Journal · Exposições e museus

Bienal de Veneza 2024: o que foi a mostra "Estrangeiros por toda parte"

A 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, intitulada Estrangeiros por toda parte (Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere), foi curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP e primeiro curador latino-americano a assinar a mostra, com exposição aberta de 20 de abril a 24 de novembro de 2024 e recorte voltado a artistas queer, autodidatas, indígenas e imigrantes.

Crossing Currents (80 x 120 cm), técnica mista com acrílica e pasta texturizada sobre tela — Alyne Perfeito, Perfeito Studio
Crossing Currents (80 × 120 cm), da série Terra & Ether. Perfeito Studio.

O que foi a 60ª Bienal de Arte de Veneza

A 60ª Esposizione Internazionale d'Arte da La Biennale di Venezia ficou aberta ao público de 20 de abril a 24 de novembro de 2024, com pré-abertura entre 17 e 19 de abril, ocupando os núcleos históricos dos Giardini e do Arsenale, além de espaços pelo centro de Veneza. A curadoria coube a Adriano Pedrosa, brasileiro, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) — segundo a própria La Biennale di Venezia, o primeiro curador latino-americano convidado a assinar a mostra em toda a sua história.

O título oficial, em italiano e inglês, é Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere; em português, o próprio Pedrosa e a imprensa brasileira adotaram "Estrangeiros por toda parte".

De onde vem o título "Estrangeiros por toda parte"

Pedrosa explica, em texto de apresentação publicado pela própria Bienal, que a expressão foi "apropriada do nome de um coletivo de Turim que, no início dos anos 2000, combatia o racismo e a xenofobia na Itália: Stranieri Ovunque". Esse nome foi depois transformado pelo coletivo de artistas Claire Fontaine em uma série de esculturas de neon com a frase traduzida para dezenas de idiomas — incluindo línguas indígenas e extintas —, obra que dá nome à mostra de 2024.

Na versão em português adotada por Pedrosa para a divulgação brasileira, o título aparece também como Mamõyguara opá mamõ pupé, expressão em tupi antigo que significa "estrangeiros por toda a parte" — referência ao projeto curatorial que ele já havia assinado no MAM de São Paulo em 2009, segundo reportagem da revista arte!brasileiros.

O recorte curatorial: quem Pedrosa colocou no centro da mostra

No texto de apresentação, Pedrosa organiza o recorte da 60ª edição em torno de quatro figuras que, em diferentes sentidos, ocupam a posição de "estrangeiro": o artista queer, que "se moveu entre diferentes sexualidades e gêneros, muitas vezes sendo perseguido ou marginalizado pela lei"; o artista outsider, nas margens do circuito da arte, incluindo autodidatas e artistas populares; o artista indígena, "frequentemente tratado como estrangeiro em sua própria terra"; e o artista imigrante ou diaspórico, com atenção especial a deslocamentos entre o Sul e o Norte Global. Migração e descolonização aparecem no texto como os temas-chave que atravessam a mostra.

A mesma reportagem da arte!brasileiros registra que, no núcleo contemporâneo da exposição, Pedrosa contou com Amanda Carneiro, curadora assistente do MASP, entre a equipe que o auxiliou na organização curatorial.

Os prêmios oficiais da edição de 2024

Segundo o comunicado oficial de premiação da La Biennale di Venezia, o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional foi para a Austrália, pela mostra kith and kin, e o Leão de Ouro de Melhor Participante da Exposição Internacional foi para o Mataaho Collective, coletivo de artistas de Aotearoa (Nova Zelândia). O Leão de Prata de Participante Jovem Promissor coube a Karimah Ashadu, por um vídeo e uma escultura apresentados na mostra.

A Bienal concedeu ainda Menções Especiais à participação nacional do Kosovo e, na Exposição Internacional, a Samia Halaby e a La Chola Poblete. Por recomendação do próprio Pedrosa, dois Leões de Ouro de Carreira foram entregues a Anna Maria Maiolino, artista ítalo-brasileira, e a Nil Yalter, artista turca radicada em Paris.

O olhar do ateliê

O que essa discussão significa vista de um ateliê fora do circuito institucional

Acompanho essa edição de perto por um motivo bem concreto: o recorte que ela discute em escala internacional — quem tem lugar reconhecido dentro da história da arte e quem fica de fora dela — é, numa escala bem mais modesta, a mesma pergunta que atravessa o meu próprio estúdio. Sou uma artista em início de trajetória, sem galeria, sem representação institucional e sem participação em nenhuma bienal — este texto não insinua o contrário. O que eu faço com isso, na prática, é resolver pela documentação o que a curadoria resolve pela crítica: cada obra que sai do ateliê carrega Archive ID, certificado de autenticidade e dossiê técnico, porque quando não existe uma instituição por trás para validar a procedência de uma peça, é o registro cuidadoso que ocupa esse lugar.

Perguntas frequentes

O que significa o título "Estrangeiros por toda parte", da Bienal de Veneza 2024?

É a tradução do título oficial da 60ª Exposição Internacional de Arte, Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere. O curador Adriano Pedrosa explica que o nome foi apropriado de um coletivo de Turim que combatia o racismo e a xenofobia na Itália no início dos anos 2000, e que o artista Claire Fontaine transformou em uma série de esculturas de neon traduzidas para dezenas de idiomas.

Quem foi o curador da Bienal de Veneza de 2024?

Adriano Pedrosa, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Segundo a La Biennale di Venezia, ele foi o primeiro curador latino-americano convidado a assinar a Exposição Internacional de Arte em toda a história da mostra.

Quando a 60ª Bienal de Arte de Veneza esteve aberta ao público?

De 20 de abril a 24 de novembro de 2024, com uma pré-abertura restrita entre 17 e 19 de abril, nos núcleos dos Giardini e do Arsenale e em espaços adicionais pelo centro histórico de Veneza.

Quais artistas ou países receberam os prêmios oficiais da Bienal de Veneza 2024?

O Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional foi para a Austrália; o Leão de Ouro de Melhor Participante da Exposição Internacional foi para o Mataaho Collective, da Nova Zelândia; e o Leão de Prata de Jovem Promissor foi para Karimah Ashadu. Anna Maria Maiolino e Nil Yalter receberam Leões de Ouro de Carreira por recomendação do curador.

Qual foi o recorte curatorial de Adriano Pedrosa na edição de 2024?

Pedrosa organizou a mostra em torno de quatro figuras que ocupam, em sentidos diferentes, a posição de estrangeiro: o artista queer, o artista outsider (incluindo autodidatas), o artista indígena e o artista imigrante ou diaspórico — com atenção especial a deslocamentos entre o Sul e o Norte Global.

É possível comprar as obras exibidas na Bienal de Veneza?

Não. A Exposição Internacional de Arte é uma mostra curatorial e crítica, sem comercialização de obras dentro do recinto. Quem quer adquirir arte contemporânea original o faz por outros canais, como diretamente com o ateliê do artista.

Quer conhecer o acervo de um ateliê fora do circuito institucional?

O Perfeito Studio vende direto do ateliê, com Archive ID, certificado de autenticidade e dossiê em cada obra.

Obras disponíveis

Fontes

  1. La Biennale di Venezia — 2026-09-27
  2. La Biennale di Venezia — 2026-09-27
  3. La Biennale di Venezia — 2026-09-27
  4. arte!brasileiros — 2026-09-27

This section in English →

Publicado em