Quem projeta os museus e as exposições no Brasil
Quem projeta a exposição dentro de um museu nem sempre é quem projetou o edifício. No Brasil, o Metro Arquitetos Associados assina a expografia do MASP desde dezembro de 2014, enquanto o Andrade Morettin Arquitetos venceu, em 2011, o concurso para a nova sede do Instituto Moreira Salles na Av. Paulista, aberta em 2017. São ofícios distintos, com frequência times distintos.
O que é expografia, e por que é um ofício à parte
Expografia é o projeto de como uma exposição é apresentada dentro de um espaço: a disposição das obras, os suportes e vitrines, a iluminação de cada peça, os painéis de texto, a sinalização e o percurso que o visitante percorre pela sala. É um projeto de experiência e de leitura — como o olhar se move de uma obra para outra, o que fica em primeiro plano, o que se revela depois.
Isso é diferente do projeto arquitetônico do edifício que abriga o museu: a estrutura, as fachadas, a distribuição de andares, a circulação entre as áreas públicas e técnicas. Um mesmo museu costuma ter um arquiteto responsável pelo edifício e, separadamente, um ou mais escritórios responsáveis pela expografia de cada exposição — a arquitetura do prédio tende a durar décadas, enquanto a expografia de uma mostra específica pode ser desmontada ao fim da temporada e refeita para a próxima.
Quem projetou o edifício do Instituto Moreira Salles na Avenida Paulista
O novo edifício-sede do Instituto Moreira Salles (IMS) na Avenida Paulista, em São Paulo, foi projetado pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados, vencedor de um concurso realizado em 2011 que reuniu outros cinco escritórios convidados — SPBR Arquitetos, Bernardes Jacobsen Arquitetura, Una Arquitetos, Studio MK 27 e Arquitetos Associados.
O edifício, com 8.662 m², foi aberto ao público em 2017, construído em vidro, pedra e concreto. A consultoria de museologia do projeto foi assinada por Álvaro Razuk, e o projeto estrutural, por Yopanan Rebello. O programa reúne salas expositivas, cinema/auditório, biblioteca de fotografia, salas de curso, loja e a administração do IMS.
Quem projeta as exposições do MASP: o caso do Metro Arquitetos Associados
Segundo o site do escritório, o Metro Arquitetos Associados foi fundado em São Paulo, no ano 2000, por Martin Corullon, Gustavo Cedroni e Marina Ioshii. Em dezembro de 2014, conforme reportagem do ArchDaily Brasil, o escritório assumiu a área de expografia do MASP, com equipe formada por Martin Corullon, Helena Cavalheiro e Juliana Ziebell, sob a codireção de Gustavo Cedroni.
Em abril de 2015, ainda segundo o ArchDaily Brasil, o Metro assinou a expografia da exposição "Arte do Brasil até 1900", baseada em projetos originais que Lina Bo Bardi havia criado para as exposições do acervo na antiga sede do museu na FAAP, entre 1957 e 1959, antes de o MASP ganhar o edifício definitivo na Avenida Paulista — incluindo o sistema dos cavaletes de vidro, cujo retorno ao museu o próprio ArchDaily Brasil descreve como uma etapa prevista, não como algo já concluído nessa expografia específica. Segundo o site do escritório, o Metro também assinou a expografia da 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, e recebeu o Prêmio APCA da Associação Paulista de Críticos de Arte em 2012 e 2016.
Arquitetura de museu e expografia de exposição: como diferenciar na prática
Na prática, os dois projetos respondem a perguntas diferentes. O arquiteto do edifício resolve onde fica a entrada, como o público circula entre andares, qual estrutura sustenta o pé-direito das salas, como a luz natural entra nos ambientes técnicos e nos de exposição. O expógrafo resolve outra pergunta, dentro do espaço já construído: como esta obra específica, nesta mostra específica, deve ser vista — a que altura pendurar, que distância deixar entre uma peça e outra, o que a iluminação artificial deve revelar ou esconder, em que ordem o visitante encontra cada objeto.
É por isso que um museu pode manter o mesmo edifício por décadas e, ainda assim, contratar escritórios diferentes de expografia para exposições temporárias sucessivas — como fez o MASP com o Metro Arquitetos a partir de 2014, sem que isso implique qualquer mudança na estrutura do prédio já existente. O edifício do MASP na Avenida Paulista, aliás, é anterior a essa expografia: foi projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi e inaugurado em 7 de novembro de 1968, décadas antes de o Metro assumir o projeto de como cada mostra é apresentada dentro dele. Arquitetura de museu e expografia de exposição são ofícios que se cruzam no mesmo endereço, mas raramente são exercidos pela mesma prancheta.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê
Não projeto museus nem expografias institucionais — é um ofício distinto do meu, e prefiro não confundir os dois. Mas a formação em arquitetura muda como eu enxergo o lugar de uma pintura antes mesmo de ela sair do ateliê. Quando decido a escala de uma obra como Elemental Veins, da série Terra & Ether, já estou pensando na parede que vai recebê-la: o pé-direito do ambiente, a incidência de luz ao longo do dia, a distância de onde alguém vai parar para olhar.
