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Artistas parecidos com Agnes Martin: minimalismo e repetição

Artistas parecidos com Agnes Martin (1912–2004) trabalham o mesmo procedimento, não o mesmo assunto: grade fina traçada à mão, paleta quase monocromática e repetição que dissolve a linha à distância. Martin recusava o rótulo minimalista e se considerava expressionista abstrata. Richard Tuttle, Ellen Gallagher e Tammi Campbell seguem território de repetição e sutileza próximo ao dela.

White Flower, de Agnes Martin (1960) — Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York
Agnes Martin, White Flower, 1960, óleo sobre tela, 182,6 x 182,9 cm — a tela quadrada de seis pés que se tornaria seu formato padrão pelas três décadas seguintes; coleção do Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York. White Flower, Agnes Martin (1912–2004). Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, registro 63.1653. Fonte: guggenheim.org.

O que caracteriza a pintura de Agnes Martin

Antes de procurar “parecidos com Agnes Martin”, vale isolar o que exatamente está em jogo: não é um assunto, é um procedimento. Agnes Martin (1912–2004) construiu sua pintura madura em torno da grade fina traçada à mão, sobre paleta quase monocromática — lavados pálidos de cor, atravessados por linhas de lápis que, à distância, quase desaparecem. A obra pede observação de perto e tempo parado; de longe, parece só um campo de cor; de perto, revela uma malha inteira de decisões repetidas.

Martin chegou a esse formato em 1960, com White Flower — óleo sobre tela, 182,6 x 182,9 cm, a tela quadrada de seis pés que ela adotaria como padrão pelos 32 anos seguintes. A obra estreou em 1961, na terceira e última exposição de Martin na Betty Parsons Gallery, em Nova York, e hoje pertence à coleção do Solomon R. Guggenheim Museum, sob o registro 63.1653. Sobre o título, ela foi direta: “não é realmente sobre uma flor, é realmente sobre uma experiência mental”. Anos depois, descreveria sua pintura assim: “são luz, leveza, sobre fusão, sobre a ausência de forma”.

Antes da grade, Martin passou os anos 1950 em Nova York numa abstração mais biomórfica. Depois dela, em 1967, abandonou a cidade em busca de solidão, viajou pelos Estados Unidos e Canadá e se estabeleceu no Novo México, onde manteve o mesmo procedimento — grade, repetição, contenção — por mais de três décadas. Morning (1965), hoje na Tate Modern sob o registro T01866, mostra a mesma lógica em acrílica e lápis sobre tela, 182,6 x 181,9 cm.

Minimalista ou expressionista abstrata? Por que a resposta importa

A pergunta não é só curiosidade histórica: muda o que se procura ao comparar artistas. A crítica tentou encaixar Martin em rótulos sucessivos ao longo dos anos 1960 — Op Art numa mostra do MoMA em 1965, Hard Edge numa mostra do Guggenheim em 1966, Minimalismo numa mostra da Dwan Gallery no mesmo ano. Martin rejeitava todos: “eram todos minimalistas, e me pediram para expor com eles, mas isso foi antes de a palavra ser inventada [...] depois, quando começaram a chamá-los de minimalistas, me chamaram de minimalista também.”

Ela se considerava expressionista abstrata, ligada à geração de Nova York que via a pintura como veículo de emoção, não de redução formal. A historiadora e crítica Lucy Lippard notou a diferença: as pinturas de Martin tinham uma “complexidade emocional” que as separava do minimalismo propriamente dito, mesmo operando com grade, repetição e economia de meios — o vocabulário formal que passou do expressionismo abstrato ao minimalismo. Procedimento parecido, intenção diferente: é essa distinção que separa “parecido com Martin” de “parecido com o Minimalismo” — dois territórios vizinhos, não idênticos.

Quem trabalha com repetição e sutileza parecidas

Nenhum dos nomes a seguir reproduz o procedimento de Martin — cada um chega à repetição e à sutileza por um caminho próprio, o que é o ponto de comparação, não uma imitação. Richard Tuttle, artista ligado ao pós-minimalismo, expôs ao lado de Martin no SITE Santa Fe em 1998; seu trabalho em escala reduzida e materiais delicados compartilha a mesma exigência de observação de perto. Eva Hesse, contemporânea de Martin, também está entre as artistas influenciadas por ela — embora sua obra em látex e fibra de vidro trate a repetição de um jeito mais orgânico e menos geométrico.

Entre nomes ativos hoje, Ellen Gallagher constrói superfícies de marcas miúdas e repetitivas que só se revelam de perto, no mesmo espírito de paciência que a grade de Martin exige. A artista canadense contemporânea Tammi Campbell mantém um corpo de trabalho baseado em grade, em diálogo direto e contínuo com o legado de Martin — o exemplo mais literal de continuidade nesse território.

