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Quem foi Mark Rothko

Mark Rothko (1903–1970) foi um pintor norte-americano nascido em Dvinsk, hoje Daugavpils, na Letônia, e uma das figuras centrais do expressionismo abstrato. A partir de 1949, desenvolveu o estilo pelo qual é mais reconhecido: grandes campos retangulares de cor sobrepostos, hoje descritos como color field painting.

Black on Maroon, pintura de Mark Rothko, 1958 — Tate, Londres (fonte: tate.org.uk)
Mark Rothko, Black on Maroon, 1958, óleo, acrílica, têmpera de cola e pigmento sobre tela, 266,7 × 381,2 cm — parte da série pintada para a encomenda dos murais Seagram. Esta tela específica foi apresentada por Rothko à Tate por meio da American Federation of Arts, com registro de aquisição em 1968 (o grupo mais amplo de telas Seagram foi doado por Rothko à Tate em 1969). Tate, Londres, registro T01031. Fonte: tate.org.uk. Black on Maroon, Mark Rothko (1903–1970). Tate, Londres. Fonte: tate.org.uk.

Da Letônia a Nova York: quem foi Mark Rothko

Mark Rothko nasceu Markus Yakovlevich Rothkowitz em 25 de setembro de 1903, na cidade de Dvinsk — hoje Daugavpils, na Letônia, então parte do Império Russo. Ainda criança, imigrou para os Estados Unidos com a família, chegando ao país no fim de 1913. Estudou na Universidade Yale, que deixou sem concluir o curso, e depois na Art Students League, em Nova York — sua formação artística mais relevante. Morreu em 25 de fevereiro de 1970, em Nova York.

Por que Rothko pintava blocos de cor

A partir de 1946, Rothko passou a pintar os chamados multiforms — composições soltas de manchas de cor — que, por volta de 1949, se consolidaram no formato pelo qual é hoje reconhecido: grandes campos retangulares de cor, sobrepostos e sem contorno definido. É esse conjunto de trabalhos, produzido entre 1949 e 1970, que a Tate de Londres descreve como parte do color field painting — termo aplicado à obra de pintores abstratos das décadas de 1950 e 60 caracterizada por grandes áreas de cor praticamente lisa, com Rothko ao lado de Barnett Newman e Clyfford Still.

Rothko não tratava essas cores como decoração. Segundo a Tate, ele descrevia o próprio trabalho como uma tentativa de expressar emoções humanas básicas — tragédia, êxtase, perdição — e via a ausência de figuras reconhecíveis não como abstração vazia, mas como o caminho mais direto até essas emoções, sem a mediação de uma cena ou de um objeto.

Os murais Seagram: a encomenda que Rothko recusou

Em 1958, Rothko aceitou uma das maiores encomendas já feitas a um pintor abstrato até então: uma série de murais para o restaurante Four Seasons, no recém-construído edifício Seagram, em Nova York. Ele via o projeto como a chance de criar um ambiente permanente, onde as telas fossem sempre exibidas juntas — e não como peças isoladas espalhadas em coleções diferentes. Ao longo do processo, concentrou-se numa paleta sóbria de vermelhos, marrons e pretos e chegou a produzir cerca de quarenta telas de grande formato — muito mais do que as sete que, segundo a reconstrução dos historiadores, Rothko pretendia pendurar no espaço.

Mas, à medida que o trabalho avançava, Rothko passou a considerar o restaurante um cenário inadequado para receber a obra. Em 1960, cancelou o contrato e devolveu o adiantamento recebido. As telas ficaram guardadas por quase uma década até que, em 1969, Rothko doou um grupo delas à Tate; as pinturas chegaram a Londres em 1970, pouco antes de sua morte. Hoje, as telas da série Seagram estão divididas entre a Tate, em Londres, o Kawamura Memorial Museum, no Japão, e o National Gallery of Art, em Washington — que guarda, entre outras obras de Rothko em seu acervo, um estudo para os murais Seagram.

Onde ver e quanto valem as obras de Rothko

Parte significativa da obra de Rothko está em museus, não em coleções privadas — o que facilita bastante para quem quer ver os quadros pessoalmente. A Tate Modern, em Londres, exibe permanentemente um conjunto das telas Seagram na Sala 10; o National Gallery of Art, em Washington, mantém obras do artista em seu acervo, incluindo um estudo para os murais Seagram (Untitled, Seagram Mural sketch, 1958) e a pintura Orange and Tan (1954).

No mercado de leilões, Rothko segue entre os nomes mais valorizados da arte do pós-guerra. Em maio de 2012, a tela Orange, Red, Yellow (1961) foi vendida na Christie's, em Nova York, por US$ 86.882.500 — na época, um recorde nominal para arte contemporânea do pós-guerra em leilão público. O valor tende a refletir tanto a raridade de telas de grande formato do período mais reconhecido do artista quanto sua posição como um dos nomes centrais do expressionismo abstrato americano.

