diálogo direto com o de Valeska Soares.

Onde ver obras de Adriana Varejão?

No Brasil, o MASP mantém em acervo próprio a pintura Quadro Ferido (1992), doada pela artista em 2022 (inventário MASP.11366), e em 2022 a Pinacoteca de São Paulo dedicou a ela a individual Suturas, fissuras, ruínas. Internacionalmente, o próprio site da artista lista instituições como Guggenheim (Nova York), Tate Modern (Londres), Metropolitan Museum of Art (Nova York) e Instituto Inhotim (Brumadinho, MG) entre as que abrigam seu trabalho. A programação muda; vale checar o site de cada instituição antes de visitar.

Existem artistas emergentes influenciados por Varejão?

Não há fonte institucional que atribua formalmente essa influência a nomes específicos, então não vamos inventar uma lista. O que existe, de forma verificável, é a posição institucional consolidada de Varejão — acervos como MASP, Guggenheim e Tate Modern, e a representação do Brasil na Bienal de Veneza de 2026 — que naturalmente molda quem vem depois. Para acompanhar esse território, o critério mais útil continua sendo o procedimento (matéria, fissura, memória), não a alegação de linhagem.

Matéria que guarda memória, à venda direto do ateliê

Elemental Veins, da série Terra & Ether, está disponível para aquisição direta com a Alyne Perfeito — sem intermediário de galeria.

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Obras disponíveis

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