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Arquitetura de Brasília e arte abstrata: o que a parede branca e o pé-direito alto pedem

Resposta direta: numa casa de Brasília com planta aberta, vão de vidro amplo e concreto aparente, a obra certa tem escala para não desaparecer na parede longa, textura que ganha relevo com a luz direta e paleta que dialoga com concreto e madeira sem competir com eles. É a leitura de espaço que orienta a curadoria arquitetônica do ateliê.

Patina Field (100 x 100 cm), acrílica sobre tela, em ambiente residencial de planta aberta com concreto e madeira — Alyne Perfeito, Perfeito Studio
Patina Field (100 × 100 cm) em ambiente. Perfeito Studio. Alyne Perfeito, Perfeito Studio

A tipologia residencial contemporânea de Brasília: o que fica documentado

Duas referências documentadas ajudam a descrever, sem generalizar de memória, o que a arquitetura residencial contemporânea de Brasília costuma produzir. A Esquadra Arquitetos é um escritório de arquitetura residencial e design de interiores sediado em Brasília — a cidade é a base declarada da prática, não um projeto isolado. A Casa 051, de Guel Arquitetos, construída no Lago Sul, em Brasília (DF), e concluída em 2019, com 470 m², mostra a tipologia em concreto: as fotos e a planta publicadas pelo ArchDaily registram planta aberta integrando sala de estar, jantar e cozinha, vigas de concreto aparente, madeira como contraponto de material e grandes aberturas de vidro entre o interior e o jardim.

São elementos que se repetem em variações por toda a cidade: o vão de vidro que dissolve a fronteira entre sala e área externa, a viga ou o pilar em concreto deixado sem revestimento, a parede que corre longa porque a planta não tem mais a divisão em cômodos pequenos. Cada um desses elementos muda o que uma obra de parede precisa fazer — e é isso que as seções seguintes tratam, uma variável por vez.

Escala: por que a parede de planta aberta engole um quadro pequeno

Numa planta compartimentada, a parede da sala tem bordas próximas — porta, batente, canto — que ajudam o olho a calibrar o tamanho da obra. Numa planta aberta como a da Casa 051, a parede corre sem essas interrupções, e o pé-direito costuma acompanhar essa generosidade. O efeito prático é que uma peça pensada para uma parede convencional de apartamento tende a encolher visualmente quando colocada numa parede corrida de casa térrea ou sobrado com vão livre.

Patina Field (100 × 100 cm, acrílica sobre tela, série Terra & Ether, R$ 5.200) funciona como ponto focal isolado numa parede de proporção mais contida. Numa parede longa e contínua — o tipo que a planta aberta costuma gerar —, Amber Strata (150 × 100 cm, técnica mista com acrílica sobre tela, mesma série, R$ 6.700) usa a horizontalidade do próprio formato para acompanhar o comprimento da parede em vez de competir com ele.

Textura que responde à luz direta do vão de vidro

Isto é experiência de ateliê, não uma afirmação sobre o clima de Brasília: numa casa com vão de vidro amplo, a luz que entra é luz direta, sem o filtro de uma janela pequena ou de uma varanda coberta — e isso muda como uma superfície se comporta ao longo do dia. Uma imagem plana (impressão, print, poster) responde do mesmo jeito em qualquer horário. Uma superfície em relevo real, como a de Patina Field, não: a obra é construída em camadas aplicadas e depois raspadas, de propósito, até a superfície registrar desgaste em vez de gesto — e é justamente esse relevo físico que muda de leitura conforme o ângulo da luz direta se desloca pelo cômodo.

Na prática do ateliê, é essa mudança ao longo do dia — não uma cor fixa — que mantém a obra “vivendo” numa sala de vão de vidro amplo, em vez de virar um pôster grande que se vê uma vez e nunca mais se repara.

Paleta mineral: convivendo com concreto aparente e madeira sem competir

Concreto aparente e madeira são dois materiais que já carregam cor e textura própria — cinza mineral de um lado, veio quente de outro. Uma obra com paleta muito saturada tende a brigar com os dois. A série Terra & Ether trabalha justamente na faixa que dialoga com essa dupla: em Patina Field, painéis verticais de azul-ardósia e marrom ferroso ao lado de uma passagem de ocre, construídos como estratos, na mesma lógica tonal do concreto e da madeira que já existem na parede e no piso.

Nem toda casa pede esse registro mineral — uma casa com mais madeira quente e menos concreto costuma aceitar melhor o contraste contido de Black & Gold, preto profundo e folha de ouro. A escolha de série depende do material dominante do ambiente, não de uma regra única.

