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O que é underpainting em pintura?

Underpainting é a primeira camada de tinta aplicada sobre a tela já preparada, geralmente monocromática, que define os valores de luz e sombra antes da entrada das cores finais. A prática vem da pintura a óleo clássica — grisaille, verdaccio, imprimatura — mas a lógica de construir a obra em camadas sucessivas atravessa também a pintura contemporânea.

Diagrama esquemático mostrando a sequência de camadas de uma pintura — tela preparada, underpainting monocromático e camadas finais de cor — Perfeito Studio
Ilustração esquemática — Perfeito Studio.

O que é underpainting, exatamente

Underpainting é a técnica de aplicar uma primeira camada de tinta sobre a tela já preparada, destinada a ser coberta por camadas posteriores — é uma camada de trabalho, não a superfície final. A definição segue o consenso da literatura de técnica pictórica: uma camada inicial de tinta aplicada sobre o suporte, que serve de base para as camadas seguintes.

Essa camada costuma ser monocromática ou próxima disso — um cinza, um tom terroso, um marrom — e sua função não é decorativa. Ela existe para o pintor resolver, antes de entrar com a cor, onde ficam as luzes e as sombras da composição, sem a variável extra da cor competindo com a variável do valor tonal.

Por que os pintores usam essa camada inicial

A vantagem prática é dupla. Primeiro, o underpainting resolve o desenho e os valores de luz e sombra antes de qualquer decisão de cor — o pintor acerta onde a composição é mais clara e mais escura numa etapa isolada, sem tentar resolver tom e cor ao mesmo tempo. Segundo, ele evita um problema comum de misturar tintas fisicamente na paleta: cores muito trabalhadas tendem a ficar opacas e sem vida, um efeito que pintores costumam chamar de "suja". Trabalhar em camadas — underpainting por baixo, cor por cima, muitas vezes com veladuras finas — permite construir tons que a mistura direta na paleta não produz.

Na acrílica, o underpainting ganha uma vantagem adicional: ao contrário da tinta a óleo, cujo tempo de secagem varia por pigmento, toda a paleta acrílica seca no mesmo ritmo — o que torna qualquer cor da paleta igualmente utilizável para a camada de base, sem o risco de uma camada ainda úmida ficar presa sob outra já seca.

Grisaille, verdaccio e imprimatura: os tipos de underpainting monocromático

A literatura de técnica pictórica identifica algumas variações canônicas de underpainting monocromático. Grisaille é a mais direta: um underpainting inteiramente em cinza, que define valores de luz e sombra sem qualquer informação de cor. Verdaccio usa um cinza puxado para o verde ou o amarelo, valorizado por trazer à tona tons finais mais luminosos quando as cores entram por cima. Imprimatura, por sua vez, parte de tons terrosos como base tonal.

Nenhuma dessas variações é obrigatória nem superior às outras — são ferramentas diferentes para o mesmo problema, decidir o mapa de valores antes de decidir a cor —, e a escolha depende do efeito final que o pintor busca.

O underpainting aparece no resultado final da obra?

Depende de quanto as camadas seguintes cobrem. Se a cor final é aplicada de forma espessa e opaca, o underpainting desaparece por completo sob ela — sua função foi cumprida na etapa de planejamento, e nada dele permanece visível. Mas se o pintor usa veladura — camadas finas e translúcidas — nas etapas seguintes, o underpainting pode continuar influenciando o resultado visível: a cor de baixo participa opticamente da cor final, mesmo sem aparecer como uma camada isolada.

É essa combinação — underpainting monocromático por baixo, veladuras de cor por cima — que caracteriza boa parte da pintura a óleo em camadas da tradição europeia, do Renascimento em diante.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê: a lógica do underpainting em Patina Field

Não trabalho com underpainting clássico — não começo nenhuma tela com uma camada cinza ou verdaccio para resolver valores antes da cor, como fariam os pintores da tradição a óleo que essa técnica descreve. Minha entrada costuma ser mais direta: pigmento, textura, gesto, sem uma etapa monocromática isolada de planejamento tonal.

