Se você gosta de Gerhard Richter, que artistas contemporâneos ver
Se você gosta de Gerhard Richter, dois nomes valem a busca pelo mesmo tipo de procedimento: Jack Whitten, que construiu sua própria ferramenta de camada, o Developer, para resolver um problema parecido, e Bernard Frize, que trata a pintura como um processo quase industrial, com ferramentas pouco convencionais. A comparação vale pela técnica de camada, não pela estatura de cada artista.
Por que Gerhard Richter é uma referência quando o assunto é pintura em camadas
Gerhard Richter nasceu em Dresden em 1932 e vive e trabalha em Colônia — a Tate o descreve como um dos artistas mais importantes em atividade, justamente por não ter se fixado num único caminho. Ele produz pinturas a partir de fotografias, obras monocromáticas e, desde meados da década de 1980, uma extensa série de pinturas abstratas feitas com um squeegee artesanal: uma régua de borda emborrachada usada para arrastar e raspar camadas de tinta sobre a tela.
Nos anos 1990 o gesto ganhou uma variação — Richter passou a mover o squeegee também na vertical, criando as colunas que aparecem em boa parte das pinturas abstratas monumentais da década. O resultado é uma superfície em que cada camada revela e esconde a anterior ao mesmo tempo, sem que se veja o traço de um pincel.
Richter pinta abstrato ou figurativo? Os dois — e nunca precisou escolher
Um engano comum de quem chega a Richter por uma única imagem é assumir que ele "virou" abstrato depois de uma fase figurativa. Não é o que a própria Tate registra: a instituição descreve sua produção como pinturas a partir de fotografias ao lado de quadros abstratos, naturezas-mortas tradicionais ao lado de temas de forte carga — muitas vezes dentro da mesma exposição.
Essa recusa em fechar um estilo único é parte do que o tornou referência: o squeegee não é um ponto de chegada, é uma ferramenta que ele intercala com a pintura a partir de fotografias conforme o projeto pede.
Dois artistas contemporâneos que resolvem o mesmo problema de camada — por caminhos opostos
Jack Whitten (1939–2018, nascido em Bessemer, Alabama) chegou a uma solução parecida com a de Richter por conta própria. Ele construiu sua própria ferramenta, apelidada de "Developer": uma peça em formato de T que passava sobre a tela num único movimento, arrastando camadas de tinta acrílica ainda úmida. Whitten também cobria parte da superfície com tecido de náilon para produzir um efeito difuso, quase fotográfico — outra forma de deixar a ferramenta, e não o pincel, decidir o resultado.
Bernard Frize (nascido em 1949, na França) trabalha o mesmo território por um caminho oposto: sua pintura é descrita como um processo quase industrial, que depende de ferramentas pouco convencionais e, por vezes, da ajuda de outras pessoas para ser concluída. Frize não busca o gesto expressivo — busca um acordo entre o material, a superfície e quem olha, deixando o sistema aparecer antes da assinatura.
Os dois compartilham a pergunta de Richter — como construir uma superfície em camadas sem que o resultado dependa só da destreza do pincel — mas respondem de formas diferentes. É uma comparação de procedimento, não de importância: Whitten e Frize têm trajetórias, décadas de exposição institucional e mercado próprios, que não se medem pela régua de Richter.
Onde ver Gerhard Richter — e o que checar antes de comparar alguém a ele
A Tate, em Londres, mantém Abstract Painting (726) (1990) em seu acervo permanente — óleo sobre tela, 350 x 250 cm, registro T06600, um díptico reconhecível pelas faixas horizontais raspadas em branco, vermelho e laranja-ferrugem sobre uma imagem original que Richter cobriu de tinta.
Se você está comparando um artista novo a Richter — inclusive uma obra deste ateliê — o teste útil não é "isso parece com Richter". É "essa pessoa resolve o mesmo problema de camada, com ferramenta e lógica próprias, documentadas?". Nome de referência serve para descrever procedimento. Não serve para emprestar currículo.
O olhar do ateliê
O olhar do ateliê: a régua de Richter e a espátula de Amber Strata
Eu não vi um Richter original de perto — conheço o trabalho dele pelas reproduções que qualquer pessoa formada em arquitetura acaba encontrando. Mas reconheço o problema técnico que o squeegee resolve, porque encontro a mesma pergunta em escala bem menor no meu ateliê: como fazer a camada de baixo continuar presente depois que a de cima é aplicada, sem que a obra vire só uma mancha.
Em Amber Strata e em Patina Field eu resolvo isso devagar — aplico pigmento, raspo, aplico de novo, até a superfície se comportar como um corte de sedimento e não como uma pintura terminada numa sessão só. Em Silent Interval fiz o oposto: um único gesto escuro, sem correção, porque ali o que importava era o intervalo entre uma marca e a próxima, não a repetição. São ferramentas diferentes das de Richter — na minha prática ainda é mão, espátula e massa de textura, não uma régua de squeegee — mas o tipo de decisão é o mesmo: onde a camada para de esconder e começa a construir.
Não coloco isso lado a lado como mérito. Richter tem seis décadas de produção documentada; eu tenho um ateliê cujas obras catalogadas começam em 2025. O que a gente divide é a pergunta, não o currículo.
Perguntas frequentes
Por que Gerhard Richter é considerado tão influente?
Ele é citado como referência por não ter se fixado num único estilo — a Tate o descreve como um dos artistas mais importantes em atividade, alguém que combina pintura a partir de fotografias, obras monocromáticas e uma extensa produção abstrata feita com squeegee, muitas vezes dentro da mesma exposição.
Richter pinta de forma figurativa ou abstrata?
Os dois. Richter nunca abandonou a pintura a partir de fotografias para se dedicar só à abstração — ele mantém as duas linhas de trabalho em paralelo, incluindo dentro da mesma mostra, segundo a Tate.
Que artistas contemporâneos dialogam com a pintura abstrata de Richter?
Jack Whitten (1939–2018) construiu sua própria ferramenta de camada, chamada "Developer", para resolver um problema parecido de construção de superfície em camadas. Bernard Frize (nascido em 1949) trabalha o mesmo território por um caminho processual e sistemático, com ferramentas pouco convencionais. Nenhum dos dois é comparável em estatura a Richter — a aproximação é de procedimento, não de carreira.
Onde ver obras de Gerhard Richter?
A Tate, em Londres, mantém "Abstract Painting (726)" (1990) em seu acervo permanente, registro T06600 — é o exemplo documentado que usamos nesta página. Para outras localizações, confira diretamente o site da instituição que você pretende visitar.
Richter ainda produz obra nova?
Sim, ao menos até a informação mais recente documentada: em 2020 ele apresentou vitrais para a Abadia de Tholey e declarou que seria seu último grande trabalho, dizendo que passaria a se dedicar a desenhos e esboços a partir daí.
Interessado em pintura construída em camadas?
Amber Strata, Patina Field e Silent Interval são obras do Perfeito Studio que trabalham o mesmo problema de camada e gesto discutido nesta página, em técnica mista sobre tela.
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