Tombamento de Brasília não é freio para a arquitetura contemporânea — nem para a curadoria dentro dela

O Conjunto Urbanístico de Brasília, o Plano Piloto, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1987 — o Iphan registra esse ano como o marco em que "o Plano Piloto de Brasília foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial" e a cidade passou a ter sua primeira normativa específica de preservação do projeto urbano. A proteção documentada pelo Iphan tem como foco declarado a preservação do projeto urbanístico — a coerência do plano de Lúcio Costa, as escalas monumental, residencial, gregária e bucólica que ele definiu. Não há registro, nas fontes oficiais consultadas, de que esse instrumento regule a decoração ou a curadoria de arte dentro de cada residência — o que é compatível com o fato de casas como a Casa 051 continuarem sendo projetadas hoje em concreto aparente, vidro e planta aberta.

O arquiteto André Alf, em entrevista ao blog do DF Imóveis, resume essa distinção ao falar da própria prática em Brasília: "Acho que a cidade mantém bem suas referências. Acredito que a inovação nada fere ou atrapalha o tombamento da cidade." A mesma lógica vale para o que se escolhe pendurar dentro de casa: o tombamento protege o desenho urbano visto de fora, não a curadoria de arte que acontece dentro da sala.

O olhar do ateliê

O que eu leio antes de indicar uma obra para uma casa em Brasília

Antes de ser artista, sou arquiteta — e isso muda o que eu vejo primeiro numa foto de ambiente. Quando alguém me manda a imagem de uma sala com vão de vidro aberto para o jardim e uma viga de concreto aparente correndo por cima, eu não meço só a parede: eu procuro de onde a pessoa costuma olhar aquele espaço no dia a dia — do sofá, da cozinha, de quem entra pela porta — e em que horário a luz direta entra mais forte ali, porque é isso que decide se uma superfície lisa basta ou se o ambiente pede o relevo de uma obra como Patina Field.

Trabalho a série Terra & Ether pensando exatamente nesse tipo de casa: concreto, madeira, vidro. Não é uma obra pensada para parede branca neutra de galeria — é pensada para competir, na medida certa, com os materiais que a arquitetura brasiliense já colocou na sala antes da obra chegar.

Perguntas frequentes

Que tamanho de quadro combina com uma casa de Brasília de pé-direito alto e planta aberta?

Não existe um número único — depende do comprimento livre da parede e da distância normal de onde se olha o ambiente. Como referência do acervo: Patina Field (100 × 100 cm) funciona como ponto focal isolado numa parede de proporção mais contida; Amber Strata (150 × 100 cm), por ser horizontal, acompanha melhor uma parede longa e contínua, o tipo mais comum em plantas abertas com vão de vidro amplo.

Concreto aparente pede quadro emoldurado ou sem moldura?

A maior parte das obras do ateliê sai sem moldura, com as laterais da tela finalizadas — um acabamento que costuma conversar bem com o concreto aparente, que também é uma superfície sem moldura, exposta como estrutura. Moldura ou montagem flutuante podem ser arranjadas a pedido quando o projeto pede outro acabamento.

O tombamento de Brasília limita o que posso pendurar dentro de casa?

Não há registro de que o tombamento do Plano Piloto regule a decoração interna das residências. O tombamento do Conjunto Urbanístico de Brasília, reconhecido pela UNESCO em 1987 e registrado pelo Iphan, tem como foco documentado a coerência do desenho urbano — a curadoria de arte dentro de casa é decisão de quem mora ali, e não consta como parte do instrumento de proteção do plano urbanístico.

Que paleta de cor combina com madeira e concreto aparente?

Paletas minerais e terrosas — cinza, ocre, marrom ferroso, azul-ardósia — costumam dialogar melhor com os dois materiais do que cores muito saturadas, porque ficam na mesma família tonal do concreto e da madeira já presentes no ambiente. É a lógica de trabalho da série Terra & Ether do ateliê. Ambientes com mais madeira quente e menos concreto tendem a aceitar bem o contraste contido de Black & Gold.

A que distância uma obra grande deve ser lida numa sala de planta aberta?

Não há uma métrica documentada única para isso — na prática do ateliê, o critério é a distância real de onde as pessoas circulam e se sentam naquele ambiente específico, não uma fórmula fixa. Enviar uma foto do espaço com a posição do sofá ou da mesa é o que permite uma indicação precisa dentro do acervo.

O ateliê atende arquitetos que projetam casas em Brasília?

Sim. O Perfeito Studio atende arquitetos e designers de interiores diretamente, sem intermediário, com curadoria dentro do acervo existente a partir da planta baixa, de uma foto do ambiente, da medida livre de parede e da temperatura de luz prevista no ponto de iluminação do projeto. Condições para escritórios que trazem múltiplos projetos por ano estão detalhadas no programa Para Arquitetos, incluindo dossiê técnico por projeto.

Tem parede de concreto aparente ou vão de vidro em Brasília?

Envie uma foto do ambiente — o ateliê indica, dentro do acervo, a obra com a escala e a paleta certas para o espaço.

Obras disponíveis

Fontes

  1. ArchDaily Brasil — 2026-09-15
  2. ArchDaily Brasil — 2026-09-15
  3. Blog DF Imóveis — 2026-09-15
  4. Iphan — Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — 2026-09-15
  5. Perfeito Studio — fonte interna do acervo — 2026-09-15

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