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Arte contemporânea como critério de projeto: o que diz a lista Casa Vogue 50

A Casa Vogue 50, lista da revista Casa Vogue (Editora Globo) desde 2024, elege 50 arquitetos, designers de interiores e paisagistas do Brasil, sem ranking. Entre os critérios que a revista declara está o emprego de design autoral e obras de arte que dialogam com a época: arte contemporânea é critério editorial de projeto de alto padrão, não só decoração final.

Silent Interval (120 x 160 cm), técnica mista com acrílica sobre tela, em ambiente — Alyne Perfeito, Perfeito Studio
Silent Interval, de Alyne Perfeito, sobre parede de madeira ripada — o tipo de gesto único e contido sobre fundo texturizado que ancora uma parede sem competir com o projeto arquitetônico ao redor. Alyne Perfeito, Perfeito Studio.

O que é a Casa Vogue 50 — e por que não é um ranking

Casa Vogue 50 é o nome de um especial editorial publicado pela revista Casa Vogue, da Editora Globo. A lista estreou em dezembro de 2024, como o primeiro de uma série de especiais concebidos para comemorar os 50 anos de existência da revista, completados no fim de 2025, e a própria publicação a compara à AD 100 — o rol anual da Architectural Digest, publicação irmã no grupo Condé Nast e referência internacional em décor.

A segunda edição saiu em dezembro de 2025, apontando os nomes para 2026, com 24 entradas novas em relação à lista de 2024 — uma renovação de quase 50% no espaço de um ano.

Um ponto que a própria revista faz questão de deixar claro na abertura do especial: a lista não classifica nem hierarquiza. "Sem ranking, sem hierarquia, sem classificação", diz o texto editorial — é uma seleção de 50 nomes lado a lado, não uma disputa do 1º ao 50º colocado.

Os critérios declarados pela revista — e onde a arte contemporânea entra

A Casa Vogue publica, no próprio especial, os critérios que fundamentam a escolha dos 50 nomes. Além de relevância entre pares e longevidade no ramo, a revista lista seis pilares editoriais que pesam na seleção:

"originalidade no traço e na composição; emprego de design autoral e obras de arte que dialogam com a nossa época; capacidade de traduzir, combinar e atualizar as diversas heranças culturais que a arquitetura brasileira carrega; diversidade de origens geográficas e étnicas; o olhar prioritário para práticas ambiental, social e economicamente responsáveis; a versatilidade de estilos, tipologias e soluções."

Note o segundo pilar: "emprego de design autoral e obras de arte que dialogam com a nossa época" não separa arte de design autoral — trata os dois como a mesma competência. Para a publicação, escolher e integrar obra de arte contemporânea a um projeto é lido como parte do mesmo critério que avalia se o mobiliário e os objetos especificados têm autoria, e não são apenas itens de catálogo.

Como isso aparece na prática, segundo os próprios perfis publicados

Os perfis que acompanham a lista dão exemplos concretos de como esse critério se traduz em prática profissional — sempre no material publicado pela própria revista, nunca em relação com o Perfeito Studio.

O paisagista Alex Hanazaki é descrito no especial como alguém que "concebe jardins como se fossem obras de arte", buscando uma experiência sensorial que envolve visão, audição, olfato e tato — o critério de arte aparece aqui fora da pintura, no próprio desenho do paisagismo.

Já o arquiteto Alexandre Salles, fundador do Estúdio Tarimba e professor de Design de Interiores no IED-SP, é apresentado como alguém que projeta "desde casas até grandes instalações artísticas", com a frase: "Crio ambientes que contam histórias e dialogam com a memória, a cultura e os desejos dos usuários." É um exemplo direto do pilar "design autoral e obras de arte" funcionando dentro do próprio escritório, não como um item comprado à parte.

Nenhum desses profissionais tem qualquer relação comercial, institucional ou de indicação com a Alyne Perfeito ou o Perfeito Studio. Eles são citados aqui exclusivamente como contexto de mercado, a partir do que a própria Casa Vogue publicou sobre eles.