É uma versão doméstica, em escala menor, do mesmo problema que um expógrafo resolve em escala institucional — como o espaço e a obra negociam presença um com o outro. A diferença é que, aqui, a "instituição" costuma ser a sala de estar, o hall de entrada ou a sala de reunião de quem adquire a peça, e a conversa acontece direto comigo, pelo WhatsApp — sem edital de concurso, sem comissão curatorial, sem prazo de inauguração.
Perguntas frequentes
O que é expografia?
Expografia é o projeto de como uma exposição é apresentada dentro de um espaço: a disposição das obras, os suportes e vitrines, a iluminação de cada peça, a sinalização e o percurso que o visitante faz pela sala. É diferente do projeto arquitetônico do prédio que abriga o museu — a arquitetura tende a durar décadas, enquanto a expografia de uma mostra específica é desmontada ao fim da temporada e refeita para a próxima exposição.
Quem projeta as exposições do MASP?
Desde dezembro de 2014, o escritório Metro Arquitetos Associados assumiu a área de expografia do MASP, conforme reportagem do ArchDaily Brasil, com equipe formada por Martin Corullon, Helena Cavalheiro e Juliana Ziebell, sob codireção de Gustavo Cedroni. Em 2015 o escritório assinou a expografia da exposição "Arte do Brasil até 1900", baseada em projetos que Lina Bo Bardi havia criado para as exposições do acervo na FAAP, entre 1957 e 1959.
Quem projetou o edifício do Instituto Moreira Salles na Avenida Paulista?
O escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados venceu, em 2011, o concurso para a nova sede do IMS na Avenida Paulista, disputado também por SPBR Arquitetos, Bernardes Jacobsen Arquitetura, Una Arquitetos, Studio MK 27 e Arquitetos Associados. O edifício, com 8.662 m², construído em vidro, pedra e concreto, com consultoria de museologia de Álvaro Razuk e projeto estrutural de Yopanan Rebello, foi aberto ao público em setembro de 2017.
Expografia é a mesma coisa que arquitetura de museu?
Não. A arquitetura do edifício resolve estrutura, circulação e fachada, e costuma durar décadas sem mudar. A expografia resolve como cada exposição específica é apresentada dentro desse espaço já construído — altura de pendurar, distância entre peças, iluminação, percurso do visitante — e muda a cada mostra. É comum que um museu mantenha o mesmo edifício por décadas e contrate escritórios diferentes de expografia para exposições temporárias sucessivas.
O prédio do MASP na Avenida Paulista também foi projetado pelo Metro Arquitetos?
Não. O edifício do MASP na Avenida Paulista foi projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi e inaugurado em 7 de novembro de 1968. O Metro Arquitetos assumiu, décadas depois, a partir de dezembro de 2014, a área de expografia do museu — ou seja, o projeto de como cada exposição é apresentada dentro do edifício já existente, não o projeto do prédio em si.
O Perfeito Studio tem alguma relação com o MASP, o Instituto Moreira Salles, o Metro Arquitetos ou o Andrade Morettin?
Não. Esses são exemplos usados aqui para explicar quem projeta museus e expografias no Brasil, e nenhum deles tem vínculo com o Perfeito Studio ou com a obra de Alyne Perfeito. A aquisição das obras do ateliê é direta com a artista, sem qualquer exposição em instituição envolvida no processo.
Quer uma obra pensada para o espaço, não para um edital de museu?
Alyne Perfeito é arquiteta e artista — a leitura de escala, luz e ambiente que ela aplica a cada obra vem da mesma formação que orienta arquitetos e expógrafos. Fale direto com o ateliê no WhatsApp.
Fontes
- Metro Arquitetos Associados (site do escritório) — 2026-09-17
- ArchDaily Brasil — 2026-09-17
- ArchDaily Brasil — 2026-09-17
- ArchDaily — 2026-09-17
- Concursos de Projeto — 2026-09-17
- Enciclopédia Itaú Cultural — 2026-09-17
- Perfeito Studio — 2026-09-17
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