O olhar do ateliê

O que Echo of Silence tem em comum com a grade de Agnes Martin — e o que não tem

Quando alguém me pergunta sobre Agnes Martin, penso primeiro em Echo of Silence. As duas obras trabalham com o mesmo tipo de contenção: superfície quase monocromática, repetição de um gesto pequeno até ele virar estrutura, exigência de que a pessoa se aproxime para a peça se revelar. A diferença é o material do gesto — Martin repete uma linha de lápis sobre lavado de cor; eu repito um relevo esculpido, concêntrico, em pasta de textura sobre tela.

Não estou tentando aproximar minha trajetória da dela — não tenho a retrospectiva do Guggenheim nem uma sala dedicada num museu. O que reconheço é o mesmo instinto de trabalho: confiar que a repetição de um gesto simples, sustentada por tempo suficiente, carrega mais presença do que qualquer imagem. É esse instinto, não a grade em si, que atravessa da pintura dela para o relevo que eu faço.

Perguntas frequentes

O que caracteriza a pintura de Agnes Martin?

Uma grade fina traçada à mão sobre paleta quase monocromática, em telas quadradas — o formato de seis pés (182,6 x 182,9 cm) que ela adotou em 1960, com White Flower, e manteve como padrão pelos 32 anos seguintes. A grade dissolve a linha à distância e exige observação de perto. Antes de chegar a esse procedimento, Martin passou por uma fase de abstração biomórfica em Nova York, nos anos 1950. Ela abandonou a cidade em 1967, buscando solidão, e se estabeleceu no Novo México, onde manteve o mesmo procedimento por mais de três décadas.

Agnes Martin é considerada minimalista ou expressionista abstrata?

Ela mesma se dizia expressionista abstrata e recusava o rótulo minimalista: “eram todos minimalistas, e me pediram para expor com eles, mas isso foi antes de a palavra existir”, disse sobre o grupo que passou a incluí-la já nos anos 1960. A crítica, porém, tentou vários rótulos ao longo da década — Op Art no MoMA em 1965, Hard Edge no Guggenheim em 1966, Minimalismo na Dwan Gallery no mesmo ano —, todos contestados por ela. A historiadora Lucy Lippard notou que a complexidade emocional da obra de Martin a distinguia dos minimalistas propriamente ditos.

Que artistas contemporâneos trabalham com repetição e sutileza parecidas?

Richard Tuttle, que expôs ao lado de Martin no SITE Santa Fe em 1998, trabalha em escala reduzida e materiais delicados com a mesma atenção à sutileza. Ellen Gallagher constrói camadas repetitivas de marcas miúdas que exigem observação de perto, no mesmo espírito. A artista canadense contemporânea Tammi Campbell mantém um trabalho de grade em diálogo direto e contínuo com o legado de Martin. Nenhum desses nomes reproduz o procedimento dela — cada um chega à repetição e à sutileza por um caminho próprio, o que é justamente o ponto de comparação, não uma imitação.

Onde ver obras de Agnes Martin?

A Agnes Martin Gallery, no Harwood Museum of Art, em Taos (Novo México), é a mais completa: uma sala inaugurada em 1996, com sete pinturas que a própria artista doou ao museu em 1993 e um óculo no teto sob o qual ela mesma sugeriu colocar quatro bancos do escultor Donald Judd. A Tate Modern, em Londres, exibe Morning (1965). O Solomon R. Guggenheim Museum, em Nova York, guarda White Flower (1960), registro 63.1653 — a obra com que ela estreou a grade, em 1961, na Betty Parsons Gallery.

Esse tipo de pintura combina com que tipo de ambiente?

Espaços que pedem pausa em vez de impacto imediato — um hall de entrada contemplativo, um home office, um quarto, um corredor de circulação lenta. A grade e a monocromia de Martin funcionam melhor com luz indireta e parede vazia ao redor, sem concorrência de outros objetos decorativos, porque a obra depende de observação de perto e demorada para revelar suas variações sutis. É o mesmo princípio por trás de peças da série Matter & Silence do ateliê, como Echo of Silence: a superfície recompensa quem se aproxima, não quem passa rápido.

Fontes

  1. Tate — 2026-08-07
  2. Tate — 2026-08-07
  3. Art Canada Institute — 2026-08-07
  4. The Guggenheim Museums and Foundation — 2026-08-07
  5. Art Canada Institute — 2026-08-07
  6. Harwood Museum of Art — 2026-08-07
  7. Perfeito Studio — fonte interna do acervo — 2026-08-07

Repetição e contenção, sem forçar comparação de estatura

Echo of Silence trabalha relevo e monocromia com a mesma lógica de repetição manual — fale com o ateliê para fotos de perto e vídeo da textura em luz natural.

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Obras disponíveis

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