Journal · Técnicas e materiais
O que é colagem em pintura contemporânea?
Colagem é a técnica de fixar papel, tecido ou outros recortes sobre uma superfície de suporte, combinando esse material com tinta ou desenho. Surgiu por volta de 1912, com Pablo Picasso e Georges Braque, e passou a ser usada por artistas dadaístas e surrealistas. É diferente de técnica mista — termo mais amplo que inclui a colagem.
O que é colagem, exatamente
Segundo a definição da Tate Gallery, colagem descreve tanto a técnica quanto a obra resultante em que pedaços de papel, fotografias, tecido e outros materiais são organizados e fixados sobre uma superfície de suporte. O termo vem do francês papiers collés (ou découpage), usado para descrever técnicas de colar recortes de papel sobre diferentes superfícies, e passou a ser empregado como técnica artística no início do século XX.
A própria Tate observa que colagem não se limita a materiais planos: pode incluir outras mídias, como pintura e desenho, e conter elementos tridimensionais. Isso já indica que a linha entre colagem e técnicas vizinhas — como assemblage, que trata mais diretamente de objetos do cotidiano — não é rígida na prática, mesmo que as duas tenham definições distintas.
De onde vem: Picasso, Braque e o papier collé
A colagem como técnica de arte erudita nasce por volta de 1912, dentro do Cubismo. Segundo a Tate, o pintor cubista Georges Braque foi o primeiro a usar o papier collé, desenhando sobre papel com estampa de imitação de madeira colado sobre papel branco — uma variação da colagem mais próxima do desenho do que da pintura. Braque e Pablo Picasso produziram uma série de papiers collés nos últimos três meses de 1912 e no início de 1913, com Picasso incorporando recortes de jornal às composições cubistas.
Esse gesto — colar um material do mundo real dentro do espaço da pintura, em vez de apenas representá-lo com tinta — é o que separa a colagem como técnica reconhecida pela arte moderna de práticas anteriores de recorte e colagem decorativa, que já existiam havia séculos como artesanato.
Colagem e assemblage: pontos de contato, não uma fronteira rígida
A Tate define assemblage como a arte feita reunindo elementos disparatados — frequentemente objetos do cotidiano — garimpados pelo artista ou comprados especificamente para a obra. É uma definição próxima da colagem, mas não idêntica: colagem, como definida acima, parte de materiais fixados sobre uma superfície de suporte; assemblage, pela definição da própria Tate, está centrada na reunião dos objetos em si.
Na prática, os dois termos se sobrepõem. A própria Tate registra que, em 1918, o artista dadaísta Kurt Schwitters passou a usar materiais descartados para criar "colagens e assemblages" — as duas palavras juntas — batizando a técnica de Merz. Ou seja: mesmo para quem ajudou a cunhar o vocabulário do movimento, a fronteira entre as duas técnicas já era fluida há mais de cem anos.
Colagem no Dadaísmo e no Surrealismo
O Dadaísmo adotou a colagem cedo, como ferramenta de trabalho e não só como recurso visual. Em depoimento citado pela Tate, o artista dadaísta Hans Arp descreveu a rotina do grupo durante a Primeira Guerra Mundial (em tradução livre): "Enquanto os canhões estrondeavam ao longe, cantávamos, pintávamos, fazíamos colagens e escrevíamos poemas com todas as nossas forças." A colagem fazia parte do mesmo impulso de urgência e improviso que movia o movimento.
No Surrealismo, a Tate atribui a Max Ernst a invenção da colagem surrealista — reunir imagens recortadas de revistas, catálogos de produtos e ilustrações de livros — descrevendo-a como a primeira forma de automatismo nas artes visuais. Diferente da colagem cubista, que ainda dialogava com a estrutura da composição, a colagem surrealista buscava justaposições estranhas, quase involuntárias, entre imagens que não pertenciam ao mesmo mundo visual.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê
Colagem no sentido tradicional — papel ou tecido colado sobre a tela — não é algo que eu faço hoje. Mas o princípio por trás dela, o de construir a superfície com material físico e não só com pigmento, aparece em várias peças, e Elemental Veins é o exemplo mais direto: os fragmentos metálicos não ficam por cima da acrílica, eles entram enquanto a camada ainda está sendo trabalhada, quase incorporados à própria massa da tinta.
A diferença para uma colagem clássica é que eu não recorto nem colo um pedaço pronto de outro material — trabalho o fragmento dentro da pintura, junto com o pincel e a espátula, na mesma sessão. O resultado se aproxima mais de técnica mista com elementos incorporados do que de colagem propriamente dita, mas entendo por que quem vê de perto pergunta: a superfície tem a mesma sensação de camada física construída que uma colagem também tem.
Perguntas frequentes
O que é colagem dentro da pintura contemporânea?
Colagem é a técnica de fixar papel, tecido, fotografias ou outros recortes sobre uma superfície de suporte, combinando esse material com tinta, desenho ou outros elementos — o termo vem do francês papiers collés, papel colado. Na pintura contemporânea, colagem raramente aparece isolada: costuma se combinar com camadas de tinta acrílica ou óleo, o que a aproxima do conceito mais amplo de técnica mista.
Colagem é a mesma coisa que técnica mista?
Não. Colagem é uma técnica específica — fixar recortes de papel, tecido ou outro material sobre uma superfície de suporte. Técnica mista é o termo guarda-chuva, usado para qualquer obra composta por mais de um material, com ou sem colagem. Toda colagem pode ser chamada de técnica mista, mas nem toda técnica mista é colagem — uma tela com fragmentos metálicos incorporados à tinta, por exemplo, é técnica mista sem ser colagem no sentido tradicional.
Que materiais costumam ser incorporados numa colagem sobre tela?
Historicamente, os pioneiros da colagem — Georges Braque e Pablo Picasso, a partir de 1912 — usaram papel com estampa de imitação de madeira e recortes de jornal. Ao longo do século XX o repertório se ampliou para fotografias, tecido, páginas de revista e outros materiais impressos, sempre fixados sobre uma superfície de suporte e frequentemente combinados com tinta ou desenho.
Colagem muda a forma de conservar a obra?
Sim, tende a mudar. Obras que combinam materiais de origens diferentes — orgânicos e inorgânicos, por exemplo — são especialmente vulneráveis a variações ambientais, porque cada material reage de um jeito diferente à umidade e à temperatura, criando tensão exatamente no ponto onde os materiais se encontram. Isso não torna a obra frágil por padrão, mas reforça a importância de um ambiente estável, longe de luz solar direta e de saídas de ar-condicionado.
A Alyne Perfeito usa elementos de colagem nas obras do acervo?
Não no sentido tradicional de papel ou tecido colado sobre a tela. O que aparece no acervo — de forma mais evidente em Elemental Veins, da série Terra & Ether — são fragmentos metálicos e pó incorporados às camadas de acrílica enquanto a tinta ainda está sendo trabalhada, e não um recorte pronto fixado por cima. É tecnicamente mais próximo de técnica mista com elementos incorporados do que de colagem propriamente dita.
Veja de perto os fragmentos incorporados em Elemental Veins
Elemental Veins não é uma colagem tradicional, mas compartilha o mesmo princípio: material físico construindo a superfície da pintura. Pergunte pelo WhatsApp sobre a obra ou sobre outras peças de técnica mista do acervo.
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