A série "Histórias" do MASP: o que é e o que cada edição propôs
A série "Histórias" é um programa de exposições temáticas do MASP, conduzido por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP à frente de cada edição, que substitui a cronologia tradicional da história da arte por recortes transversais de um mesmo assunto. As edições já realizadas incluem Histórias da sexualidade (2017-2018), Histórias afro-atlânticas (2018) e Histórias brasileiras (2022), cada uma reunindo centenas de obras de múltiplos períodos e origens.
O que é a série "Histórias" do MASP
"Histórias" é o nome que o MASP dá a um formato próprio de exposição: em vez de organizar uma mostra em torno de um único artista, movimento ou período, o museu recorta um tema — sexualidade, a diáspora afro-atlântica, o Brasil — e reúne, sob esse tema, obras de proveniências, épocas e suportes muito diferentes entre si, lado a lado. É uma escolha curatorial deliberada: o critério de organização é o assunto, não a cronologia.
O programa é conduzido por Adriano Pedrosa, que assina as edições como diretor artístico do MASP, à frente de equipes curatoriais que variam conforme a edição, somando curadores do próprio museu e curadores convidados especializados no tema de cada mostra.
Histórias da sexualidade (2017-2018)
A primeira edição do formato reuniu mais de 300 obras organizadas em núcleos temáticos não cronológicos — entre eles corpo nu, religiosidade, performatividade de gênero e política do corpo —, colocando lado a lado arte pré-colombiana, arte sacra e produção contemporânea. A curadoria foi assinada por Adriano Pedrosa (diretor artístico), com Camila Bechelany, Lilia Schwarcz e Pablo León de la Barra como curadores assistentes.
Histórias afro-atlânticas (2018)
A segunda edição reuniu cerca de 450 obras de 214 artistas, do século XVI ao XXI, para examinar as conexões entre África, Américas, Caribe e Europa — com o Brasil no centro da narrativa, por ter recebido, segundo a exposição, cerca de 46% dos 11 milhões de africanos deslocados à força ao longo de três séculos. A curadoria reuniu Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo.
Histórias brasileiras (2022)
A terceira edição olhou para o próprio país, propondo narrativas descritas pelo museu como "complexas, contraditórias, múltiplas, fragmentadas, incompletas", organizadas por tema — não por linha do tempo — em oito núcleos, com mais de 400 objetos entre pinturas, fotografias, esculturas, documentos e instalações. A curadoria foi coassinada por Adriano Pedrosa e Lilia M. Schwarcz, com equipe formada por Amanda Carneiro, André Mesquita, Fernando Oliva, Glaucea Brito, Guilherme Giufrida e Isabella Rjeille, além dos curadores convidados Clarissa Diniz, Sandra Benites e Tomás Toledo.
Por que o formato importa para quem estuda ou coleciona arte
O valor do formato "Histórias" para quem acompanha arte brasileira está em mostrar que uma mesma pergunta — sobre corpo, origem ou nação — pode ser respondida por obras muito distantes entre si no tempo e na técnica. É um exercício de comparação que ajuda a enxergar continuidades e rupturas que a ordem cronológica tradicional esconde, e serve de referência para pensar como qualquer acervo, inclusive um pequeno, pode ser lido por tema em vez de só por data.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê
Séries como "Histórias" nos interessam por um motivo prático, não só teórico: organizar um acervo por tema, e não por ordem de produção, é exatamente a lógica que guia as séries do Perfeito Studio. Em Black & Gold, por exemplo, o fio condutor não é a data em que cada tela foi pintada, mas o que o ouro representa em cada uma — presença, fé, transcendência incorporada à matéria, como em Golden Passage. É um modo de agrupar obra que aprendemos observando como museus lidam com acervos muito maiores que o nosso: o tema é que dá coerência, a cronologia vem depois.
Perguntas frequentes
A série "Histórias" do MASP é uma exposição única ou várias?
É um formato recorrente de exposição, não uma mostra única. O MASP já realizou diferentes edições sob esse nome, cada uma dedicada a um tema — sexualidade, histórias afro-atlânticas, histórias brasileiras —, sempre organizando obras por assunto em vez de por ordem cronológica.
Quem idealizou o formato "Histórias" do MASP?
O programa é conduzido por Adriano Pedrosa, que assina as edições como diretor artístico do MASP, à frente de equipes curatoriais que mudam conforme o tema de cada edição, somando curadores do museu e curadores convidados especializados no assunto.
Quais foram as edições da série "Histórias" do MASP?
As edições realizadas incluem Histórias da sexualidade (2017-2018), Histórias afro-atlânticas (2018) e Histórias brasileiras (2022). Cada uma reuniu de centenas a mais de quatrocentas obras, de proveniências e períodos muito diferentes entre si.
O que diferencia esse formato de uma exposição tradicional?
Uma exposição tradicional costuma seguir um artista, um movimento ou um período histórico. O formato "Histórias" faz o caminho inverso: parte de um tema e busca, nesse tema, obras de qualquer época, origem ou suporte que dialoguem entre si — o critério de organização é o assunto, não a linha do tempo.
Quem participou da curadoria de Histórias brasileiras (2022)?
A curadoria foi coassinada por Adriano Pedrosa e pela historiadora Lilia M. Schwarcz, com equipe formada por Amanda Carneiro, André Mesquita, Fernando Oliva, Glaucea Brito, Guilherme Giufrida e Isabella Rjeille, todos vinculados ao MASP.
Esse jeito de organizar exposição por tema pode inspirar um colecionador iniciante?
Sim, na medida em que sugere um exercício simples: olhar para as obras que já se tem (ou que se pretende adquirir) e perguntar o que elas têm em comum além da data — um material, uma cor, uma ideia. É um critério de curadoria pessoal que qualquer colecionador pode aplicar, em qualquer escala de acervo.
Quer conhecer as séries do Perfeito Studio?
Cada série do ateliê reúne obras por tema e materialidade, não por ordem de produção — fale com a gente para entender qual delas conversa com o seu espaço.
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