Mas Patina Field, da série Terra & Ether, segue uma lógica de construção em camadas que se aproxima do princípio por trás do underpainting, mesmo partindo de outro lugar. Ali eu construo e removo: aplico pigmento, raspo de volta, aplico de novo, até a superfície registrar desgaste em vez de gesto isolado. Cada camada aplicada não é a camada final — ela existe para ser parcialmente apagada e revelar o que está embaixo, o mesmo princípio de trabalho que sustenta o underpainting: nenhuma camada sozinha é o quadro, o quadro é o que sobra depois que várias camadas conversam entre si.

Patina Field tem 100 × 100 cm, acrílica sobre tela, e é a obra do acervo que mais discute essa ideia de construção acumulada — a decisão de avançar ou de recuar, camada sobre camada, até a tela registrar a própria história de como foi feita.

Perguntas frequentes

O que é underpainting e para que serve?

Underpainting é a primeira camada de tinta aplicada sobre a tela já preparada, geralmente monocromática, destinada a ser coberta pelas camadas seguintes. Serve para o pintor resolver os valores de luz e sombra da composição antes de entrar com a cor final, evitando decidir tom e cor ao mesmo tempo. É também mais eficiente: como a camada de base não depende da paleta completa, o pintor concentra a atenção só no mapa de claro e escuro, deixando a cor para uma etapa posterior e mais controlada.

Underpainting é a mesma coisa que a base de gesso da tela?

Não. O gesso é a preparação estrutural da tela — uma camada neutra aplicada antes de qualquer pintura, que sela a superfície e dá aderência à tinta, independente do estilo da obra. O underpainting vem depois do gesso e já é uma decisão artística: uma primeira camada de tinta, geralmente monocromática, que mapeia luz e sombra da composição específica que está sendo pintada. Todo quadro pintado sobre tela pronta passou por preparação com gesso; nem todo quadro tem uma etapa de underpainting.

Todo pintor usa underpainting?

Não. É uma ferramenta da tradição de pintura em camadas, associada sobretudo à pintura a óleo clássica, mas está longe de ser universal. Muitos pintores trabalham de forma direta — aplicando a cor final sem uma etapa monocromática de planejamento tonal isolada — e isso não é considerado uma técnica inferior, é apenas outra lógica de trabalho. A escolha depende do efeito buscado e do quanto o pintor quer resolver os valores antes de entrar com a cor.

O underpainting aparece no resultado final da obra?

Depende de quanto as camadas seguintes cobrem. Se a cor final é espessa e opaca, o underpainting desaparece completamente por baixo dela — cumpriu a função de planejamento e não fica visível. Mas se o pintor usa camadas finas e translúcidas por cima (veladura), a cor de baixo continua participando opticamente do resultado final, mesmo sem aparecer isolada. Nesse caso, o underpainting molda o tom final mesmo estando coberto.

Isso é usado em pintura abstrata contemporânea também?

A técnica clássica de underpainting monocromático — grisaille, verdaccio, imprimatura — está mais associada à tradição figurativa em óleo. Mas a lógica geral de construir a obra em camadas sucessivas, em que uma camada inicial condiciona o que vem depois, atravessa também práticas contemporâneas e abstratas, ainda que sem seguir o procedimento clássico à risca. No ateliê, por exemplo, essa lógica aparece de forma diferente — como um processo de construir e remover, e não como uma etapa isolada de planejamento tonal.

Fontes

  1. Wikipedia — 2026-08-10
  2. Just Paint (Golden Artist Colors) — 2026-08-10

Quer ver de perto como o ateliê constrói em camadas?

Patina Field é a obra do acervo que mais discute essa lógica de construção acumulada — pedimos fotos de detalhe em alta resolução antes de qualquer decisão de aquisição.

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