Journal · Guias

Como guardar as obras do acervo que não estão penduradas

Uma obra que não está pendurada deve ficar na vertical — apoiada em tela de armazenamento, prateleira ou encostada numa parede interna, sobre calços acolchoados, a pelo menos 10 cm do chão e com papelão grosso entre uma peça e outra. Nunca deixe o quadro direto no chão, encostado em parede externa, ou empilhado na horizontal.

Detalhe da textura esculpida de Echo of Silence (50 x 70 cm) — Alyne Perfeito, Perfeito Studio
Detalhe da textura esculpida em Echo of Silence (50 × 70 cm), Matter & Silence — relevos como este pedem espaçadores ao guardar a obra sem pendurar. Perfeito Studio.

As três formas certas de guardar uma pintura fora da parede

Guias de conservação de museu descrevem três formas seguras de guardar uma pintura que não está em exposição: pendurada numa tela de armazenamento (um painel vertical com tela de arame esticada, onde a obra fica suspensa por ganchos, sem tocar em nada), apoiada numa prateleira de armazenamento (de preferência uma peça por compartimento) ou encostada na vertical numa parede interna, nunca numa parede externa. As três opções seguem o mesmo princípio: a obra fica de pé, sem peso sobre a tela e sem contato direto com o chão ou com outra peça.

Antes de guardar qualquer quadro — mesmo o que vai ficar só algumas semanas fora da parede — remova arames, ganchos e qualquer peça de fixação da moldura. Deixados no lugar, eles podem perfurar a tela ou arranhar o verniz e a moldura durante o manuseio.

A distância do chão não é detalhe estético — é proteção

A recomendação técnica é manter a obra a pelo menos 10 cm (4 polegadas) do chão, apoiada em blocos ou calços, mesmo quando ela está só encostada numa parede por um período curto. A razão é dupla: rente ao chão a tela acumula mais poeira e sujeira na superfície, e é a primeira faixa atingida em caso de vazamento, chuva entrando por baixo de uma porta ou qualquer infiltração — mesmo um volume pequeno de água já é suficiente para danificar a parte de baixo de uma tela.

Pelo mesmo motivo de umidade e variação de temperatura, evite guardar obra em sótão, porão, perto de duto de ar-condicionado ou aquecedor, embaixo de tubulação de água, perto de fiação ou isolamento antigo, ou em corredor de passagem intensa — ali o risco não é só umidade, é vibração e esbarrão acidental.

Se precisar empilhar: blocos, papelão entre as peças e o ângulo certo

Empilhar encostado na parede deve ser solução temporária, não permanente, e só para obras em bom estado de conservação — sem tinta solta, sem rasgo na tela. A prática recomendada é apoiar cada quadro em calços acolchoados e antiderrapantes, separar uma peça da outra com um papelão grosso e sem ácido, maior do que a maior obra do grupo, e manter no mesmo conjunto de blocos obras de tamanho parecido, sem empilhar muitas de uma vez.

O ângulo importa tanto quanto o espaçador: a pilha deve ficar o mais próxima possível da vertical, encostada com folga suficiente para não tombar para frente, mas sem inclinação exagerada — inclinação forte demais é o que faz uma peça pesar sobre a de trás e as duas caírem juntas. Se a obra não tem moldura, vale montar uma armação temporária antes de empilhar, e usar um pano de algodão limpo por cima como proteção contra poeira, sempre sem encostar no lado pintado.

Quando a obra não deve ficar em pé

Nem toda obra pode ser guardada na vertical. Se a tela tem tinta se soltando, bolha, rasgo ou qualquer sinal de deterioração ativa, a recomendação muda: ela deve ficar deitada, plana, sobre uma prateleira — nunca apoiada de pé contra a parede ou dentro de um conjunto de outras obras. Empilhar uma peça danificada contra a parede aumenta o risco de perder ainda mais material.

Vale o mesmo cuidado de temperatura e umidade estáveis descrito em umidade e conservação de pintura — guardar no lugar certo não substitui manter o ambiente estável.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

Peças como Echo of Silence saem do ateliê com relevo esculpido de verdade na superfície — camadas de pasta que formam sulcos e dobras reais, não só efeito visual. É exatamente esse tipo de obra que mais sofre quando um quadro fica encostado no outro sem nada entre eles: a aresta do relevo de uma peça pode marcar ou lascar a superfície da vizinha. Por isso, quando uma obra com textura fica no ateliê aguardando embalagem ou entrega, ela nunca fica encostada direto em outra — sempre com um papelão rígido entre uma e outra, apoiada em calço, longe do chão.

É a mesma orientação que dou a quem já é colecionador do ateliê e às vezes precisa guardar a obra por um tempo antes de decidir onde pendurar: trate o período fora da parede como transporte, não como descanso. Uma pintura parada de qualquer jeito acumula o mesmo risco de uma pintura em trânsito.

Perguntas frequentes

A que distância do chão devo guardar um quadro que não está pendurado?

A recomendação técnica é de pelo menos 10 cm (4 polegadas) do chão, apoiado sobre um bloco, calço ou prateleira — nunca direto no piso. Essa distância protege a obra do acúmulo de poeira na parte de baixo e, principalmente, de danos em caso de vazamento ou infiltração de água, que costuma atingir primeiro a faixa mais baixa de qualquer ambiente.

Posso encostar um quadro na parede para guardar?

Pode, mas como solução temporária, não permanente, e só se a obra estiver em bom estado de conservação. Apoie sobre calços acolchoados e antiderrapantes, mantenha a inclinação o mais próxima possível da vertical e nunca encoste diretamente numa parede externa — só em parede interna, longe de fonte de calor, umidade ou vibração.

Posso empilhar mais de um quadro no mesmo lugar?

Pode, com dois cuidados: separar cada obra da outra com um papelão grosso e sem ácido, maior do que a maior peça do grupo, e não empilhar muitas de uma vez no mesmo conjunto de apoio — a recomendação é manter poucas obras, de tamanho parecido, por pilha. Empilhar demais aumenta o peso sobre a peça de trás e o risco de a pilha tombar.

Como guardar um quadro sem moldura?

Uma tela sem moldura é mais vulnerável a ser perfurada ou amassada nas bordas, então, se precisar ficar apoiada de pé junto com outras obras, o recomendado é montar uma armação temporária ao redor dela antes de empilhar. Um pano de algodão limpo por cima protege da poeira, desde que não encoste na superfície pintada.

Todo quadro pode ficar guardado em pé?

Não. Uma obra com tinta se soltando, bolha ou rasgo não deve ficar na vertical — o peso e a pressão contra outra superfície pioram esse tipo de dano. Nesses casos, o correto é deitar a peça, plana, sobre uma prateleira, e não empilhar nada em cima dela até que passe por avaliação.

Onde eu nunca devo guardar uma obra de arte?

Evite sótão, porão, parede externa, área perto de duto de ar-condicionado ou aquecedor, espaço embaixo de tubulação de água, perto de fiação ou isolamento antigo, e corredor de passagem intensa. São ambientes com mais variação de temperatura e umidade, mais risco de vazamento ou mais chance de esbarrão acidental — exatamente o que a obra parada mais precisa evitar.

Precisa de orientação para guardar ou transportar uma obra do ateliê?

Se você já é colecionador do Perfeito Studio, ou está pensando em adquirir uma peça, o ateliê orienta sobre como guardar, embalar e transportar a obra com segurança.

Falar com o ateliê no WhatsApp

Obras disponíveis

This section in English →

Publicado em