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Como uma casa de alto padrão é projetada a várias mãos: quem assina o quê

Numa casa de alto padrão, cada etapa tem autor próprio: a arquitetura muitas vezes leva coautoria, a decoração é disciplina separada dos interiores, o paisagismo é assinado à parte por um paisagista com parcerias recorrentes, e a iluminação assina seu próprio projeto — a obra de arte, quando existe, costuma ser a última camada a entrar.

Elemental Veins (90 × 140 cm), técnica mista sobre tela — Alyne Perfeito, Perfeito Studio
Elemental Veins (90 × 140 cm) em um ambiente residencial contemporâneo — a obra costuma ser a última assinatura a entrar, depois que arquitetura, interiores, paisagismo e iluminação já definiram o espaço. Perfeito Studio.

Arquitetura com coautoria: quando duas assinaturas dividem a mesma prancheta

A ideia de que uma casa de alto padrão tem "um arquiteto" simplifica um processo que, na prática, costuma ter mais de uma assinatura só na concepção do projeto. Um exemplo documentado é a Blue House, em Guarujá (2020): a arquitetura é assinada por Marcio Kogan à frente do studio mk27, mas os créditos oficiais do projeto registram Samanta Cafardo como coautora — não como assistente, e sim como uma segunda autoria dentro da concepção arquitetônica.

Coautoria, nesse tipo de crédito, normalmente descreve alguém que participa do desenvolvimento conceitual e técnico do projeto ao lado do autor principal — não é o mesmo papel que o de quem cuida dos interiores ou do paisagismo, que na mesma casa couberam a outros dois profissionais. Ou seja: mesmo dentro da própria "arquitetura", o crédito pode já não ser de uma pessoa só.

Interiores e decoração são etapas distintas — e às vezes de escritórios diferentes

"Interiores" e "decoração" são tratados como sinônimos na conversa informal, mas os créditos de projeto os separam com frequência. Na própria Blue House, enquanto Kogan e Cafardo assinam a arquitetura, o projeto de interiores é creditado separadamente a Diana Radomysler — uma terceira assinatura dentro da mesma casa.

Já na Casa VJC (Iporanga, Guarujá), o arranjo é outro: David Bastos assina arquitetura e interiores como um bloco único, enquanto a decoração fica com um escritório à parte, a Marina Salles Arquitetura e Interiores. Na prática, arquitetura de interiores costuma cobrir o que é fixo — layout, marcenaria, forro, pontos de luz e elétrica dos ambientes —, enquanto decoração cobre o que é móvel e substituível — mobiliário solto, tecidos, objetos, a curadoria do que ocupa esses espaços já definidos. São competências que podem estar na mesma prancheta ou em duas pranchetas diferentes, dependendo de como o projeto foi contratado.

Paisagismo: assinatura própria, à parte da arquitetura

Em projetos residenciais de alto padrão, o paisagismo costuma aparecer como crédito próprio — separado da arquitetura, dos interiores e da decoração. Na Blue House, por exemplo, enquanto Kogan e Cafardo assinam a arquitetura e Radomysler os interiores, o paisagismo é creditado à parte, a Rodrigo Oliveira. O paisagista mantém parcerias recorrentes com escritórios como Isay Weinfeld, o próprio studio mk27, Jacobsen Arquitetura, Arthur Casas e Bernardes Arquitetura — projetos em que, segundo reportagem da revista Wallpaper*, seu trabalho é descrito como algo que se integra à arquitetura construída.

E a mesma dupla arquitetura+paisagismo não se repete sempre: a Casa Vista, também do studio mk27, teve o paisagismo assinado por Isabel Duprat, uma profissional diferente de Rodrigo Oliveira — o que mostra que, mesmo dentro do portfólio de um único escritório de arquitetura, o parceiro de paisagismo muda de projeto para projeto, conforme a escala, o terreno e a relação de trabalho de cada encomenda.

Iluminação: disciplina própria, com assinatura própria

Num projeto de alto padrão, a luz artificial raramente é resolvida por quem desenha a arquitetura, os interiores ou a decoração — ela costuma ter um profissional dedicado. Na Casa VJC, os créditos registram a iluminação separadamente, assinada por Airton Pimenta, da Lightworks, distinta da arquitetura de David Bastos e da decoração da Marina Salles Arquitetura e Interiores.

Projeto luminotécnico define temperatura de cor, posição e tipo de cada ponto de luz, e como a luz natural e a artificial vão se comportar ao longo do dia — decisões que afetam diretamente como qualquer objeto na parede, incluindo uma pintura, vai ser percebido. É por isso que esse projeto entra como camada própria, e não como item dentro do escopo de decoração.

