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O que é grattage em pintura
Grattage é a técnica de aplicar tinta em camadas sobre a tela e depois raspar a superfície para revelar as cores que ficaram por baixo. Criada por Max Ernst em meados dos anos 1920, a partir da frottage, tornou-se uma assinatura do surrealismo e segue usada por artistas fora do movimento original, buscando textura pelo acaso controlado.
Como o grattage acontece na superfície da tela
O processo parte de camadas: o artista aplica tinta — tradicionalmente óleo — sobre a tela, muitas vezes posicionada por cima de um objeto ou superfície texturizada (madeira, tecido, arame, qualquer objeto com relevo). Com a tinta ainda fresca ou parcialmente seca, ele raspa a superfície com uma espátula, lâmina ou outra ferramenta cortante, removendo parte da camada superior.
O relevo do que está por baixo — a textura do objeto usado como molde, ou uma camada de cor anterior — interfere no resultado, gerando marcas que o próprio artista não controla totalmente. É esse elemento de acaso, seguido de uma resposta consciente do artista ao que emergiu na tela, que definiu o grattage como procedimento, e não como acidente.
De onde vem: Max Ernst e a invenção da técnica, em 1927
O grattage foi desenvolvido pelo artista surrealista Max Ernst em meados dos anos 1920, como uma extensão, para a pintura a óleo, de outra técnica que ele já praticava: a frottage, o esfregaço de grafite sobre papel colocado por cima de uma superfície texturizada. Ernst adaptou a lógica do frottage para a tela, trocando o grafite pela tinta raspada.
Um dos exemplos mais citados é Forest and Dove (1927), hoje na coleção da Tate, em que as formas das árvores nascem da raspagem sobre uma espinha de peixe posicionada sob a tela. Depois de gerar essas marcas por acaso, Ernst retrabalhava a composição, respondendo às formas inesperadas que a raspagem revelava — o grattage nunca foi só remoção, era também reinterpretação.
Grattage não é sgraffito: a diferença está no estado da tinta
Os dois nomes vêm do mesmo gesto — raspar — e por isso são confundidos, mas descrevem processos diferentes. O sgraffito é uma técnica mais antiga, usada em paredes — processo próximo ao do afresco —, cerâmica e pintura: aplicam-se camadas de cor já definidas, deixa-se a camada superior secar (ou curar, no caso de argila e reboco), e então incisa-se um desenho deliberado, expondo a cor de baixo com controle total sobre onde o traço vai aparecer.
O grattage trabalha com a tinta ainda fresca ou pouco seca, sobre uma superfície texturizada que o artista não desenhou — o resultado nasce de uma interação parcialmente imprevisível entre a ferramenta, a textura do objeto embaixo da tela e a espessura da tinta. Em resumo: sgraffito risca um desenho pronto; grattage descobre uma forma.
Grattage x impasto: a espátula usada em sentidos opostos
Impasto e grattage compartilham a ferramenta — a espátula ou faca de pintura — mas fazem o oposto um do outro. No impasto, o artista constrói: aplica tinta espessa sobre a tela, deixando a marca da espátula ou do pincel como parte visível da obra, criando relevo físico que sai da superfície.
No grattage, o movimento é de subtração: a espátula ou lâmina remove tinta, e o relevo que aparece vem do que estava embaixo, não do gesto de aplicar. Um constrói matéria sobre a tela; o outro escava até a camada anterior. É possível, e comum, que um mesmo artista combine as duas lógicas na mesma obra — aplicar em camadas espessas e depois raspar parte delas.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê: quando a lógica de raspar aparece nas minhas telas
Não trabalho com grattage no sentido estrito que Max Ernst formalizou — não coloco a tela sobre um objeto para depois raspar uma única camada de óleo fresco. Mas a lógica de construir e depois subtrair aparece na minha prática, principalmente em Patina Field, da série Terra & Ether: ali eu aplico pigmento, raspo de volta, aplico de novo, até a superfície registrar desgaste em vez de gesto — mais parede que guardou o próprio histórico do que tela pintada de uma vez só.
Sou arquiteta antes de pintora, e essa obra em particular nasce de olhar para uma fachada antiga e entender que o tempo também é uma ferramenta de composição. Não é a técnica de Ernst, mas é o mesmo princípio: o que sobra depois da remoção conta mais do que o que foi aplicado por cima.
Perguntas frequentes
O que é grattage em pintura?
Grattage é uma técnica de pintura que consiste em aplicar tinta sobre a tela, muitas vezes por cima de um objeto ou superfície texturizada, e depois raspar a camada superior com uma espátula ou lâmina enquanto ela ainda está fresca. A raspagem expõe cores e texturas que ficaram por baixo, criando marcas que o artista não controla totalmente. Foi criada pelo surrealista Max Ernst em meados dos anos 1920, como derivação da frottage, e se tornou uma das técnicas associadas ao movimento surrealista.
Grattage é a mesma coisa que sgraffito?
Não. Os dois envolvem raspar uma superfície, mas em momentos e com intenções diferentes. O sgraffito risca uma camada de tinta, reboco ou esmalte já seca, seguindo um desenho planejado com antecedência — é comum em afresco e cerâmica. O grattage raspa tinta ainda fresca sobre uma superfície texturizada, e o resultado nasce parcialmente do acaso, não de um desenho definido antes. Em resumo: sgraffito executa um traço decidido; grattage descobre uma forma durante o próprio ato de raspar.
Que artistas ficaram conhecidos por usar grattage?
O nome mais associado ao grattage é o do próprio inventor da técnica, o artista surrealista Max Ernst, que a desenvolveu em meados dos anos 1920 a partir da frottage e a explorou ao longo de boa parte de sua obra pintada. Um exemplo citado com frequência é a pintura Forest and Dove (1927), hoje na coleção da Tate, em que as formas das árvores nascem da raspagem sobre uma espinha de peixe posicionada sob a tela.
Grattage é uma técnica ligada ao surrealismo?
Sim — o grattage nasceu dentro do movimento surrealista, criado por Max Ernst como parte da busca do grupo por métodos que reduzissem o controle consciente do artista sobre a imagem final. A raspagem sobre uma superfície texturizada produzia formas parcialmente imprevisíveis, que o artista depois reinterpretava — a mesma lógica de acaso controlado que aparece em outras técnicas surrealistas, como a própria frottage.
Como o grattage se diferencia do impasto?
São movimentos opostos com a mesma ferramenta. O impasto constrói: o artista aplica tinta espessa sobre a tela com espátula ou pincel, e a marca desse gesto fica visível como relevo na superfície. O grattage subtrai: a espátula ou lâmina remove parte de uma camada de tinta, revelando o que está embaixo. Um soma matéria sobre a tela; o outro escava até uma camada anterior. É possível combinar as duas lógicas numa mesma obra.
Fontes
- Tate — 2026-08-14
- Tate — 2026-08-14
- Tate — 2026-08-14
- Wikipedia — 2026-08-14
- Perfeito Studio — catálogo de obras (não-draft) / src/data/obras.json — 2026-08-14
Quer ver essa lógica de raspar e revelar camadas numa obra real?
Patina Field, da série Terra & Ether, foi construída assim — pigmento aplicado, raspado, aplicado de novo. Fale com o ateliê pelo WhatsApp.
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