O que esse critério significa para quem está montando um projeto agora

O recorte da Casa Vogue 50 não é uma norma técnica nem uma exigência de mercado — é o critério editorial de uma revista para eleger profissionais de destaque. Mas ele confirma algo que já aparece em outras frentes do setor: para quem avalia projeto de arquitetura e interiores de alto padrão no Brasil hoje, a presença de obra de arte contemporânea com autoria reconhecível pesa como sinal de qualidade, ao lado de sustentabilidade, versatilidade e originalidade de traço — não como acabamento decorativo aplicado no fim da obra.

Na prática, isso reforça um ponto prático para quem está montando um projeto: decidir a arte cedo, junto com o restante do projeto, tende a produzir um resultado mais integrado do que tratá-la como a última compra antes da entrega — o tema de como esse orçamento é definido está detalhado no texto sobre quem escolhe a obra de arte de uma casa de alto padrão, linkado abaixo.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

Não estou na Casa Vogue 50 e não tenho qualquer relação com a revista ou com os profissionais citados neste texto — isso preciso deixar claro antes de qualquer outra coisa. Mas, como arquiteta antes de pintora, reconheço o critério que a lista descreve, porque é o mesmo raciocínio que uso quando decido se uma obra minha "funciona" num projeto: não é só se a composição é bonita na parede, é se ela dialoga com a escala do ambiente, com a luz que incide e com a lógica do espaço construído ao redor dela.

É esse cruzamento — pensar a obra como quem pensa um projeto, não só como quem pinta uma tela — que sustenta o programa que mantenho para arquitetos e designers de interiores. Ver esse mesmo critério nomeado explicitamente por uma publicação como a Casa Vogue, mesmo sem nenhuma ligação minha com ela, confirma que não é uma peculiaridade da minha prática: é como o setor de referência em arquitetura no Brasil já lê o lugar da arte contemporânea dentro do projeto.

Perguntas frequentes

O que é exatamente a lista Casa Vogue 50?

É um especial editorial da revista Casa Vogue (Editora Globo) que reúne 50 arquitetos, designers de interiores e paisagistas considerados relevantes no Brasil naquele ano. Estreou em dezembro de 2024, como parte das comemorações dos 50 anos da revista, e teve uma segunda edição em dezembro de 2025. A própria publicação diz que a lista se inspira na AD 100, da Architectural Digest.

A Casa Vogue 50 é um ranking dos melhores arquitetos do país?

Não, segundo a própria revista. O texto de abertura do especial afirma textualmente: "Sem ranking, sem hierarquia, sem classificação." É uma seleção editorial de 50 nomes lado a lado, não uma classificação numerada do primeiro ao quinquagésimo colocado.

Quais critérios a Casa Vogue usa para escolher os nomes da lista?

A revista declara seis pilares: originalidade no traço e na composição; emprego de design autoral e obras de arte que dialogam com a época; capacidade de traduzir e atualizar heranças culturais da arquitetura brasileira; diversidade de origens geográficas e étnicas; práticas ambiental, social e economicamente responsáveis; e versatilidade de estilos, tipologias e soluções.

Isso significa que arte contemporânea é obrigatória em todo projeto de arquitetura de alto padrão?

Não. É um dos critérios editoriais que a Casa Vogue diz observar para eleger profissionais de destaque, não uma norma técnica nem uma exigência de mercado. O que o critério indica é que, para essa publicação de referência, o uso de design autoral e de obras de arte que dialogam com o presente funciona como sinal de qualidade de projeto, ao lado de fatores como sustentabilidade e versatilidade.

A Alyne Perfeito ou o Perfeito Studio fazem parte da Casa Vogue 50 ou têm relação com os arquitetos citados?

Não. A Alyne Perfeito não integra a lista Casa Vogue 50, e o Perfeito Studio não tem relação comercial ou institucional com a revista Casa Vogue nem com os profissionais mencionados neste texto. Eles são citados apenas como contexto público de mercado, a partir de material que a própria revista publicou.

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