O que é a Bienal de Arquitetura de Veneza e como o Brasil participa
A Bienal de Arquitetura de Veneza é a Exposição Internacional de Arquitetura da La Biennale di Venezia, criada em 1980 e realizada a cada dois anos. Cada edição reúne dezenas de participações nacionais em pavilhões — o do Brasil é organizado pela Fundação Bienal de São Paulo, que detém a prerrogativa oficial de representar o país e, em 2023, levou pela primeira vez o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional.
O que é a Bienal de Arquitetura de Veneza
A Exposição Internacional de Arquitetura é a vertente de arquitetura da La Biennale di Venezia — a mesma instituição veneziana que organiza a Bienal de Arte, sob o mesmo formato de mostra periódica com curador diferente a cada edição (o funcionamento geral desse formato está explicado aqui e não se repete neste texto). Segundo a própria La Biennale, a primeira Exposição Internacional de Arquitetura aconteceu em 1980, e desde então a mostra ocorre a cada dois anos — a edição de 2025 foi a 19ª.
Cada edição tem um curador-geral responsável pela tese central da mostra. Em 2025, o arquiteto e engenheiro Carlo Ratti — à frente do Senseable City Lab do MIT e cofundador do escritório CRA — assinou a curadoria geral sob o tema Intelligens. Natural. Artificial. Collective.
Como funcionam os pavilhões nacionais
Além da exposição central assinada pelo curador-geral, a Bienal de Arquitetura reúne participações nacionais organizadas de forma independente por cada país — cada uma com curadoria e comissariado próprios, distribuídas nos Giardini, no Arsenale e em espaços pelo centro histórico de Veneza. A edição de 2025 teve 66 participações nacionais: 26 pavilhões nos Giardini, 25 no Arsenale e 15 no centro da cidade, com quatro países estreantes (Azerbaijão, Omã, Catar e Togo).
Não existe venda nem comercialização dentro dos pavilhões — cada país usa o espaço para apresentar uma leitura própria do tema da edição, através de instalação, pesquisa ou intervenção arquitetônica.
O Pavilhão do Brasil: quem representa o país e como
A representação oficial do Brasil na Bienal de Veneza é uma prerrogativa da Fundação Bienal de São Paulo, reconhecida pela instituição veneziana em função do trabalho que a Fundação já realiza no campo artístico e cultural — a mesma entidade por trás da Bienal de Arte de São Paulo. O prédio do Pavilhão do Brasil, dentro dos Giardini, foi projetado pelo arquiteto Henrique Mindlin e construído em 1964.
A cada edição, a Fundação convida curadores brasileiros para assinar o projeto do pavilhão — a curadoria muda a cada mostra, do mesmo jeito que muda na Bienal de Arte.
2023: o Leão de Ouro do Pavilhão do Brasil
Na 18ª Exposição Internacional de Arquitetura (2023), tema O Laboratório do Futuro, o Pavilhão do Brasil apresentou a exposição Terra, com curadoria de Gabriela de Matos e Paulo Tavares. A mostra colocou terra — literalmente — no piso do pavilhão, propondo uma leitura da arquitetura brasileira a partir de referências indígenas, quilombolas e de terreiros de candomblé.
O júri da Bienal concedeu ao Brasil o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional — a primeira vez, na história da mostra, que o país recebe esse prêmio.
A edição mais recente: 2025, com o tema (RE)INVENÇÃO
Na 19ª edição (10 de maio a 23 de novembro de 2025, com pré-abertura em 8 e 9 de maio), o Pavilhão do Brasil apresentou (RE)INVENÇÃO, com curadoria de Luciana Saboia (FAU/UnB), Matheus Seco (Bloco Arquitetos) e Eder Alencar (ArqBR) — os três integrantes do coletivo Plano Coletivo — e comissariado de Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. O projeto propôs uma curadoria de práticas e pesquisas em desenvolvimento, em diálogo com pesquisadores e arquitetos de diferentes regiões do país, sobre a relação entre humanos, terra e natureza.
O olhar do ateliê
O que uma arquiteta lê numa mostra assim
Acompanho as edições da Bienal de Veneza pela mesma razão que acompanho qualquer debate sobre como um espaço organiza a leitura de quem entra nele — é a formação em arquitetura, não uma ligação com a mostra em si: nunca participei de uma bienal, e este texto não insinua isso. O que me interessa nesse tipo de curadoria é a decisão de percurso — o que se vê primeiro, o que se atravessa antes de chegar ao centro da instalação — porque é o mesmo tipo de decisão que tomo em escala bem menor ao planejar como uma obra ocupa uma parede ou como uma série se apresenta num ambiente: pensar o espaço antes de pensar a imagem.
Perguntas frequentes
Quando foi criada a Bienal de Arquitetura de Veneza?
A primeira Exposição Internacional de Arquitetura da La Biennale di Venezia aconteceu em 1980, e desde então a mostra é realizada a cada dois anos, sempre com um curador-geral diferente.
Quem representa oficialmente o Brasil na Bienal de Veneza?
A Fundação Bienal de São Paulo detém a prerrogativa oficial de representar o Brasil, e é ela quem convida os curadores responsáveis pelo Pavilhão do Brasil a cada edição.
O Brasil já ganhou algum prêmio na Bienal de Arquitetura de Veneza?
Sim. Em 2023, na 18ª edição, o Pavilhão do Brasil recebeu o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional com a exposição Terra, de Gabriela de Matos e Paulo Tavares — a primeira vez que o país recebe esse prêmio na história da mostra.
O que foi apresentado no Pavilhão do Brasil em 2025?
A exposição (RE)INVENÇÃO, com curadoria de Luciana Saboia, Matheus Seco e Eder Alencar (grupo Plano Coletivo) e comissariado de Andrea Pinheiro, esteve em cartaz de 10 de maio a 23 de novembro de 2025.
É possível comprar obras dentro dos pavilhões da Bienal de Veneza?
Não. Assim como na Bienal de Arte, os pavilhões nacionais da Bienal de Arquitetura são projetos curatoriais e de pesquisa — não há comercialização de obras ou projetos dentro da mostra.
Onde ficam os pavilhões da Bienal de Arquitetura de Veneza?
As participações nacionais se distribuem principalmente em dois núcleos históricos, os Giardini e o Arsenale, além de espaços adicionais pelo centro histórico de Veneza — na edição de 2025 foram 66 participações ao todo, somando os três locais.
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Fontes
- La Biennale di Venezia — 2026-09-27
- La Biennale di Venezia — 2026-09-27
- Fundação Bienal de São Paulo — 2026-09-27
- Fundação Bienal de São Paulo — 2026-09-27
- Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) — 2026-09-27
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