O olhar do ateliê

O que os campos de cor de Rothko me fazem pensar sobre silêncio

Rothko construía emoção removendo quase tudo — cor, campo, um mínimo de variação de tom, e nada mais. Não trabalho em pintura plana; minha investigação em Matter & Silence acontece pelo relevo esculpido, não pela cor. Mas reconheço o mesmo instinto por trás das duas abordagens: reduzir os elementos até que a superfície pare de descrever alguma coisa e passe a segurar uma sensação. Em Echo of Silence, o relevo concêntrico faz sozinho o trabalho que, numa tela de Rothko, cabe à cor — pedir que o olhar pare, respire, e fique um pouco mais do que o normal antes de seguir adiante.

Talvez seja por isso que campos de cor tão simples, feitos há mais de sessenta anos, ainda parem quem passa por eles num museu: a contenção, quando é radical o suficiente, vira presença. É a mesma aposta que sigo no ateliê — que o menos, bem colocado, pesa mais do que o mais.

Perguntas frequentes

Quem foi Mark Rothko?

Mark Rothko (1903–1970) foi um pintor norte-americano nascido em Dvinsk, hoje Daugavpils, na Letônia, então parte do Império Russo. Imigrou ainda criança para os Estados Unidos, estudou na Universidade Yale e na Art Students League, em Nova York, e tornou-se uma das figuras centrais do expressionismo abstrato americano. A partir de 1949, desenvolveu o estilo de grandes campos retangulares de cor pelo qual é mais reconhecido hoje, mantido até sua morte, em 1970.

Por que as pinturas de Rothko são só blocos de cor?

Porque, a partir de 1949, Rothko abandonou a representação de objetos e cenas em favor de campos de cor sobrepostos, sem contorno definido. Segundo a Tate, ele via essa escolha não como abstração vazia, mas como o caminho mais direto até emoções humanas básicas — tragédia, êxtase, perdição —, sem a mediação de uma figura ou de uma narrativa. A cor, para ele, não decorava a tela: era o próprio assunto do quadro.

A que movimento artístico Rothko pertence?

Rothko é associado ao expressionismo abstrato, o movimento americano do pós-guerra que reuniu pintores como Jackson Pollock e Willem de Kooning. Dentro dele, é um dos três nomes originalmente ligados ao termo color field painting — ao lado de Barnett Newman e Clyfford Still —, cunhado para descrever a pintura das décadas de 1950 e 60 marcada por grandes áreas de cor praticamente lisa, sem o gesto pincelado mais evidente de outros expressionistas abstratos.

Onde ver obras de Rothko?

A Tate Modern, em Londres, exibe permanentemente um grupo das telas da série Seagram na Sala 10 — parte de um conjunto maior que Rothko doou à Tate em 1969. O National Gallery of Art, em Washington, também mantém obras do artista em seu acervo, incluindo um estudo para os murais Seagram e a pintura Orange and Tan (1954). Ambos os acervos são de acesso público.

Por que as obras de Rothko custam tanto em leilão?

Em maio de 2012, a tela Orange, Red, Yellow (1961) foi vendida na Christie's, em Nova York, por US$ 86.882.500 — na época, um recorde nominal para arte contemporânea do pós-guerra em leilão público. Preços desse porte refletem a combinação de raridade (a maior parte da obra de Rothko já está em museus), a posição do artista como um dos nomes centrais do expressionismo abstrato americano e a procedência documentada das telas que ainda circulam em coleções privadas.

Fontes

  1. National Gallery of Art — Open Data Program (registro do constituinte 1839, Mark Rothko) — 2026-08-14
  2. Wikipedia — 2026-08-15
  3. Wikipedia — 2026-08-15
  4. Tate — 2026-08-15
  5. Wikipedia — 2026-08-15
  6. Tate — 2026-08-15
  7. Tate — 2026-08-15
  8. Wikipedia — 2026-08-15
  9. Tate — 2026-08-15
  10. Wikipedia — 2026-08-15
  11. National Gallery of Art — Open Data Program — 2026-08-14
  12. Tate — 2026-08-15
  13. Tate — 2026-08-15
  14. Tate Collection (dados abertos, tategallery/collection) — 2026-08-15
  15. Wikipedia — 2026-08-15

Campos de cor, contenção esculpida

Echo of Silence carrega, em relevo, o mesmo tipo de silêncio que Rothko construía em cor. Fale com o ateliê para fotos de perto e vídeo da textura com luz natural.

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