O olhar do ateliê

Onde a obra de arte entra nessa cadeia — o olhar do ateliê

Antes de pintar, eu me formei arquiteta, e é esse treino que me faz olhar para esses créditos com um interesse prático, não só editorial. Nenhum dos profissionais e projetos citados acima tem qualquer relação com o meu ateliê — cito os exemplos porque documentam bem como a autoria real de uma casa de alto padrão se divide, não porque exista proximidade entre nós.

O que essa divisão de papéis me ensina sobre onde a arte entra é o seguinte: a obra quase sempre chega depois que arquitetura, interiores, paisagismo e iluminação já resolveram o essencial — pé-direito, parede estrutural liberada, plano de luz definido, paleta de acabamentos fechada. Uma peça de grande formato, como as que produzo em técnica mista, só funciona bem quando entra nesse momento tardio: ela precisa de uma parede que já sabe que luz vai receber e que altura vai ocupar, não de um espaço ainda em aberto. Por isso, quando trabalho com arquitetos e designers num projeto, prefiro entrar depois que essas definições já existem — é o que garante que a obra dialogue com o espaço, em vez de competir com decisões que ainda não foram tomadas.

Perguntas frequentes

Quem assina uma casa de alto padrão quando existe coautoria na arquitetura?

Depende do crédito registrado em cada projeto. No caso da Blue House, em Guarujá, a arquitetura é assinada por Marcio Kogan (studio mk27) com Samanta Cafardo como coautora — ambos fazem parte da autoria da concepção arquitetônica, um papel diferente do de quem assina interiores ou paisagismo na mesma casa.

Qual a diferença entre arquitetura de interiores e decoração?

Arquitetura de interiores costuma cobrir o que é fixo no ambiente — layout, marcenaria, forro, pontos de luz e elétrica. Decoração cobre o que é móvel — mobiliário solto, tecidos, objetos e a curadoria do que ocupa o espaço já definido. Às vezes as duas etapas saem do mesmo escritório, como na Casa VJC (Guarujá), onde David Bastos assina arquitetura e interiores enquanto a decoração fica com outro escritório, a Marina Salles Arquitetura e Interiores.

O mesmo paisagista trabalha sempre com o mesmo escritório de arquitetura?

Não necessariamente. O paisagista Rodrigo Oliveira mantém parcerias recorrentes com escritórios como Isay Weinfeld, studio mk27, Jacobsen Arquitetura, Arthur Casas e Bernardes Arquitetura, mas o parceiro de paisagismo muda conforme o projeto — a Casa Vista, também do studio mk27, teve o paisagismo assinado por Isabel Duprat, não por Rodrigo Oliveira, o que mostra que a dupla arquitetura+paisagismo varia de encomenda para encomenda.

Por que existe uma disciplina separada só para iluminação?

Porque o projeto luminotécnico envolve decisões técnicas próprias — temperatura de cor, posição e tipo de cada ponto de luz, comportamento da luz natural ao longo do dia — que vão além do escopo de quem desenha a arquitetura ou escolhe o mobiliário. Na Casa VJC, por exemplo, a iluminação é assinada separadamente por Airton Pimenta, da Lightworks.

Em que momento do projeto a obra de arte costuma entrar?

Na prática mais comum, depois que arquitetura, interiores, paisagismo e iluminação já resolveram o essencial do espaço — pé-direito, parede disponível, plano de luz e paleta de acabamentos. Uma peça de grande formato funciona melhor quando essas definições já existem, porque a parede já 'sabe' que luz vai receber e que altura vai ocupar.

É preciso esperar a decoração ficar pronta para escolher a obra?

Não precisa ser o último passo literal, mas ajuda a arquitetura, os interiores e o plano de luz estarem pelo menos definidos. É o momento em que dá para saber a escala, a paleta e a iluminação que a peça vai receber — o que evita escolher uma obra que depois compete com decisões ainda não tomadas no restante do projeto.

Projeto de alto padrão em andamento e falta definir a obra?

Conte em que etapa o projeto está — arquitetura, interiores, ou já com paisagismo e iluminação resolvidos — e o estúdio ajuda a encontrar a peça certa para o espaço.

Obras disponíveis

Fontes

  1. ArchDaily — 2026-09-26
  2. ArchDaily — 2026-09-26
  3. ArchDaily Brasil — 2026-09-26
  4. Wallpaper* — 2026-09-26

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