Journal · Técnicas e materiais

O que é pastel a óleo como técnica artística

Pastel a óleo é um bastão de pigmento puro ligado por cera e óleo não secativo — nunca giz. Ele nunca seca por completo e pode ser diluído com solvente, como tinta. Nasceu no Japão em 1924, como material escolar, e virou ferramenta profissional em 1949, quando a Sennelier o desenvolveu a pedido de Picasso.

Diagrama esquemático das camadas de aplicação do pastel a óleo sobre papel, com etapa de diluição com solvente — Perfeito Studio
Ilustração esquemática — Perfeito Studio. Perfeito Studio.

Do que é feito o pastel a óleo

Pastel a óleo é um bastão de pigmento em pó ligado por uma mistura de cera e óleo não secativo — não por goma ou giz, como no pastel seco tradicional. Essa diferença de aglutinante é o que dá ao material sua textura cremosa e untuosa, bem distante da consistência pulverulenta do pastel de giz. Nos bastões profissionais, como os desenvolvidos pela Sennelier, os pigmentos são moídos com um meio aglutinante inerte que não oxida e depois misturados a cera de pH neutro, o que resulta em cor mais intensa, melhor cobertura e maior estabilidade à luz.

Da sala de aula ao ateliê profissional: a origem do pastel a óleo

O pastel a óleo nasceu como material escolar. A empresa japonesa Sakura Cray-Pas, fundada em 1921 pelos professores Satake e Sasaki, desenvolveu o produto em 1924 para corrigir um problema dos gizes de cera comuns: baixa concentração de pigmento e pouca capacidade de mistura entre cores.

A versão profissional surgiu décadas depois, em Paris. Em 1949, o pintor Henri Goetz procurou o fabricante Henri Sennelier a pedido de Pablo Picasso, que buscava um material que pudesse ser usado livremente sobre qualquer superfície sem desbotar nem rachar. O resultado foi o primeiro pastel a óleo voltado a artistas profissionais — um material diferente, em qualidade de pigmento e textura, do produto escolar japonês criado 25 anos antes.

Técnicas principais: camada, sgraffito e diluição com solvente

O pastel a óleo aceita algumas técnicas que o pastel seco não permite com a mesma facilidade. As principais:

  • Camadas (layering): como o material é opaco e untuoso, cores se sobrepõem sem misturar totalmente, criando profundidade e variação de valor.
  • Sgraffito: raspar uma camada de cor já aplicada com um instrumento pontiagudo para revelar a cor de baixo — só é possível porque o pastel a óleo nunca endurece por completo.
  • Diluição com solvente: terebintina ou similares dissolvem parcialmente o bastão, permitindo esfumar a cor e criar um efeito de lavado, semelhante ao de uma aquarela ou de uma tinta fluida.
  • Sub-pintura (underpainting): uma primeira camada solta de valores e cores, sobre a qual as camadas seguintes são construídas.

Pastel a óleo, pastel seco e tinta a óleo: onde cada um se encaixa

Os três nomes soam parecidos, mas descrevem materiais com comportamento distinto. O pastel seco tem uma composição diferente e uma textura mais pulverulenta, bem distinta da consistência cremosa do pastel a óleo. O pastel a óleo troca esse aglutinante por cera e óleo não secativo: a superfície é menos pulverulenta, mas justamente por isso é mais difícil de proteger com fixador convencional. Já a tinta a óleo é um pigmento disperso em óleo secativo, aplicado com pincel ou espátula, e seca por oxidação — um processo químico que o pastel a óleo não tem.

Por que o pastel a óleo nunca seca por completo

Diferente da tinta a óleo, o pastel a óleo nunca seca por completo — o óleo usado na fórmula é não secativo, ou seja, não passa pelo processo de oxidação que endurece a tinta a óleo convencional. Na prática, isso significa que a superfície permanece levemente maleável e sensível ao toque e ao atrito por tempo indefinido, o que também torna a fixação convencional menos eficaz do que em um pastel seco. É por isso que obras em pastel a óleo costumam ser emolduradas sob vidro, sem contato direto entre a superfície e o vidro.

O olhar do ateliê

O oposto do que busco na superfície

Não trabalho com pastel a óleo, e o motivo tem a ver com o que eu busco na superfície de uma tela. O que me atrai nesse material — a mistura pronta, a cor que nunca termina de fixar, a possibilidade de raspar e voltar atrás meses depois — é quase o oposto do que persigo com acrílica e pasta de textura: uma camada que é construída, seca e trava, ponto final. Em Silent Interval, da série Matter & Silence, a superfície é resultado de várias passagens de acrílica e material texturizante aplicadas até endurecer por completo — não existe a opção de raspar e reabrir a camada de baixo depois que ela curou.

São dois jeitos legítimos de lidar com matéria e tempo. O pastel a óleo mantém a decisão em aberto; o meu processo fecha a decisão a cada camada, e é essa irreversibilidade que uso como ferramenta — sei que preciso acertar a intenção antes de aplicar, porque não vou poder raspar e recomeçar dali a um mês.

Perguntas frequentes

Pastel a óleo é a mesma coisa que pastel seco (giz pastel)?

Não. O pastel seco tem textura pulverulenta e consistência farinácea, bem diferente da consistência cremosa do pastel a óleo. O pastel a óleo usa cera e óleo não secativo, é mais cremoso, opaco e nunca seca por completo.

O pastel a óleo seca?

Não por completo. Ele usa óleo não secativo na composição, que não passa pelo processo de oxidação que endurece a tinta a óleo convencional. A superfície fica menos pegajosa com o tempo, mas permanece levemente maleável, o que torna a fixação mais difícil do que em outros tipos de pastel.

Quem inventou o pastel a óleo?

A primeira versão foi criada no Japão em 1924, pela empresa Sakura Cray-Pas, fundada por dois professores, como material escolar. A versão profissional surgiu em 1949 em Paris, quando o pintor Henri Goetz procurou o fabricante Henri Sennelier a pedido de Pablo Picasso, que queria um material usável em qualquer superfície sem desbotar ou rachar.

Dá para usar solvente no pastel a óleo, como na tinta a óleo?

Sim. Terebintina ou solventes similares dissolvem parcialmente o pigmento do bastão, permitindo esfumar a cor, misturar tons diretamente na superfície e criar um efeito de lavado sobre o papel ou a tela — de forma parecida com o que se faz ao diluir tinta a óleo com aguarrás. É uma das poucas técnicas de desenho a seco que aceita esse tipo de dissolução parcial, o que aproxima o resultado final de uma pintura fluida.

Pastel a óleo e tinta a óleo são a mesma técnica?

Não. Os dois usam óleo na composição, mas de formas diferentes: a tinta a óleo usa óleo secativo, que oxida e endurece com o tempo, aplicada a pincel ou espátula. O pastel a óleo usa óleo não secativo misturado com cera, em formato de bastão sólido, e nunca chega a endurecer por completo.

Quer entender a técnica por trás de uma obra específica?

Me manda uma mensagem — eu explico como cada peça do acervo foi construída, camada por camada.

Obras disponíveis

Fontes

  1. Tate — 2026-09-28
  2. Sennelier — 2026-09-28
  3. Wikipedia — 2026-09-28

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